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Capítulo 151: Singela Risada

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Capítulo 151: Singela Risada

Era… hipnotizante a forma em que ela me escutava com aquela atenção.

Estávamos sentados em uma mesa no centro da sala de aula. Eu em uma ponta, ela na outra. Yuki mantinha os cotovelos apoiados sobre a madeira da mesa, enquanto seu queixo repousava em suas mãos.

Sim, era isso.

Não bastava aquele olhar atento e doce com cada palavra que eu dizia, ela também sorria de leve.

Eu realmente amava ela, e não havia nenhuma dúvida disso.

Passei os primeiros minutos… desabafando com ela sobre tudo. Como a pressão me engolia. Meu bloqueio quando ia escrever. As incertezas e inseguranças sobre as perguntas dadas e a dor de cabeça que me atingiu o dia todo.

Ela… apenas assentia silenciosamente, sem me interromper alguma vez.

Por fim, faltava o óbvio.

Os rumores.

Reuni alguma coragem necessária, e finalmente toquei no assunto que corroía minha mente desde que notei aqueles olhares em mim pela primeira vez.

— E… bem… — Eu tinha começado com um tom meio baixo, enquanto eu mexia meus dedos na mesa, envergonhado e desviando do olhar atento dela. — Sabe… teve também algo nos corredores que… uns rumores sobre mim… e você.

No momento que falei aquilo, ela ergueu o olhar. Ainda mantinha atenção, mas deixou de apoiar a cabeça em suas mãos.

Tocar naquele assunto me deixava de um jeito esquisito.

E o resultado disso foi a vergonha e a culpa, que fizeram eu baixar a cabeça, incapaz de a encarar.

— Yuki, me desculpa! De verdade! — soltei de uma vez por todas, mas eu tinha um arrependimento genuíno.

A culpa era minha.

Sim, minha.

— Hein!? — escutei a voz dela parecer surpresa, ou era em choque. Algo assim. — D-do que você está falando!?

Obviamente, eu ainda mantinha minha cabeça baixa.

— É que… você provavelmente ficou chateada, ou desconfortável, por causa desses rumores idiotas, né? — comecei a falar rápido demais, mas tentando tirar tudo que pesava dentro de mim. — É que é por minha causa que andam falando dessas coisas na escola.

“…..”

— E… as pessoas devem ter começado a olhar estranho pra você o dia todo e… eu me sinto péssimo por isso! Desculpa! — me desculpei novamente, apertando os olhos fechados. — Desculpa… por causa disso, sua reputação deve ter caído… e só por causa do guarda-chuva…

E eu continuava. Sem parar.

Não sabia como, mas as palavras só iam e iam, e não paravam de sair.

— Eu sinto muito mesmo, Yuki. É que… se eu tivesse percebido antes ou pensado melhor, eu…

Hm?

Eu parei de falar.

Já fazia algum tempo desde que tinha começado a me desculpar, e em nenhum momento escutei algo vindo dela.

Apenas… um silêncio naquela sala. Junto do barulho do vento soprando do lado de fora.

Não tive nenhuma resposta imediata vinda do outro lado da mesa.

…Nada.

O silêncio continuou por um tempo, e aquilo me deixou tanto confuso quanto com medo.

Eu tinha estragado tudo?

“Droga. Droga.”

Ela deveria estar bem brava comigo. Digo, como não estaria?

Toda a reputação dela que tinha construído, tinha sido jogado fora por causa de uma ação estúpida minha.

E de uma forma devagar, meio com medo, confesso, levantei a cabeça para tentar ver o que o rosto dela transmitia.

Seria raiva?

Ou seria…?

“…..”

Eu… hã?

Eu… dei de caras com ela me olhando com o rosto avermelhado. As bochechas delas estavam bem infladas, enquanto tentava cobrir a boca com a mão.

Hã?

Ela estava segurando a risada?

— Mas o que… — pisquei rapidamente. — O que… o que é isso?

Nesse exato segundo, provavelmente vendo minha cara de idiota confuso, ela desistiu de segurar e começou a rir alto.

— …..

A risada dela ecoava pela sala vazia.

O vento frio, novamente, entrou pela sala, e empurrava as cortinas ao ar. A luz alaranjada, perto dos seus tons finais antes do azul, ainda iluminavam seu rosto sorridente… que não paravam de rir de mim.

Sério, eu disse algo engraçado?

Não via piada alguma.

— E-ei! — chamei por ela enquanto tentava manter uma postura séria, mas falhava. Eu estava completamente envergonhado! — Eu tava preocupado com você, tá? Não tô vendo graça, Yuki!

Fala sério…

Aos poucos, a risada começava a diminuir. Quando parou por completo, ela limpou uma pequena lágrima no canto do olho.

…..

Não era possível.

O que eu tinha dito de tão engraçado que fez ela derramar uma lágrima?

Yuki então deu uma risada… fofa e leve, enquanto cobria a boca com a mão e me olhava de uma maneira… doce?

— Desculpa, desculpa… — ela respirou fundo, se recompondo, mas eu ainda conseguia ver a risada em seu olhar… — É só que você é bem bobo, Shin! Sério mesmo!

— B-bobo!? Bobo onde!? Eu realmente falei sério! — fiquei indignado com aquilo.

Bobo? Eu? Como eu fui bobo?

Apenas me desculpei por algo sério?

— Sim! — ela voltou a apoiar a cabeça nas mãos. — Você ficou tão preocupado por causa de uns simples rumores… Saiba que eu não me importo nem um pouquinho com eles.

— Hein?

— Nem um pouco — ela balançou a cabeça algumas vezes. — No final de tudo, rumores são… apenas rumores. As pessoas inventam coisas o tempo todo, certo?

Ah, certo.

Ao lembrar de rumores… também me lembrei de quando minha mente pesava quando escutei rumores sobre Kazuki e Yuki estarem juntos…

No final de tudo, Kazuki já tinha namorada e não tinha interesse nela.

“Que vergonha…”

— Então… — O vento soprou novamente. — Não precisa ficar carregando esse fardo e se culpando por nada, sim? Eu não me importo com eles.

Naquele mesmo instante, era como se algo tivesse soltado de mim.

A dor de cabeça, as preocupações, as risadas, perguntas… não sei, era incrível. Tudo tinha… meio que ido embora.

Vendo a forma que ela simplesmente lidou…

— Entendi… Obrigado, Yuki — deixei um pequeno sorriso sair de mim.

Ela continuou me encarando, mas conforme me olhava, o sorriso dela foi desvanecendo, e dando lugar a uma expressão mais tímida. E o mesmo ocorreu pra mim.

Ficamos ali por alguns segundos parados, e sem mais nada pra dizer, enquanto o tom azul escuro da tarde começava a aparecer.

Quando voltei o olhar rapidamente para ela, Yuki encarava a mesa, e com uma mão coçava a bochecha.

— Na verdade…

Fixei o olhar nela, tentando entender o que ela iria dizer.

— Hm? O quê?