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Capítulo 152: O Que Vocês Sabem?

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Capítulo 152: O Que Vocês Sabem?

Ponto de Vista de Yuki

Hm…

Me lembrando bem, perto do ginásio no dia anterior, algumas garotas do primeiro ano tinham me parado.

Eu me lembrava delas, porque costumavam acompanhar nossos treinos do clube de atletismo, e vinham sempre me cumprimentar cheias de empolgação.

Mas daquela vez, chegaram cochichando e rindo antes de se aproximarem de mim.

— Amano! — Uma delas tinha me chamado. — É verdade o que andam falando pelos corredores!?

“Corredores?”

— É, é! Estamos bem curiosas sobre isso! — Uma outra completou, com as mãos entrelaçadas.

Fiquei confusa e não entendi o que elas queriam dizer.

— Sobre o quê?

Elas olharam-se entre si, confusas. Vendo aquilo, parecia ser algum tópico popular que apenas eu deveria estar por fora…

— O boato do guarda-chuva, né! — A do meio completou, dando uma cotovelada na amiga. — Dizem por aí, que você saiu junto de um garoto com o guarda-chuva dele.

— E que, na verdade, você está namorando oficialmente o Shin Yamamoto da sua turma!

“Hã!?”

No mesmo segundo, minha cara começou a queimar inteirinha. O choque daquela fala foi tanta que dei um passo para trás e comecei a balançar as mãos em pânico.

— O-o quê!? Não, não! — neguei rapidamente, enquanto tentava não transparecer a vergonha que sentia. Mas mesmo assim, senti uma tristeza. — Nós… somos só amigos… Só isso.

“…..”

Apenas… amigos.

O que me deixava triste, pareceu ter dado um motivo de alívio e risada para elas.

— Eu já sabia! — Uma disse, escondendo a boca com a mão. — Como você ficaria com ele quando tem tantos garotos melhores por aí?

— Né, né!? Como o Minato do terceiro ano! — Ouvi a outra completar.

— Oh! O Minato é gatinho, mas não tanto quanto o Sota, do basquete!

— o Haruto também entra na lista, né!?

“…..”

— Verdade… mas quem é esse Yamamoto mesmo? Não consigo lembrar de algum Yamamoto na escola… — Uma outra murmurou, enquanto as outras riam.

Eu só fiquei de cabeça baixa, ali, escutando e sentindo as palavras delas começarem a pesar incomodamente dentro de mim.

Ao mesmo tempo, fechei minha mão com força.

— Hm… não é aquele que… hm… Ah! O garoto que fez o papel do príncipe na peça do festival escolar!

— O príncipe esquisito e desajeito? Sério!? Menos mal que era só rumor — Uma delas riu, e o resto acompanhou.

…Como?

Como elas podiam?

— Eh!? Também não teve o boato que ele beijou a Amano no final?

— Sim, sim! Eu tava e vi! — Uma delas então se virou pra mim. — Ugh. Deve ter sido horrível, não é?

— Pode apostar! Se fosse pra cair no beijo com alguém, preferiria que fosse o Minato! — O grupo voltou a rir.

…..

O que era isso em mim? Era meu sangue fervendo?

Minha garganta parecia dar um nó naquele instante.

Como elas podiam dizer coisas assim!?

— Bom, já vamos indo, Amano! Boa sorte no treino de tarde, vamos estar lá por você! — disseram, sorridentes enquanto viravam as costas.

Elas iam embora?

Depois de simplesmente falaram o que desse na telha sobre uma pessoa que sequer conheciam?

— O que vocês sabem sobre ele?

Elas sequer deram cinco passos.

O grupo se virou na hora.

— Eh…? Como assim, Amano? — a voz delas pareciam ter surpresa e confusão.

Apertei meus punhos ao lado do meu corpo novamente.

— Minato? Sota? Haruto? — continuei, encarando cada uma delas friamente. — Essas pessoas não chegam nem perto de serem tão incríveis quanto Shin Yamamoto!

Ei! O que você tá falando!?

Não. Eu preciso falar.

— E-ei… nós não queríamos…

— Vocês não têm direito de falar dele desse jeito! — interrompi, com raiva e indignação. — Vocês sequer o conhecem, então como podem falar coisas assim dele!? Hein!?

Elas pareciam sem reação, até assustadas, tanto que ficaram em silêncio.

— Não fazem a mínima ideia do quão gentil e atencioso ele é. O quanto ele se dedica ao máximo por tudo e por todos! — Minha mão começava a doer de tanto apertar. — Ele sempre coloca as pessoas ao redor dele em primeiro lugar, antes dele mesmo! Então não falem sobre alguém que vocês não conhecem!

Era inadmissível. Completamente inadmissível!

Não conheciam o Shin. Não sabiam nada sobre o que ele pensava. Sobre como ele sempre se dedicava às pessoas ao seu redor.

Como podiam falar coisas tão maldosas sobre alguém que nem sequer poderia se defender!?

— Com licença… — disse por último, virando as costas e saindo rapidamente dali.

“Que raiva.”

— Tsk.

Mas quando cheguei no ginásio para o treino, acho que minha ficha finalmente decidiu cair.

“O-o que foi que eu fiz…!?”

…Acabei surtando com as garotas do primeiro ano… enquanto minhas bochechas queimaram de vergonha.

— Oh! Yuki! Vamos começar o treino logo!

“Só quero me esconder…!”

E então, eu ali, naquela sala de aula vazia, olhando para ele.

Uma pessoa tão… mas tão incrível, de cabeça baixa, se culpando por algo que sequer era culpa dele.

Aquilo… fez algo mexer dentro do meu peito.

A angústia genuína dele, e o cuidado que ele tinha comigo…

“…..”

Era difícil de aguentar.

— Na verdade… — murmurei, baixando o olhar para a mesa enquanto meu rosto ardia de vergonha. — …queria que os rumores fossem verdade…

Hã.

“O-o-o que você tá fazendo, Yuki!?”

— Gah! N-n-não é nada! Quer dizer, eu não disse nada! — Me apressei em falar rapidamente enquanto o pânico me tomou. — Nada!

“Ah, que droga! Droga! Droga! Droga!”

“O que você tá fazendo, Yuki Amano!?”

Cobri rapidamente meu rosto com as mãos. Mas logo abri uma fresta entre os dedos para… ver a reação dele.

“O que será que…”

…..

Shin piscava, com aquela cara de bobo fofo de quem não tinha escutado nada.

Ou eu esperava.

— Hm? O quê?

Era certo, ele não tinha escutado nada.

Ah, que alívio!

Soltei um longo suspiro aliviador. Graças aos céus que ele não tinha escutado nada.

Não… na verdade, acho que eu queria que ele escutasse um pouquinho…

Não, não, não!

Se ele tivesse escutado, eu evaporaria ali mesmo!

— Ei, Yuki? O que você disse? O vento bateu na janela bem na hora…

— N-não é nada, não! — respondi rápido, sem dar chance alguma pra ele.

— Não, repete, por favor…

— Já disse que não! Droga! Que insistente! — puxei a orelha dele de leve.

— Ai, ai! Calma aí!

“Sim, é isso mesmo.”

Mesmo que as pessoas pudessem falar mal dele, comparando com outros… eu não me importava.

Apenas algo permanecia de pé, uma simples certeza que eu comecei a aceitar há algum tempo.

O meu amor por Shin Yamamoto.