LNCrawler

Capítulo 148: A Origem dos Rumores

Rebirth – O Despertar — illusia.com.br · All chapters

Capítulo 148: A Origem dos Rumores

Desde os dias em que participei no Concurso de Inverno da Editora Kousei, nunca tinha me sentido daquele jeito dentro do clube de literatura. Se eu tivesse, então não me lembrava.

Passei o horário todo apenas encarando algumas frases aleatórias que eu tinha conseguido colocar no papel. Ainda assim, elas sequer faziam algum sentido.

E a razão de tudo isso estava dentro da minha cabeça.

Depois daquilo, continuei com a cabeça, que continuava doendo sem parar, colada na mesa até o sinal tocar. Me sentia improdutivo, sem vontade de fazer absolutamente nada até que tudo ficasse limpo na minha mente.

— Até amanhã…

Quando saímos do clube, demos de cara com Seiji do lado de fora e fomos até a saída, atravessando os corredores inundados de alunos e barulhos de conversas.

Nos armários de sapatos, troquei meu tênis enquanto as pessoas ao meu redor faziam o mesmo. Minha cabeça latejava e só piorava com os sons e risadas ao nosso redor.

— Ei, não é ele ali!?

— Huh? Aquele?

— Era verdade então!?

As conversas vinham de todas as direções, apontadas para uma única pessoa. Eu. Notei os olhares de alguns alunos que sequer tentavam disfarçar, e outros com a mão na boca.

Era de mais, não?

Minha cabeça doía.

— Eh…? Ela e ele? É definitivamente uma escolha.

— Pois é!

— Ele não é aquele que fez aquela peça de teatro?

— Eu acho que combinam!

A minha paciência, que já deveria estar no limite por causa do que vinha acontecendo o dia todo, deveria ter se esgotado por completo. Acabei fechando a portinha do armário com um pouco mais de força do que o normal.

— Isso já não passou dos limites? — murmurei, passando a mão na cabeça, que ficou encostada. — Qual é a dessa gente e desse rumor?

Rintarou terminou de amarrar o tênis, levantou-se e ajeitou os óculos como sempre.

— Também acho que já passou dos limites. Esses rumores estão indo muito longe.

— Mhm! — Seiji colocou seu braço ao redor do meu pescoço, e como já esperava, me deu aquele sorriso provocativo e esquisito. — Heh. Seguiu bem o meu conselho de olhar mais ao seu redor, né? Pode me agradecer comprando aquele menu que você prometeu hoje!

“Hein?”

Conselho de olhar mais ao meu redor? Mas do que…

— Ei! Sai fora! — protestei, tirando o braço dele do meu pescoço. — E eu não fiz nada de mais para ter esses rumores todos!

“E eu não prometi pagar nenhum menu pra ele…”

Seiji deu uma risadinha, como se eu estivesse me fazendo de desentendido.

— Ah, é? E o dia chuvoso? — Ele começou, depois de rir mais um pouco. — É que todos viram vocês saindo juntinhos sob o mesmo guarda-chuva… heh.

Ah.

Fazia sentido.

Lembrei do dia chuvoso, a água caindo no meu ombro, o cheiro dela tão bom e tão perto de mim. E claro, o barulho de conversas que parecia ter aumentado atrás de mim quando saímos, mas que decidi ignorar.

Soltei um longo suspiro, completamente derrotado.

Era por causa daquilo?

— Só dividimos um guarda-chuva porque ela não tinha levado e o celular dela tinha ficado sem bateria…

— Tá, pode até ter sido assim, mas e para eles? — Seiji olhou ao redor, cheio de pessoas na saída. — Sabe… um garoto… uma garota… um guarda-chuva… juntinhos…

— T-tira esse sorriso da cara! — Peguei ele pelo pescoço, colocando meus braços ao redor dele.

Por mais irritante que fosse, Seiji estava certo. Na cabeça dos outros, talvez os rumores fizessem sentido.

“…..”

Olhei ao redor. O local estava cheio de pessoas, ainda algumas cochichavam olhando para mim. Novamente, sem disfarçarem direito. Estava frio, bem frio.

A brincadeira do Seiji e as risadas que ecoavam na minha mente foram, de pouco em pouco, perdendo toda a graça. A imagem de Sota e dos dois outros do lado dele, rindo de mim no corredor, tinham voltado.

“Eu disse que era impossível ela ficar com um moleque assim.”

Uma gigante onda de culpa me consumiu ali naquele lugar. Tão grande que apagava os ecos da voz de Shihei que ecoavam desde o dia anterior.

A Yuki… não tinha culpa de nada.

Ela era uma garota incrível, inteligente, dedicada, respeitada e muito mais. Claro, além de ser a garota de quem eu amo, mas não vinha ao caso.

O ponto era que o nome dela estava sendo jogado na lama através daqueles rumores estúpidos. Por ter sido vista compartilhando o meu guarda-chuva num gesto de gentileza… por ter sido vista comigo.

Sim, alguém como eu.

Penso que se fosse outro garoto, os rumores não se espalhariam daquela maneira. Por mais doloroso que fosse pensar naquilo, era um fato.

O simples pensamento de a grande reputação dela pela escola estava sendo desmanchada por minha culpa, me encheu de arrependimento pelo que eu fiz. Por mais triste e… inadequado que eu me sentia, apenas havia algo que eu pudesse fazer.

Não dava para ir pra casa e fingir que estava tudo bem e que nada estava acontecendo ao nosso redor.

— Shin? — Rintarou me chamou, provavelmente notando algo diferente na minha expressão.

— Eu… preciso achar a Yuki logo — murmurei, enquanto ajustava a alça da mochila nas costas que caía de leve.

— Hã? Mas agora? — Seiji parecia surpreso. — Mas já tá tarde e o corredor tá cheio de gente, como vai achar ela? Ela pode até ter ido pra casa.

— Não, ela também faz parte do clube de atletismo, então ainda deve estar na escola — respondi enquanto dei um leve passo pra trás.

— Clube de atletismo? Oh… agora faz sentido ela sempre ganhar no…

— Preciso pedir desculpas logo pra Yuki — virei para trás, contra o fluxo da multidão. — Preciso fazer isso logo. Ah, podem ir na frente, vejo vocês amanhã!

Sem esperar pela resposta de ambos, dei meia volta e comecei a andar contra o rio de pessoas que saíam de seus clubes.

Enquanto andava, dava de caras, maioritariamente, com pessoas que faziam parte de clubes de esporte. Futebol, basquete, badminton, tênis e outros.

No entanto, nenhum sinal da Yuki ou de alguém do clube de atletismo.

“Droga.”

Onde ela poderia estar?