Capítulo 422 – Um tempo de folga
Capítulo 422 – Um tempo de folga
Após alguns dias da conversa na sala da líder daquela nação, o Kura se encontrava em casa, arrumando suas malas. Arold, por sua vez, estava fora de casa para resolver algumas coisas ligadas a contas e despesas, tirando o atraso dos dias em que estiveram fora para as lutas. Iara, mãe dos garotos, se aproximou silenciosamente do quarto do Kura, batendo na porta com suavidade, a abrindo e entrando com cuidado.
— Estou atrapalhando?
Questionou a mulher, se encostando na porta enquanto cruza seus braços sutilmente. O homem-raio, ao escutar a voz da sua mãe, se virou cuidadosamente na direção dela, a respondendo:
— Hã? Claro que não, mãe! Só estou arrumando as malas!
Iara encarou o seu filho por algum tempo, emitindo apenas um silêncio denso, claramente carregados de preocupação. Após algum tempo, ela abriu os seus lábios, começando a dizer:
— Mais uma missão longe, não é? Vocês quase não ficam em casa, mais…
Kura escutou aquilo, largando a mala de lado por algum tempo e se inclinando na cama, ficando encostado na mesma, antes de responder:
— Mas, é só daqui dois dias, mãe! A gente pode sair para comer amanhã, ou algo assim.
A mãe dos garotos, depois de ouvir aquilo, acabou por suspirar de maneira pesada, deixando evidente o medo que sentia.
— Não é essa a questão, Kura! Eu… eu apenas estou com medo disso… vocês sempre voltam machucados, cansados e sujos dessas missões…
Enquanto dizia isso, a mulher começou a mexer no colar que carregava, um claro presente do seu falecido pai. Os olhos daquela mãe de família, vagavam através do corredor da casa, enquanto a mesma continuava a falar:
— Sabe, eu cresci com isso sendo comum na minha vida. Seu avô sempre saia para missões, mas ele sempre voltava inteiro… eu queria ser do exército também, cheguei a treinar para isso, mas desisti depois de um certo incidente…
A menção a um incidente, fez uma das sobrancelhas do irmão mais velho do Arold se erguer em curiosidade, ele logo questionando:
— Incidente?
A mãe do rapaz, ao ser questionada sobre isso, logo fechou os olhos por alguns instantes, o respondendo:
— Nada… isso não é importante, não agora!
Iara claramente tentou fugir do assunto, movimentando os olhos na direção do seu filho, o encarando com bastante seriedade e preocupação.
— Por anos, eu achei que tudo sempre acabaria bem, apesar de tudo. Porém, teve o acontecimento com seu pai, e anos depois a morte do seu irmão e do seu avô, no meio daquela guerra!
A medida em que falava, ela foi se aproximando do seu filho, continuando a dizer:
— Eu estou com medo, Kura! Medo de que você e o Arold não voltem mais, medo de que vocês morram! Vocês estão em algo muito perigoso, isso não é mais sobre prender bandidos, é algo sério!
Kura absorveu aquelas palavras atentamente, ficando de pé e em postura ereta após isso, dando um abraço sincero na sua mãe. O garoto, enquanto mantinha o contato, afirmou com um tom de voz suave:
— Nós temos que fazer isso, mãe! A essa altura, só nós podemos impedir que tudo entre em ruínas. Eu não sei ao certo, qual é o objetivo do Nellu, mas…
Enquanto diz isso, ele se afasta levemente da sua mãe, a olhando no fundo dos olhos com uma expressão determinada e segura, para então concluir a frase:
— Eu posso te prometer, não iremos morrer nem tão cedo! Nenhum de nós!
Iara, ao ouvir aquelas palavras lotadas de uma segurança e incrível confiança, acaba por ficar com os olhos levemente marejados, dizendo enquanto concorda com a cabeça:
— Posso dizer com certeza, que você cresceu bem… apesar de ainda ser meio baixinho!
O Kura riu daquilo, soltando o abraço e terminando de fechar sua mala, respondendo:
— Caramba, eu tentei ajudar, e ainda fui humilhado!
O jovem então pegou o seu telefone, colocando ele no bolso e seguindo para fora de casa, dizendo:
— Volto mais tarde, mãe! Prometi me encontrar com o pessoal em um restaurante, pra gente comer antes de ir embora!
A mulher apenas acenou com a cabeça, seguindo assim o seu dia. Minutos mais tarde, o manipulador de raios estava andando pela rua, até que ouviu uma voz o chamando:
— E aí, Kura!
Ao ouvir aquilo, o jovem de estatura mediana se virou na direção daquela voz, observando a fonte da mesma e reconhecendo de imediato de quem se tratava.
— Oh, Itadaki!
Kura disse isso, observando seu amigo com bastante atenção. O Itadaki estava com uma roupa casual, acompanhado de seus três filhos, que se encontravam com mais ou menos cinco anos de idade. Chegando perto do irmão do Arold, enquanto era acompanhado por seus filhos, o homem afirmou:
— Quanto tempo, garoto! Soube que teve que embarcar em duas missões seguidas, você tá bem?
O irmão do Arold deu algumas risadas com aquilo, coçando a parte de trás de sua cabeça, enquanto responde em um tom amigável para aquele antigo amigo:
— É, foi! Eu estou bem, apesar de tudo, eu consegui sair inteiro!
Após aquela rápida descontração, o garoto de cabelos negros logo retornou a ter uma expressão um pouco mais seria em sua face, dizendo em sequência:
— Mas… e você, Itadaki? Como você se sente?
Itadaki, ao ser questionado sobre aquilo, acabou por levar seu único braço restante até a nuca, coçando a região e começando a dizer:
— Ah, eu entendi bem a sua pergunta… bem, as células do Dtúschar deixaram de alterar as minhas, e a consciência dele sumiu por completo da minha mente.
O pai daquelas três crianças, logo deu um sorriso largo em seu rosto, expondo seus dentes brancos de forma bastante amigável para o jovem na sua frente.
— Você conseguiu, Kura! Você matou aquele maldito de uma vez por todas!
Kura, após absorver aquelas palavras do seu amigo, não conseguiu segurar a expressão de surpresa que surgia em sua face, respondendo:
— Espera, sério mesmo?!
Sequencialmente a isso, uma expressão do mais puro alívio surgiu no seu rosto, com ele dando um suspiro aliviado e se inclinando para frente, dizendo:
— Que maravilha! Eu estava com medo de ele ter escapado, sério!
Ambos deram algumas risadas após aquilo, contentes com toda aquela situação. Itadaki, na sequência, comentou:
— É, é um alívio! A única parte ruim, é que perdi boa parte daquela super regeneração que ele me dava! Ainda me curo bem, mas muito pior que antes!
Kura, escutando isso, logo recuperou sua postura, dizendo para o amigo de maneira quase imediata:
— Bem, antes isso, do que continuar com um maluco centenar no seu corpo!
O jovem então pegou o celular do seu bolso, olhando a hora nele e dizendo:
— Oh, estou quase atrasado para encontrar o pessoal!
Após dizer isso, ele guardou o telefone de volta no bolso, notando que as crianças o estavam encarando. Sorrindo, o manipulador de raios disse, enquanto se virava para sair:
— Garotos depois dessa missão, podem ter certeza que vou querer conhecer vocês! Até lá, perguntem de mim ao pai de vocês, ele vai ter muita coisa pra contar!
O irmão do Arold seguiu o seu caminho após aquilo, se despedindo daquela família.