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Capítulo 149: Corte

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Capítulo 149: Corte

“Onde ela se meteu? Onde…”

Eu continuava caminhando contra o fluxo de alunos pelo corredor. Quanto mais eu me distanciava da entrada da escola, mais o barulho de conversas diminuía, abrindo lugar para o silêncio estranhamente bom de fim de tarde.

O sol já estava baixo nos céus, deixando os corredores em um tom alaranjado. Enquanto andava por poucos alunos ali, decidi checar a pista de atletismo.

— Por favor…

Mas nada.

Também sem sinal algum dela na biblioteca…

— …Talvez no ginásio?

Quando abri a porta, o ginásio se encontrava vazio. Claro, exceto pelo professor de educação física que arrumava algumas coisas de volta ao devido lugar.

— Hm? Precisa de alguma coisa, Shin? — Ele ergueu uma sobracelha. — Não já deu a hora de ir embora?

— Ah, sim, professor. É que… nada, já tô indo. — Me virei e me despedi. — Até amanhã!

A cada passo que eu dava pela escola, na busca dela, só fazia minha cabeça doer ainda mais.

Ela já teria ido embora?

“Não… eu não vi ela em lugar algum na saída…”

Então…

Engoli em seco.

Ela poderia estar… me evitando por causa dos rumores?

Era isso?

“…..”

Dentro da escola novamente, apoiei a mão perto da porta do conselho estudantil, e a outra na cabeça.

“Preciso ir pra casa tomar um remédio logo.”

A mente continuava girando sem parar, pensando na possibilidade de eu estar sendo um fardo para a Yuki.

De arrastar o nome dela pra baixo.

Droga. Droga. Droga.

“Coitado dele. Esses rumores devem ter feito ele pensar que conseguia ficar com a Yuki de verdade.”

— Tsk.

No mesmo momento, a porta do conselho estudantil foi aberta, e eu parei de me apoiar na parede rapidamente.

“Hã?”

— Shin!?

Era ela.

Yuki segurava uma pequena pasta de papéis na mão, ainda vestida com o casaco do clube de atletismo, parecendo um pouco cansada também.

Era o momento. Eu deveria confessar tudo e pedir desculpas por aqueles rumores estúpidos.

A vergonha de me aproximar, sabendo de tudo o que estavam falando pelos corredores, me fez hesitar por um instante. Mas eu tinha que fazer aquilo mesmo assim.

— Yuki… eu… — comecei, com o tom meio baixo e com as mãos suando.

Quando levantei o olhar, após reunir alguma coragem, dando de cara com os olhos dela, fui tomado por um susto quando vi se aproximar de mim rapidamente.

A mão dela foi direta no meu rosto, e eu fiquei sem reação.

— Ai, ai, ai! Yuki! O-o que você tá fazendo? — eu exclamava enquanto ela puxava minha orelha.

— Hmph! O que eu tô fazendo? Não! O que você tá fazendo, Shin Yamamoto! — Ela parecia… genuinamente irritada. Parecia não, estava! Droga. — Você esqueceu que virou vice-representante? Que deveria me ajudar a carregar esse monte de coisas? Hein? — ela puxou minha orelha de novo.

“Que dor…!”

Sério, precisava daquilo?

Minha orelha continuava doendo mesmo depois de ela parar. Aquilo queimava!

Mas por dentro, fiquei um pouco aliviado, achei que iria brigar comigo por causa dos rumores assim que me viu…

Ah, certo. Os rumores.

“…..”

Por dentro, eu me sentia a pior pessoa do mundo.

Como eu tinha esquecido do meu dever de vice-representante justamente… com ela?

A resposta era bem óbvia, e eu já sabia.

A dor de cabeça latejante, a paranoia com as risadas dos veteranos, o medo do rumor do guarda-chuva e as perguntas incisivas de Shihei tinham apagado qualquer outra obrigação e foco da minha mente.

— Eu tive que carregar um monte de relatórios sozinha pra sala do conselho estudantil! Onde você estava!? — Ela estava de braços cruzados e um pequeno beicinho, genuinamente irritada comigo.

— D-desculpa… É que… ando com muita coisa na minha cabeça. — baixei a cabeça, me sentindo derrotado,

Yuki me observou por alguns segundos. A expressão brava dela começou a desvanecer, dando lugar a uma leve risadinha abafada ao notar o meu estado.

— Honestamente… você parece estar cheio de problemas hoje — ela disse num tom mais suave, dando um meio sorriso. — Você não prestou atenção na aula, né? Eu reparei na sua cara.

“Hm?”

Ela tinha notado? Era tão óbvio assim?

Espera. Por que ela estava me olhando durante a aula? Se ela senta na minha frente…

“Que seja…”

A luz alaranjada bateu mais forte no meu rosto levemente quente de vergonha, e então eu decidi contar para Yuki o que eu deveria já ter feito.

Eu evitei olhar para ela por um segundo, e encarei o chão do corredor. Aquilo doía em mim e eu sequer havia falado ainda.

Abri a boca.

— Sabe, tem andado… pela escola, uns ru… Hã?

Mas que… Onde ela estava…?

— Ei, Shin! Me ajuda a carregar isso logo! — A voz dela veio de mais pra frente do corredor, e logo fui até ela. — Como vice-representante, você também tem deveres antes que o prédio feche, entendeu?

Encarei a pasta e uma caixa do lado dela, e depois para ela meio confuso.

— Ah, sim…

Ela tinha me cortado de propósito ou era coisa da minha cabeça?

Talvez eu estivesse pensando demais…

A bagunça na minha mente não tinha ido embora, mas aquela puxada na minha orelha fez um pequeno peso dos meus ombros irem embora por algum motivo.

— Vamos? — Ela se virou, com um sorriso no rosto, em direção à sala dos professores. — Temos que ser rápidos antes que tranquem a escola toda.

— Não tô afim de passar a noite na escola… — murmurei, enquanto carregava a caixa.

— Nem eu! — Ela riu, enquanto o sol batia e clareava o seu… belo rosto.

Caminhei ao lado dela em silêncio, com o som dos nossos passos ecoando pelas paredes do prédio quase já deserto.

Já não conseguia escutar mais os barulhos de conversas da entrada da escola.

O clima tinha mudado completamente, abrindo espaço para um momento a sós que eu definitivamente não estava preparado para enfrentar, mas do qual não conseguia mais escapar.

Quando batemos na porta da sala, demos de cara com alguns professores ainda ali. Uns pareciam já estarem indo embora, e outros continuavam sentados escrevendo em papéis.

— Oh! Amano e Yamamoto! Que surpresa ver vocês por aqui! — O professor Yoshikawa nos cumprimentou, com um pequeno sorriso através de seus óculos. — Do que precisam?

— Viemos deixar esses papéis aqui, a pedido do nosso professor. — Ela deu um sorriso amigável e com tom suave.

— Ah, os papéis que eu pedi! Muito obrigado!

Claro, enquanto eles conversavam, eu apenas me mantinha calado.

Depois de deixarmos tudo lá, finalmente saímos dali. Caminhávamos em direção à saída da escola, mas minha mente ainda girava.

Quando era o momento certo de falar?

Demorou algum tempo até que eu finalmente pudesse abrir a boca.

— Yuki…

— Ainda tem mais uma coisa que precisamos fazer. Vem comigo!

Hein?

Não, eu tinha certeza naquele momento. Ela definitivamente tinha me cortado!

— Huh… tá.

Tanto faz. Eu iria falar antes que saíssemos da escola.