O Único Raio, parte 2
O Único Raio, parte 2
O PRODÍGIO ACADÊMICO
Institutos de Toryu (1868)
Na recém maioridade, e com sua aura oficialmente reconhecida, Kurogane tornou-se objeto de fascínio científico militar, e diferente de áuricos prodigiosos que frequentemente desenvolviam arrogância proporcional ao seu poder, o jovem mantinha humildade característica e sede insaciável por conhecimento.
Entre 1862 e 1868, período que abrangeu sua adolescência e início da idade adulta, Kurogane destacou-se simultaneamente em múltiplas disciplinas nos institutos avançados de Toryu. Registros acadêmicos preservados revelam desempenho excepcional em:
Engenharia Elétrica: Desenvolveu teorias sobre circuitos de corrente alternada anos antes de conceitos similares surgirem em nações ocidentais.
Matemática Aplicada: Publicou três artigos sobre cálculo diferencial aplicado a fluxos de energia, adotados posteriormente como textos de referência.
Física Áurica: Contribuiu significativamente sobre conversão e armazenamento de energia elemental…
Medalhas de mérito acumulavam-se em seu nome. Aos dezessete anos, o Prêmio Imperial de Excelência Acadêmica lhe foi honraria, distinção raramente concedida a alguém tão jovem.
General Najin Saito, então Ministro da Defesa, anotou em memorando confidencial datado de 1867: “A capacidade intelectual deste garoto bate de frente com a dos nossos melhores estrategistas. Recomendo incorporação imediata às forças armadas.”
O CORAÇÃO DO TROVÃO
Amor por Asahi
Documentos históricos frequentemente focam nas conquistas intelectuais e militares de Kurogane, o que relega aspectos emocionais e ideológicos de sua formação a notas de rodapé; contudo, compreender o homem requer analisar sua motivação fundamental: amor profundo e inabalável pelo povo.
Cartas pessoais preservadas pela família Kurogane, doadas ao Arquivo Nacional em 1880, revelam jovem profundamente consciente das desigualdades sociais que permeavam Asahi. Em correspondência enviada a seus pais em 1866, Kurogane escreveu:
“Queridos Pai e Mãe,
Os institutos me proporcionaram a melhor educação. Aprendo diariamente ao lado de filhos de nobres e comerciantes ricos, porém, quanto mais aprendo, mais compreendo a injustiça estrutural de nossa sociedade.
Colegas desperdiçam oportunidades que muitos nunca tiveram ou terão. Reclamam de professores exigentes enquanto crianças nos bairros operários trabalham doze horas diárias em fábricas. Vejo o poder áurico sendo usado para ostentação enquanto poderia aliviar o sofrimento de milhões.
Prometo a vocês: quando eu estiver em posição de influência, usarei meu conhecimento para proteger aqueles que, como vocês, constroem esta nação com as próprias mãos. Como o pai disse: ‘Poder sem propósito é uma tirania disfarçada.’”
Tal filosofia não permaneceu apenas em palavras.
Registros de vizinhança documentam que, durante seus anos de estudo, Kurogane frequentemente retornava ao bairro de Mushi nos fins de semana para auxiliar gratuitamente a comunidade. Ele reparava equipamentos elétricos primitivos que comerciantes ricos descartavam, instalava sistemas rudimentares de iluminação, e ocasionalmente, usava sua aura para fornecer energia gratuita a pequenos negócios que lutavam pela sobrevivência.
Uma moradora centenária de Mushi concedeu entrevista ao Jornal de Toryu em 1920: “Aqui é conhecido como a Cidade de Descarte, mas Inazuma jamais nos descartou. Mesmo quando já era famoso nos institutos, continuava visitando nossa comunidade. Ele sempre dizia que poder deveria servir ao povo, não dominá-lo, e nunca cobrou um centavo sequer.”
“Ele usava aura para ajudar pessoas comuns… É exatamente o que eu sempre quis fazer antes de tudo isso ficar… conturbado.”
REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA
Invenções que Mudaram Asahi (1868-1870)
O período entre 1868 e 1870 marcou transição de Kurogane de prodígio acadêmico para revolucionário tecnológico.
Aplicando conhecimento acumulado em engenharia elétrica e física áurica, o prodígio desenvolveu uma série de protótipos que transformariam fundamentalmente a infraestrutura asahiana: motores áuricos à explosão, lâmpadas elétricas populares, telégrafos públicos, sistemas de distribuição de energia…
Com a facilitação do desenvolvimento tecnológico, as invenções baseadas em aura tornaram-se acessíveis a triviais e áuricos de baixa potência. Fábricas aumentaram a produtividade, a comunicação entre províncias acelerou, e a iluminação pública reduziu a criminalidade noturna.
O CAMINHO DO GUERREIRO
Entrada na Academia Militar (1870)
Em 1870, aos vinte anos de idade, Inazuma Kurogane ingressou voluntariamente na GAAMA (Grande Academia Áurica e Militar Asahiana). A escolha surpreendeu muitos que esperavam que ele seguisse carreira puramente acadêmica ou empresarial.
Em discurso de admissão, preservado nos arquivos da Academia, Kurogane agradeceu profundamente as oportunidades que a ciência me proporcionou. Suas invenções continuariam beneficiando a nação, entretanto, fato era que Asahi enfrentava ameaças que não seriam neutralizadas apenas com tecnologia.
“Ingresso nesta academia longe do amor à guerra, mas próximo àqueles que inevitavelmente são afetados pela guerra”, articulou Kurogane. “Treinarei minha aura e minha mente para que sejam escuros do povo asahiano, e defenderei não só o nosso território, mas os valores de justiça e proteção dos desamparados que me foram ensinados desde o início.”
O treinamento militar revelou uma faceta até então pouco desenvolvida de suas capacidades: aplicação marcial de eletricidade.
Sob a tutela de mestres do combate áurico, Kurogane dominou a impulsão em semi-forma de raio que ultrapassava o limite humano e derrubava adversários com descargas elétricas dosadas, técnica o bastante para apagar os sentidos, mas jamais para tirar vidas.
Registros de simulação de combate documentam uma ascensão meteórica.
Em seis meses, o prodígio superava instrutores com décadas de experiência.
Em um ano, era considerado o combatente individual mais imprevisível de toda a Academia.
Os instrutores apostaram que Inazuma Kurogane seria a definição de guerreiro áurico, pois combinava poder bruto com inteligência tática, velocidade irreal com precisão, e caos enérgico em batalha com compaixão aos derrotados.
Era natural que o prodígio acabasse em lenda: o raio que despenca do céu para punir os injustos.
EPÍLOGO DO CAPÍTULO
Reflexões do Autor Historiador Keisuke Aizawa
Venerável. O jovem que nascera durante a tempestade criou-se em humildade, destacou-se em múltiplas disciplinas e abraçou o caminho do guerreiro, pronto para deixar marca indelével na história asahiana.
Nos capítulos seguintes, testemunharemos a ascensão de um soldado promissor a Marechal lendário, da fundação da instituição que transformaria o conceito de shihai, e finalmente, do mistério que cercaria seu desaparecimento durante a guerra Civil de Medved.
Antes de avançarmos para esses eventos extraordinários, vale pausar e refletir: o raio havia encontrado sua forma humana. A tempestade que cessara em seu nascimento reascendeu com força multiplicada e reformulou a paisagem política, social e militar de uma nação inteira.
A pergunta que permanece é: quando uma tempestade dessa magnitude acaba, poderia outra surgir com o mesmo calibre?
Akemi fechou o livro, memorando cada detalhe lido. Seus dedos traçaram o título gravado na capa escura. “Inazuma Kurogane…” murmurou a si mesmo, “alguém que me identifico… mas que realmente conseguiu fazer diferença.”
Ele olhou pela janela da biblioteca, onde a tarde se transformava em crepúsculo sobre a ASA, a mesma instituição fundada pelo próprio Kurogane.
“Se ele pôde mudar um país inteiro com o próprio esforço… então talvez… talvez eu também consiga encontrar meu caminho.”
O garoto respirou fundo e abriu novamente o livro, ansioso para que descobrisse o que aconteceu ao prodígio que nascera com o trovão.
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FIM DO CAPÍTULO 1
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