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Capítulo 147: Dor de Cabeça

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Capítulo 147: Dor de Cabeça

O resto das aulas passaram em um piscar de olhos. Antes eu estava distraído, mas depois, minha capacidade de se concentrar em algo foi reduzida a zero.

“Eu disse que era impossível ela ficar com um moleque assim”

— Ah, minha cabeça dói… — suspirei enquanto colocava a testa na mesa e olhava para o chão, mais especificamente para os meus sapatos.

Qual era o problema deles?

Tudo bem que… eu não era alguém incrível ou coisa do tipo, mas qual era a necessidade de um comentário como aquele?

O que exatamente tinha de errado comigo?

O que tinha de engraçado em eu… namorar a Yuki?

Não tinha nada de errado, certo? Então qual era o motivo de tantas risadas daquele jeito?

— Ah… — suspirei novamente, enquanto minha cabeça latejava de dor.

Não demorou muito para que as aulas chegassem ao fim, depois do sinal ter tocado e me puxado de volta para a realidade.

“Finalmente.”

“…Ainda tem o clube”

— Gah! Minhas costas já não tavam aguentando! — Seiji se espreguiçou enquanto Akira se juntava.

— Bora comer algo logo? Tô com fome! — Akira murmurou enquanto o resto arrumava as coisas.

— Não se esqueçam da tarefa e de começarem a estudar! — O professor disse, mas quase ninguém parecia ter escutado.

Guardei meu material automaticamente, sem prestar atenção alguma ao meu redor ou em de quem era a vez de limpar a sala. Nada era do meu interesse no momento.

Durante o corredor cheio de alunos, notei que Seiji e Rintarou pareciam olharem entre si, provavelmente já deveriam ter notado que eu estava levemente mais diferente do que o normal.

— Então…! — Seiji envolveu o braço dele ao redor do meu pescoço. — O que aqueles caras do terceiro ano queriam com você…?

Suspirei.

Eu não sentia vontade nem energia alguma de falar.

— Qualquer coisa sobre… nem consigo me lembrar direito — falei de forma baixa, tentando desviar do assunto e sem olhar para eles. — Não era nada de mais também.

— Hm… — Ambos me olharam de forma estranha, mas não disseram mais nada sobre aquele assunto.

E talvez fosse melhor assim.

Novamente, enquanto caminhávamos, continuei notando alguns olhares e cochichos direcionados em mim. Eu tentava desviar o olhar, mas era impossível não notar.

Sério, mas que droga? Era algo tão inacreditável ao ponto da escola toda falarem sobre mim?

“Que seja.”

Ao entrar no clube, depois de deslizar a porta, o cheiro familiar me envolveu. Mas o que antes causava conforto, naquele momento causava nada. Talvez até intensificava a minha dor. Ou talvez fosse coisa da minha mente…

Sentei no meu lugar de sempre, enquanto a rotina ia como o habitual. Rintarou e Mai liam livros grossos. Taro continuava dormindo desconfortavelmente. Kaori estava rodeada de vários livros e Takumi continuava arrumando alguns papéis.

Claro, todos pareciam focados em algo.

Exceto eu.

“Bom, exceto eu e Taro…”

Peguei uma folha em branco e uma caneta, apoiei a ponta sobre o papel e escrevi cerca de duas frases ou algo assim.

Então parei.

Olhei para as frases, e até elas pareciam sequer fazer algum sentido.

— Sério, mas que droga?

“Por que você escreve? Para quem você escreve?”

A minha caneta continuava travada.

“Esses rumores devem ter feito ele pensar que conseguia ficar com a Yuki de verdade”

As perguntas de Shihei se entrelaçavam com as palavras de Sota e a risada dos outros dois. Tudo aquilo fazia minha cabeça doer e a caneta não se mover.

Que droga.

— Hm? Terra chamando Shin. — uma voz veio colada no meu ouvido, fazendo eu tomar um pequeno susto. — O que você tá escrevendo aí?

Virei o rosto rapidamente, me deparando com a cara curiosa da Kaori. Ela estava inclinada perigosamente sobre o meu ombro, com o rosto perto do meu, tentando ver o que eu escrevia.

— Ei! Que susto, Kaori! — ajustei a postura rapidamente enquanto cobria a folha de papel que… não tinha nada de mais.

Ela se ergueu devagar, dando uma leve risada, mas ainda com a cabeça perto de mim.

— Desculpa, desculpa — ela murmurou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, parecendo, estranhamente, mais contida que o normal. — É que você tá só olhando pra essa folha, então fiquei curiosa com o que você tá fazendo, sabe?

Encarei ela por alguns segundos, e então para a folha… sem responder nada.

— Ah, e eu… também… sabe… Ouvi falar que você e a… — Ela começou, parecendo nervosa por algum motivo, mas depois eu não ouvi quase nada. — Ouvi falar que você e a…

Soltei mais um longo suspiro, totalmente exausto, e deixei a cabeça cair na mesa. O som seco da minha testada devia ter ecoado pela pequena sala.

— Nada, Kaori… — murmurei com a voz quase abafada. — Não tô fazendo… nada.

Eu nem tinha levantado a cabeça, mas era notável que o clima tinha mudado na sala. O som de papéis sendo arrumados e folhas sendo passadas tinham cessado. Não sabia se era coisa da minha cabeça ou não, mas até o ressonar do Taro parecia ter diminuído.

Girei um pouco a cabeça, ainda deitada na mesa, e me deparei com alguns olhares voltados para mim.

“…..?”

De certa forma, os olhares deles pareciam preocupados comigo. No entanto, agradeci internamente por ninguém ter feito alguma pergunta sobre.

Não era como se eles não quisessem ajudar, pelo contrário, eles sabiam que… não era o momento certo.

Então, fiquei ali, com a testa colada na mesa, ainda sentindo de leve a dor e me corroendo por dentro.

Eu não deveria ter aberto a boca para com Shihei e ter falado sobre aquilo. Se… eu simplesmente não tivesse jogado fora os meus pensamentos internos, não estaria me afogando no meio de um oceano de dúvidas e medos naquele instante.

“Droga.”

Claro, como se não fosse o suficiente, a conversa daquelas três pessoas ainda estavam vivas o suficiente na minha mente. Aparentemente, algum rumor estranho tinha sido começado sobre mim e a Yuki estarmos namorando.

— Tsk.

Como sequer tinha começado? E quem espalharia algo assim?

Enquanto a minha mente queimava em caos absoluto, a mesa gélida, pelo ambiente invernal, me acalmava.

Eu estava preso em uma cordilheira entre o papel em branco e um rumor que eu não sabia como apagar.

“Merda.”