Capítulo 419 – Mais uma tentativa
Capítulo 419 – Mais uma tentativa
Brigadier se manteve encarando a esfera achocolatada em sua frente, analisando a estrutura massiva da mesma com bastante cuidado. Após alguns momentos de análise pura, o manipulador de brigadeiros logo criou uma película de brigadeiro rígida em volta da lua de brigadeiro, terminando de selar o garoto ali dentro.
— Parabéns, chefinho! Você acabou com esse garoto com bastante facilidade!!
Robin, a dona daquela dimensão, disse aquilo enquanto se aproximava do seu querido chefe, claramente empolgada com a conquista do mesmo. O mercenário, por sua vez, apenas passou o seu polegar direito no canto de sua boca, limpando seu sangue e dizendo para a sua subordinada:
— Não… ele ainda conseguiu me fazer sangrar! Se a luta tivesse sido realmente fácil, eu teria saído sem nenhum ferimento!
Após falar aquilo, o contratado pela equipe do Nellu caminhou na direção da mulher, continuando a dizer:
— E você viu tudo? Sabe que, se ele tivesse te matado, nem que fosse por acidente, essa dimensão e todos nela deixariam de existir, não é?!
Robin ouviu aquilo, abaixando sua cabeça de imediato, respondendo para o seu chefe em um tom de voz carregado de um certo pesar e culpa:
— S-sim… perdão, senhor Brigadier! Eu aceito qualquer castigo que queira…
Brigadier escutou aquilo atentamente, apenas repousando sua mão direita em um dos ombros da moça, para então a responder:
— Não se preocupe com isso, tudo terminou bem! Apenas… traga os responsáveis por preparar meu banho pós batalha! Preciso fazer esse ritual logo.
Ao sentir o toque e ouvir as palavras benevolentes do seu chefe, a mulher não conseguiu conter um sorriso de alívio e admiração em seu rosto, afirmando na sequência imediata disso:
— Claro, senhor!
Dentro da esfera de doce gigante, o manipulador de raios se encontrava completamente aprisionado em meio a aquele alimento cremoso, completamente imobilizado. Mesmo nesse estado, entretanto, o garoto não se assustou, refletindo consigo mesmo:
“Esse cara me prendeu em doce… muito doce!! Ele deve tá se garantindo, no fato de que é impossível um humano normal comer tudo isso! Pois bem…”
Enquanto iria refletindo sobre isso, o mais novo começou a usar a energia natural para alterar levemente sua estrutura biológica, acelerando seu processo de metabolismo, enquanto finalmente conclui seu pensamento:
“Para o azar desse idiota, eu não sou uma pessoa normal!”
No lado de fora daquela esfera, uma equipe enorme de pessoas se encontrava em movimento constante, enchendo uma enorme banheira com água, sais e especiarias únicas e absolutamente caras, montando um banho digno de alguém da realeza. Após o preparo daquele ambiente aconchegante, uma garota se aproximou do mercenário, dizendo:
— O banho está pronto, pai- digo, chefinho!
O homem-brigadeiro, ao escutar aquilo, acabou por acenar em concordância com sua cabeça, fazendo um rápido carinho na cabeça da garota e começando a andar na direção do seu banho.
— Bom trabalho, pessoal! Podem ir agora, vou começar o meu ritual! Quero que apenas três de vocês fiquem aqui, para observar a esfera doce!
Enquanto dava aquelas ordens, Brigadier logo usou de sua ascensão para transformar e modelar o chão abaixo de si, criando uma casa improvisada em torno da banheira, entrando na construção e então fechando sua porta de uma só vez. Seus subordinados rapidamente obedeceram a ordem, com só três deles ficando para trás, virados na direção da imensa esfera de brigadeiro. Um deles, curioso com aquilo, disse:
— Será que… o receptáculo pode fugir?
Ao escutar aquilo, o mais velho dos guardas acabou por dar algumas boas gargalhadas, antes de finalmente responder aquele que fez o questionamento:
— Você é um cara muito engraçado! Isso é impossível, pois o brigadeiro é um péssimo condutor elétrico, a única forma seria abrir caminho comendo! E bem…
O homem apontou para a esfera enorme de chocolate na frente deles, concluindo por fim:
— É impossível alguém comer tudo isso de doce, sem sofrer de hipoglicemia, ou morrer de estômago dilatado!
Dentro da esfera de doces, porém, o manipulador de raios finalmente conseguiu dar de cara com a parede de brigadeiro enrijecida, batendo sua cara com certa força contra a parede. O corpo do rapaz emanava um forte vapor, resultado de seu metabolismo absurdamente acelerado pelo uso da energia natural. O Kura, ao ver aquela parede dura em sua frente, logo deu um sorriso, dizendo:
— Certo… comi a minha saída!
Após essa afirmação, o baixinho fechou seu punho com toda a força, desferindo um soco absolutamente poderoso contra a parede de doce em sua frente. O impacto do ataque, acabou por explodir o material açucarado, finalmente dando espaço para que o manipulador de raios pulasse para fora da esfera de brigadeiro.
—ELE SE LIBERTOU!!
Gritou um dos guardas, apontando para o buraco recém aberto na esfera. Daquela abertura, o Kura despencou por milhares de quilômetros, até cair no chão em sua forma normal, com uma clara dificuldade para respirar. Em questão de instantes, o irmão do Arold se levantou do chão, enquanto dizia para si mesmo em voz baixa:
— Droga… eu gastei muita energia natural para acelerar as funções do meu corpo, e aquela espessura de doce me atrapalhou em drenar a pouca energia que tem nessa dimensão! Vou precisar de algum tempo, até poder me transformar de novo!
Após resmungar aquilo, o garoto logo começou a deslizar seus olhos por aquele ambiente, tentando entender como estava a situação naquele lugar. Em questão de segundos, ele conseguiu ver os guardas vindo em sua direção, mas acabou por os ignorar, uma vez que algo mais interessante acabou por prender a sua atenção.
“Aquilo ali é… uma casa de banhos?! Aquele miserável…”
O Kura pensou isso, enquanto acabava cercado por aquele trio de guardas. Um dos subordinados do Brigadier, se aproximou do garoto enquanto apontava sua lança, gritando com o mesmo:
— Fique parado aí, ou eu irei arrancar o seu braço fora! Está me entendendo-
Antes do homem concluir sua ameaça, o irmão mais velho do Arold agarrou o cabo de sua lança, desferindo na sequência uma descarga elétrica na casa dos bilhões de volts. A corrente elétrica percorreu em segundos todo o corpo daquele inimigo, o fritando de dentro para fora, até o ponto de um cheiro forte de queimado escapar de seu ser, deixando clara a morte do mesmo.
— ACHA MESMO QUE PODE TOMAR UM BANHO, ENQUANTO EU AINDA ESTOU VIVO?!
Sem dar tempo de reação para os outros guardas, o adolescente criador de raios desapareceu de perto deles, encurtando a distância até aquela casa de banhos improvisada, e pulando o mais alto que podia assim que chegou mais perto. No ar, o rapaz eletrificou e magnetizou o ar a sua volta, usando disso para o controlar e comprimir em questão de segundos.
— E-EI… O’QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?!
Um dos guardas gritou aquilo, tentando impedir o garoto de tomar qualquer atitude imprudente, com um claro medo de quais seriam as consequências daquela atitude. O Kura escutou aquele aviso, mas, mesmo assim, acabou por lançar a esfera de ar comprimido contra a construção de doce em sua frente. O golpe encurtou a distância em segundos, e ao entrar em contato direto com o material doce, o ar logo se expandiu novamente, gerando uma força de impacto colossal e destruindo por completo aquela construção doce.
— Veja, papai! A bolha de sabão agora saiu maior do que antes! O senhor está orgulhoso, não está?!
Isso foi escutado após o som da explosão, enquanto a nuvem de pó doce iria desaparecendo de pouco em pouco. A visão capturada pelos olhos de todos ali, era algo completamente anormal: Brigadier, um homem adulto, cercado por brinquedos de banho, enquanto uma figura doce do seu pai se encontrava sentada no outro lado da banheira, assistindo a tudo. O ser de chocolate, sorria de forma fraternal, abrindo a boca para que seu criador fale com ventriloquismo:
— “Sim, meu filho! Estou tão orgulhoso de você, peço perdão por fazer essa cicatriz em suas costas!”
Nas costas do mercenário, uma enorme marca de queimadura era evidenciada, uma marca com o exato mesmo formato da mão do falecido Kyo. O homem-brigadeiro, sorrindo ao supostamente ouvir aquilo vindo da figura do seu pai, respondeu:
— Tudo bem, pai! Sei que o senhor não gosta de sentimentos como empatia, e acabou se irritando quando eu os demonstrei! Mas, eu te perdoo-
Antes de terminar sua frase, o mercenário finalmente percebeu que sua casa de banhos tinha sido colocada abaixo, com todos ali perto conseguindo assistir aquela cena. De maneira imediata, o ar ao redor de todos ali ficou completamente pesado, com a aura do corpo do mercenário explodindo por vários metros. Os guardas que o protegiam, de imediato foram derrubados no chão, sofrendo um envelhecimento acelerado de forma imediata. Sequencialmente a isso, Brigadier sumiu da banheira, surgindo já completamente vestido próximo de seus subordinados, criando um tridente de brigadeiro e então o usando para atravessar o corpo deles, os matando enquanto gritava:
— AQUELES QUE VIRAM O INTERIOR DE MINHA CASA DE BANHOS, DEVEM MORRER!!
Ao longe, enquanto aqueles homens eram brutalmente executados, o Kura se focou totalmente em absorver a energia natural do ambiente, enquanto pensava consigo mesmo:
“Se eu ganhasse uma moeda por cada cara que vi tomando banho, eu teria duas moedas! Isso não é muito, mas é de se surpreender que tenha ocorrido duas vezes!”
Logo após isso pairar na mente do adolescente, o mercenário gigante surgiu na frente do mesmo, desferindo um golpe horizontal com as lâminas do seu tridente, o mirando da esquerda para a direita. Percebendo o golpe vindo, o Kura rapidamente abaixou o seu corpo, se desviando do ataque com certa tranquilidade, deixando o corte passar no ar acima de si. Entretanto, antes do jovem ter qualquer oportunidade de respirar, o inimigo mais velho rapidamente acertou um chute baixo contra o tronco do garoto, o lançando por centenas de metros com esse único ataque, enquanto sangue voava através de sua boca. Respirando após acertar o chute, o homem-brigadeiro afirma:
— Eu posso não te matar, pois sei que seu espírito bestial iria me apagar da existência após isso! Mas…
O homem ergueu o seu braço direito, entrando na mesma posição que um atleta olímpico de arremesso a distância, mirando seu tridente contra o corpo do garoto e terminando de dizer:
— Farei questão de cortar seus braços e pernas fora, pelo menos!
O tridente logo foi arremessado com toda a força na direção do garoto, tendo como principal alvo algum dos braços do rapaz. O manipulador de raios, ao perceber isso em meio aos rodopios que estava dando no ar, acabou por rapidamente acumular uma poderosa descarga elétrica em suas mãos, lançando o raio de eletricidade contra o chão, conseguindo gerar uma pequena explosão e usando da força cinética da mesma para se lançar levemente para a direita, conseguindo escapar do ataque e cair de pé, deixando o tridente voar em direção a uma réplica de Saturno de tamanho real, atravessando o planeta inteiro em segundos. Kura, após se recompor do chute que tinha levado, gritou:
— AH, É ASSIM?!
Na sequência desse grito, o garoto gerou mais um raio na palma de sua mão, colidindo-a com o solo e eletrificando o mesmo em um único instante. Graças ao calor gerado pela corrente de eletricidade, as rochas acabaram por entrar em processo de fusão, se convertendo em magma magnetizado em questão de segundos. Assim, o Kura conseguiu usar do eletromagnetismo para manipular o material, lançando aquele líquido fervente na direção do seu inimigo com toda a velocidade. Brigadier, observando o golpe se aproximando, rapidamente ativou sua ascensão, transformando o Magma em brigadeiro de forma instantânea, no exato momento em que o mesmo tocou o seu corpo.
— Garoto idiota!!
O mais velho logo modelos o doce em espécies de “rosquinhas” no ar, fechando seus punhos e começando a efetuar socos no ar. Do meio da abertura daqueles círculos doces, punhos de brigadeiro enrijecido surgiram, voando e acertando o Kura com grande velocidade e potência. O manipulador de raios, vendo os ataques chegando, apenas teve tempo de fechar sua guarda, levando cada soco pesado e sendo lançado contra a réplica de Vênus, continuando a levar uma metralhadora de ataques.
“Merda… mas, eu preciso resistir, ou não vou acumular energia o suficiente!!”
Enquanto recebia aquela série de golpes contra o seu corpo, o rapaz se manteve estático, acumulando o máximo de energia natural que podia. Os socos doces, por sua vez, continuaram a acertar o corpo do garoto com absoluta força, empurrando o militar burajiano cada vez mais fundo naquele planeta, enquanto destruía a réplica celeste com absoluta facilidade. Num tempo de apenas quatro segundos e meio, os socos do mercenário doce conseguiram reduzir o pequeno planeta a frangalhos, gerando uma enorme pilha de escombros no chão daquela dimensão. Finalmente, após destruir o planeta, o filho do Kyo logo disparou um último golpe, acertando em cheio o jovem-adulto e o jogando na réplica do sol daquela realidade.
“Esse pirralho… apesar de ser bastante provocador, tem algo me incomodando!”
Brigadier pensou aquilo, assistindo o corpo do rapaz colidir com a estrela rochosa, liberando uma fumaça graças a queima de algumas peças de roupas. Enquanto assistia a cena, o homem continuou sua divagação:
“Ele viu a minha cicatriz… e mesmo assim, não falou nada sobre ela… por qual razão?!”
Da superfície daquele sol, o Kura finalmente conseguiu acumular a energia que tanto queria, moldando seu corpo e entrando no modo Kondzila em questão de segundos. Com isso finalmente feito, o manipulador de raios se jogou de cima daquele sol, caindo de frente com o mercenário doce e afirmando, enquanto uma forte quantia de fumaça saía do seu corpo:
— Cara, que sol meia-boca! Ele é feito de pedra, então ele se limita a ter apenas o calor da superfície!
À medida em que dizia isso, a fumaça começou a se dissipar, revelando o mesmo parcialmente sem roupas, apenas com partes de suas calças para cobrir seu corpo. Brigadier, absorvendo as palavras do garoto, acabou por o responder:
— Você é jogado num sol, e sua preocupação é essa? Você é estranho, garoto!
O tom de voz irônico do mercenário, ecoou até os ouvidos do Kura, que riu daquilo e respondeu:
— É, talvez eu seja um pouco estranho mesmo!
Com a resposta direta, o mercenário doce ergueu a sua guarda, respondendo de forma direta:
— Bem, pois tenho algo para te perguntar, garoto!