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Capítulo 416 — Em duas dimensões

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Capítulo 416 — Em duas dimensões

No mundo real, o Arold analisava a situação com bastante cautela, visivelmente preocupado com a segurança do seu irmão mais velho. Franzindo suas sobrancelhas, o rapaz de cabelos enormes logo afirmou:

— Ah, claro! Como se eu fosse descobrir algo assim, e permitir que isso aconteça!

O homem-explosão avançou na direção da mulher após aquela afirmação, voando a toda velocidade na direção dela, claramente com a intenção de a agarrar. Barney, percebendo isso, acabou por usar sua habilidade novamente, dessa vez para surgir no caminho daquele jovem-adulto, para em simultâneo disparar um soco na direção do rosto do mesmo.

“Esse cara… como ele surgiu aí?! Ah, que seja, um soco lento desses eu posso defender facilmente!”

Pensou o irmão mais novo do Kura, antes de fechar uma guarda em formato de “X” em frente ao seu rosto, confiante de que iria bloquear tranquilamente o ataque do seu inimigo. Para a surpresa do Burajiano, porém, o punho do seu oponente simplesmente ignorou sua guarda, atravessando a mesma como se estivesse passando pelo ar, fazendo assim o punho inimigo atingir em cheio o rosto do Arold, explodindo com um enorme impacto e lançando aquele militar para alguns metros de distância. O cabeludo quase caiu para fora da van, com isso só não acontecendo, pois o rapaz de terno branco se agarrou firmemente na ponta do teto.

— Ufa! Ainda bem que você reagiu a tempo, Barney! Eu nem vi esse fedelho se aproximando.

A mulher disse aquilo, limpando um pouco do suor do seu rosto, ostentando um sorriso aliviado no seu rosto.

— Bem, vou ir para a minha dimensão, assistir a luta do nosso chefinho! Se divirta com seu novo amigo, tá?

Ela novamente jogou as palavras ao ar, antes de finalmente se teleportar para a sua dimensão de bolso. O Arold, após aquilo, finalmente conseguiu subir para a área do combate, limpando o pouco sangue que escorria do seu nariz e pensando:

“Esse cara, ele me acertou um counter perfeito, e completamente inesperado! Se fosse no queixo, ele teria me nocauteado… preciso entender logo, como esse poder dele funciona!”

Na dimensão da Robin, a mulher finalmente surgia a alguns metros de ambos os combatentes, se escondendo atrás de uma das rochas próximas. Uma vez lá atrás, ela ficou apenas escutando a conversa daqueles dois.

— Ei, seu velho! Antes de a gente se matar na porrada, eu posso te perguntar uma coisa?

O Kura disse aquilo, se alongando com bastante tranquilidade enquanto observava o inimigo em sua frente. Brigadier, curioso com aquilo, respondeu:

— Vamos, diga!

Recebendo a brecha para fazer a sua pergunta, o manipulador de correntes elétricas questionou:

— Bem… lembro de você em Kubos Boom, você é irmão da mulher que teve o filho do meu irmão… por quais motivos, você está trabalhando para o pessoal do Nellu?

O manipulador de doces ouviu aquilo com bastante atenção, absorvendo em silêncio aquelas palavras, refletindo sobre as mesmas e então respondendo:

— Simples, não aceitei esse trabalho por concordar com os planos deles! Mas, sim, pois isso me daria a chance de me vingar de você!

Aquela afirmação acabou atiçando a curiosidade do receptáculo do cão, que logo fez outro questionamento:

— Vingança? Mas, por quê?

Brigadier, então, rapidamente respondeu:

— Você e sua família, sujaram três vezes o nome da minha! Seu irmão engravidou minha irmã em segredo, você invadiu o reino do meu irmão adotivo e o deixou com sequelas irreparáveis… e, por fim, você invadiu Kubos Boom e assassinou meu pai covardemente, numa união de mais de dez inimigos contra um!

Aquelas palavras pairam até os ouvidos do Kura, que acabou ficando ainda mais intrigado com tudo que era dito, retrucando de maneira imediata:

— Bem, não posso dizer nada sobre meu irmão mais velho, mas… seu irmão e pai eram ditadores, e além disso seu pai também era o homem mais forte do mundo naquele momento! Sinceramente, ainda acho que passamos muita dificuldade, para dizer que o combate foi injusto!

Aquela afirmação desdenhosa acertou o Brigadier como se fosse uma flecha, fazendo o sangue daquele ser gigantesco ferver como a lava. Irritado, o mercenário prontamente pontuou:

— Seu porco sem honra!

Brigadier logo inclinou seu corpo levemente para a frente, deixando clara sua intenção de se aproximar e atacar o baixinho de cabelos negros. Kura, percebendo isso, rapidamente deu um passo para trás, dizendo em um quase grito:

— Ei, calma aí!

Escutando aquilo, o homem-brigadeiro parou exatamente onde estava, se irritando ainda mais com o garoto e o respondendo:

— Qual o problema agora, seu fedelho?!

Percebendo que seu apelo surtiu algum efeito, o manipulador de raios logo recuperou sua postura, dizendo:

— Sabe, esse acordo de lutarmos aqui, é totalmente vantajoso para você! Mesmo que eu te derrote, que garantia eu tenho de que vou voltar para o meu grupo? Para quem fala muito sobre honra, você é bem sujo!

Aquelas palavras feriram profundamente o ego do mercenário, que fechou ainda mais o seu rosto, pensando por algum tempo no que deveria dizer. Após sua reflexão, ele pontua:

— Caso você consiga me derrotar, eu te dou minha palavra de que a Robin irá te soltar! Eu sei que ela pode me ouvir, e sei que ela cumprirá qualquer pedido meu!

A dona da dimensão de bolso escutou aquele comentário de seu chefe, expressando de forma imediata a sua surpresa e então comentando dentro de sua mente:

“Chefinho… o senhor sentiu minha presença tão fácil assim?! Isso é incrível, sua conexão com o seu poder ficou ainda melhor!”

Ouvindo a promessa feita por aquele inimigo, o Kura não conseguiu conter um claro sorriso alegre de orelha a orelha em sua face. O rapaz baixinho, após dar esse sorriso, começou a se mover de um lado para o outro com passos tranquilos, comentando de forma descontraída com o homem-doce:

— Bem, já que você me dá a sua palavra cheia de honra…

Em um instante, o irmão mais velho do Arold moveu seu corpo inteiro na direção do Brigadier, esticando ambos os braços e estendendo a palma das mãos, lançando um raio gigantesco e absurdamente poderoso contra aquele homem. Aquela corrente elétrica absurda e sem aviso prévio, logo colidiu em cheio com o corpo de mais de três metros do filho mais velho do Kyo, com o trovão sendo seguido pelo fim da frase do Kura:

— Então, vamos logo com isso!!

A explosão elétrica logo se espalhou por toda aquela realidade de bolso, com milhões de raios percorrendo toda a extensão daquele lugar, se chocando com as rochas flutuantes e rachando levemente cada uma delas. O Kura sorria, confiante de que seu ataque surpresa tinha surtido efeito, com o mesmo pensando:

“É… o otário morreu sem nem reagir! Foi bem fácil-”

Antes que pudesse terminar de pensar aquilo, o homem-raio logo sentiu o cheiro forte que tomou conta do ambiente, sendo o cheiro de brigadeiro queimado. Na sua frente, o mercenário doce se mantinha estático, apesar de seu corpo estar totalmente escuro, semelhante a um carvão. De um instante para o outro, Brigadier se moveu, rachando a cascavel escura e revelando que a mesma se tratava de uma armadura doce, endurecida pelo calor e logo quebrada pelo repentino movimento do homem-brigadeiro. A velocidade do filho do Kyo foi avassaladora, permitindo que o mesmo surgisse de frente com o irmão mais velho do Arold, acertando um poderoso chute contra o queixo do mesmo e o atirando em direção a uma das luas da representação de Júpiter.

— Fedelho covarde, atacando pelas costas!

Gritou o irmão da Mile, enquanto o protagonista dos raios colidia com a “lua”  atravessando a mesma em questão de um milissegundo, deixando uma cratera imensa em ambos os lados do corpo celeste. O Kura, por sua vez, usou de sua eletricidade para se segurar naquela representação de mais quarenta mil quilômetros de uma das luas de Júpiter, anunciando enquanto o fazia:

— Tsc, segura essa então, seu tiozão!!

O rapaz logo se puxou com tudo, se atirando por dentro daquela cratera lunar, iniciando o rápido movimento de travessia por aquele corpo celeste. Durante seu avanço, o irmão mais velho do Arold usou da energia da natureza, para injetar DNA de elefante em seu braço direito, fazendo-o crescer em vários e vários metros, tornando o punho do rapaz grande o bastante para fazer sombra. Terminando de atravessar a lua, o homem-raio rapidamente desferiu um potente soco com sua mão gigante, revestindo o mesmo com sua eletricidade para tornar o golpe mais mortal. Brigadier, por sua vez, manteve a expressão serena em sua face, apenas movendo seu braço contrário ao do garoto e pensando:

“Certo… vamos mostrar a dura realidade a ele!”

Em questão de segundos, uma quantidade avassaladora de brigadeiro foi criada, sendo rapidamente modelada em um punho enorme, que mais se parecia com um dos corpos celestes daquele lugar. O mercenário açucarado então desferiu seu soco contra a mão do Kura, colidindo ambos os punhos e o superando em força com absoluta facilidade. A mão doce logo empurrou o irmão do Arold para trás, esmagando o mesmo contra a lua recém atravessada, e seguindo o empurrando até finalmente destruir toda aquela representação rochosa. O Kura, por sua vez, vomitou sangue após aquele golpe, caindo no meio dos escombros da lua recém destruída, claramente desorientado pelo impacto sofrido.

— Viu, garoto? Posso fazer tudo que você faz, só que melhor!

Enquanto ouvia as falas do seu inimigo, o irmão do Arold logo terminou de se recompor, levantando-se com dificuldade do meio das rochas e pensando:

“É… bater nesse cara não vai ser fácil! Talvez eu demore um pouco…”