Capítulo 421 – movimentação simultânea
Capítulo 421 – movimentação simultânea
O grupo do Kura, após dias de viagem de volta até a nação de Buraji, finalmente conseguiram chegar até sua terra natal, pondo os pés no solo após dias de viagem em um navio cargueiro. Ao saírem da embarcação, o manipulador de raios comentou:
— Finalmente, estou em casa! Não aguentava mais o balançar do barco!!
Gabriel Sariel, chegando por trás no jovem, logo colocou a mão esquerda no ombro dele, dando um aperto com um pouco de força, comentando na sequência:
— Se controle, garoto! Você precisa ir conosco, dar o relatório para a Krafitg.
Na região das nações ilhadas, Maria e Chikito estavam chegando até o local do ritual de extração, com o ser de corpo feminino dizendo enquanto chegavam no local:
— Que droga, eu quero relaxar! Não ter que participar disso diretamente!
Chikito, ouvindo aquela reclamação infantil, acabou por não expressar muitos sentimentos, apenas pontuando:
— Você deve! Dois dos nossos morreram, e o Blacks e Deep não chegaram ainda, então temos que ao menos dar nosso parecer.
Maria, escutando aquilo, acabou dando outro suspiro cansado com aquilo, ela dizendo em um tom de voz irritante:
— Saco, hein… espero que eles estejam se divertindo, pelo menos!
Na cadeia de montanhas onde o combate entre o Xìê e o Blacks estava ocorrendo, era possível ver o receptáculo do Tigre caído no chão, com sangue vazando de sua boca, enquanto o próprio coração batia de forma frenética contra suas costelas. O homem oriental estava ali, com o corpo completamente queimado e boa parte de sua face desfigurada, de volta em sua forma humana. Em cima do peito dele, estava o Blacks, com o braço esquerdo e um dos olhos completamente dilacerados, enquanto parte de seus intestinos ficavam pendurados através de um buraco no seu abdômen.
— O-obri… obri… obrigado…!
Xìê balbuciou essas palavras, antes de se render aos ferimentos, perdendo completamente sua consciência. Blacks, percebendo que seu oponente finalmente cedeu aos impactos da batalha, acabou por se render também, caindo no solo ao lado do mesmo, completamente apagado. Deep sorriu ao ver aquilo, se aproximando dos dois com sua grande velocidade, abrindo um dos seus buracos de queda e dizendo:
— Perfeito! Depois de dez dias e dez noites, não me surpreende que você ficou cansado… eu até pensei em participar!
O buraco espacial logo engoliu aqueles três, os levando diretamente para as nações ilhadas. Em paralelo, na nação de Buraji, o pessoal do Kura chegou até a sala da Krafitg, guiados pelo agente Gabriel. Ao chegarem lá dentro, Jod abriu a porta para eles, com o homem de iodo dizendo com um tom lotado de ironia:
— Nossa… vocês vieram, sem nem tomar um banho antes?! Seus sem educação!
Krafitg escutou a fala do seu subordinado, dando um olhar ameaçador para o mesmo, enquanto diz:
— Jod, pare já com isso! Esse assunto é muito importante, para ficarmos com piadas idiotas!
O subordinado da mulher ficou em silêncio após ouvir aquela bronca, abaixando sua cabeça em sinal de respeito, concordando de maneira silenciosa. Com aquilo resolvido, a mulher de cabelos loiros virou seus olhos na direção da Li Chun, dizendo para a mesma:
— Vejo que você retornou, Li Chun! Como foi sua estadia no seu país de origem?
A mulher de origem oriental, acabou por desviar sutilmente o seu olhar, antes de o fixar novamente na direção da mulher e responder, com um sorriso desconfortável em seu rosto:
— Bem, não foi das melhores…
A líder da nação de Buraji deu um sorriso irônico com aquilo, se jogando confortavelmente em sua cadeira após aquilo, com a mulher dizendo após se acomodar:
— Bem, quero agradecer os serviços de vocês! E eu sei que, isso que direi agora pode soar injusto, mas… já tenho outra missão para vocês!
O Arold, ao ouvir aquilo, acabou por ficar levemente incomodado, com ele retrucando para a mulher:
— Outra?! Mas, nós acabamos de voltar de uma missão!
A líder Krafitg, depois de escutar aquela resposta afobada do jovem, acabou por apenas fazer uma face de descontentamento e então responder para aquele garoto:
— É, e é exatamente por isso que lhes darei uma semana de folga! Caramba, mas se você ficasse calado, teria escutado isso antes!
A moça de olhos cor de âmbar, se abaixou, abrindo uma das gavetas de sua mesa com certo cuidado, retirando um papel ali de dentro. Na folha, além de algumas anotações, era possível para todos verem um mapa do país de Teotlana, com um ponto vermelho colocado no meio de uma densa floresta. Todos do grupo olharam para aquilo, com o Jaguar questionando:
— Uma floresta? Qual o problema nela?
Jod, erguendo sua cabeça novamente, logo começou a se aproximar deles, falando:
— Neste local, vivem duas pessoas bem importantes, dois membros dos nove mais fortes do mundo!
O guarda costas logo encostou seus dedos nos dois nomes presentes naquele papel, os recitando em um tom explicativo, mas com uma carga de empolgação na sua voz:
— Aurel Veyron, “a balança inquebrável”. E, também… Valen Drakos, “o sem armadura”.
Aqueles nomes carregam um peso imenso para todos os presentes naquela sala, que se calaram enquanto refletiam sobre aquilo. Krafitg, se aproveitando daquele silêncio pesado na sala, logo afirmou de forma a quebrar ele:
— A missão de vocês, será a de convencer eles a entrarem nessa guerra, do nosso lado!
Em uma sala das nações ilhadas, o grupo do Nellu se encontrava completamente reunido, olhando para o chefe em pé próximo de uma janela. Dunkel, encarando o seu líder, logo o questionou:
— Agir com força total? O que você quer dizer com isso, Nellu?!
O homem de longos cabelos rosados, após ouvir a fala do seu subordinado, acabou por soltar um suspiro pesado, ainda mantendo sua visão no horizonte através da janela, com um olhar firme nas nuvens no mar, tomados de pura determinação.
— Isso mesmo que você ouviu, Dunkel! Sabe, essas últimas capturas de receptáculos, me fizeram notar algo importante…
Enquanto dizia aquilo, Nellu começou a se virar cuidadosamente na direção dos seus aliados, os encarando com aqueles olhos escuros meio rosados. O olhar do líder daquele grupo criminoso, era uma mistura de frieza, com algo mais difícil de decifrar.
— Conseguimos três receptáculos, mas dois dos nossos morreram, enquanto um está entre a vida e a morte, se recuperando… sei que sacrifícios são necessários, mas isso mostrou que essa guerra pode ser muito custosa, se eu continuar simplesmente parado aqui, ou guardando minhas melhores peças.
Nellu afirmou aquilo, movendo ambos os braços para trás de seu corpo, estufando o seu peito e ajeitando sutilmente sua postura, olhando de cima aquelas pessoas na sua sala. Enquanto os encara, ele pigarra a garganta, dizendo na sequência:
— Eu irei atrás da receptáculo do cavalo, pessoalmente! Toshiro, você irá sozinho até o receptáculo do porco, enquanto o Dunkel irá com mais alguém até Teotlana, atrás do receptáculo do papagaio! Já o Boo e o Vic, irão atrás do receptáculo do rato!
Chikito, que até aquele momento estava em silêncio, acabou por ganhar um brilho sinistro em seus olhos, assim que a menção a Teotlana tocou seus ouvidos, dizendo de forma quase que imediata após aquilo:
— Eu irei com ele!
A voz metálica daquele ciborgue ecoou pela sala, fazendo o homem de cabelos rosas erguer uma de suas sobrancelhas, olhando seu subordinado e dizendo:
— Você tem certeza disso, Raoh? Você acabou de voltar de uma missão.
O homem-inventor, após ser questionado sobre sua decisão, logo deu um passo a frente, se justificando em sequência:
— Sim, tenho! Possuo assuntos pessoais, que quero resolver por lá.
Nellu, escutando aquilo, apenas fechou os olhos por alguns instantes, virando de costas para seus subordinados, encarando o horizonte novamente e falando:
— Certo, mas não se distraia da missão principal, enquanto resolve suas questões… e também, ative o projeto “revival”, pois a partir de agora…
Em Buraji, todos do grupo do Kura e do Arold ficaram surpresos com a missão dada pela Krafitg, com o próprio Kura a questionando:
— Trazer eles para o nosso lado? E qual o objetivo com isso, agora?
Krafitg escutou aquilo, inclinando seu corpo para frente com certo cuidado, repousando os cotovelos sobre a mesa de carvalho, ao mesmo tempo em que juntou as mãos, repousando o queixo em cima das mesmas, dizendo:
— Estou preparando uma invasão militar as nações ilhadas, e toda a ajuda será de bom grado! A partir deste exato momento…
A pausa ocorrida na sala em Buraji, foi a mesma que ocorreu na sala das nações ilhadas. O silêncio em ambos os locais era tenso, e em ambos os casos, o final de ambas as frases ecoou de forma idêntica, com o mesmo impacto do som de uma bomba explodindo nos céus:
— A guerra será direta!