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Capítulo 424 – Teotlana

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Capítulo 424 – Teotlana

Alguns dias já tinham se passado desde o início da viagem, com o grupo seguindo seu caminho com bastante tranquilidade, sem ter tido nenhum conflito. Os strong souls, se encontravam fazendo o resto do trajeto em carros de tração elevada, atravessando o terreno lamacento com uma velocidade bastante considerável.

— Nossa, a chuva de ontem tornou tudo isso aqui uma estrada de lama! Ainda bem, que os carros são feitos para isso!

Disse o Liger, olhando com bastante atenção através da janela, enquanto pedaços de lama voavam por todos os lados. Jaguar, encarando a floresta, logo disse após a fala do amigo:

— Isso me lembra até de casa! Nossa… que saudades da vovó, será que ela está bem?

Li Chun, ao escutar aquilo, deu um sorriso bastante contente e carinhoso, dizendo para o pequeno animalzinho:

— Se quiser, podemos visitar ela depois dessa missão, Jaguar!

O lobo-guará, ao escutar aquilo, acabou por balançar seu rabo com bastante empolgação, respondendo para a mulher de imediato:

— Eu iria amar, Li Chun!!

Mais alguns minutos de viagem se passaram depois daquela conversa, e com esse tempo finalmente tendo se seguido, um dos pilotos de um dos carros gritou:

— ¡YA LLEGAMOS, PREPÁRENSE!

Graças a voz estridente daquele piloto, o Kura acabou acordando do seu sono, se levantando com certo cuidado do banco onde dormia, massageando sua têmpora direita e dizendo em voz baixa:

— Merda… dormir em carros é muito ruim!

Arold, que estava assistindo a um filme no telefone, escutou a reclamação do irmão através dos fones, comentando em sequência:

— Bem, ao menos, você dormiu algo!

O baixinho manipulador de raios, logo se sentou na sua cadeira, com o tronco inclinado para frente, mantendo a cabeça baixa por algum tempo, comentando:

— É… você tem razão! Bem, como vai ser agora?

Katto, que estava acordando do seu sono com bastante cuidado, logo olhou os portões de madeira que surgiam ali na frente, dizendo:

— Bem, precisamos conversar com eles! É uma missão simples, é só conversar e recrutar eles numa boa! Em no máximo um dia, vamos estar indo atrás do Stold!

Após aquilo ser dito, os carros pararam na frente daquele portão de madeira, com um espaço considerável para alguém se colocar ali. Com isso feito, o Kura, Arold e Katto desceram do carro, andando na direção daquele portão de madeira. De frente com aquela passagem, o espadachim disse:

— Ei, alguém em casa?!

Um silêncio durou por alguns minutos, os três apenas olhando ao redor naquele caminho de lama. Enquanto aquele silêncio estava pairando no ar, uma tensão pesadíssima poderia ser sentida por todos ali. Naqueles momentos de desconfiança, o espadachim Samuel encarou algumas árvores próximas dali, com o mesmo pensando:

“Tem algo ali…!”

Enquanto aquilo passou pela cabeça do homem de quatro braços, ele logo segurou o cabo de uma de suas espadas, apenas encarando as folhas daquelas árvores. O irmão mais velho do Arold, por sua vez, logo olhou na mesma direção, pensando consigo mesmo:

“Tem um som ali… um som de coração!”

No meio das folhas, algo finalmente se revelou, com o som de três explosões voando pelo ar de forma sequencial, com três projéteis sendo disparados dali com uma velocidade incrível. Samuel, em um movimento rápido, mandou um corte de ar contra a bala que voava na direção do mais forte espadachim do mundo. Kura, por sua vez, lançou um raio na direção da árvore onde o atirador estava, acertando a mesma e a derrubando com facilidade. Arold, por fim, criou dois pequenos explosivos, os lançando nos outros dois projéteis e os destruindo. Do topo daquela árvore, um senhor de idade, com um corpo forte e algo por volta de um e oitenta de altura acabou caindo no chão, se levantando rapidamente e apontando sua arma de cano longo na direção daqueles militares.

— Saiam daqui, seus porcos!

O receptáculo de Buraji, ao ver aquela arma apontada em sua direção, apenas deu algumas risadas, respondendo a provocação do velho na sequência:

— Sério, uma arma, tio? Vou deixar o tiro acertar minha cara, apenas pra você ver que balas são inúteis comigo!

Enquanto o rapaz dizia aquilo, a pesquisadora do grupo, Li Chun, se aproximava de um dos pedaços da bala partida pelo Samuel, segurando o projétil e o analisando cuidadosamente, dizendo em sequência:

— Eu não faria isso, Kura! Essas balas são feitas de Birta, iriam estourar seu crânio igual a um balão!

Todos os presentes ali trocaram olhares entre si, impressionados com o material daqueles projéteis. O Kura, se virando de forma levemente brusca na direção do velho, afirmou:

— Birta, sério? Você sabe quem eu sou, seu velho gagá? Ia matar todos nós aqui se tivesse feito isso!

O homem de idade avançada, se levantando do solo sem tanta dificuldade, logo voltou a mirar na direção daquele rapaz de tamanho mediano, o respondendo:

— Não me importo, guri! Você poderia ser o papa, pise em minhas terras, e eu te encho de bala!

Os ânimos estavam ficando cada vez maiores, com aquele jovem-adulto chegando a encurtar a distância com bastante irritabilidade em seus passos. Antes de qualquer coisa acontecer, um outro homem surgiu pelo portão daquele grande terreno, com o mesmo dizendo:

— Ei, se acalme! Não queremos uma luta aqui, não é, Veyron?!

A menção daquele nome, fez todos os presentes ali pararem por alguns instantes, com o manipulador de raios dizendo com um tom lotado de surpresa:

— Espera, esse velho é o Veyron?!

Sami, ao receber aquela informação, logo se virou para o outro idoso que tinha acabado de aparecer, dizendo para o mesmo com bastante surpresa em sua voz:

— Espera… então, você é o Valen Drakos, o sem armadura?!

A questão da garota era bastante justa, uma vez que o homem em sua frente não aparentava ser extremamente ameaçador. Valen, se tratava de um idoso com mais ou menos um metro e sessenta e sete de altura, com pouco cabelo no topo de sua cabeça e uma quantidade longa nas laterais de sua cabeça, o corpo dele não aparentava ser tão forte, com o mesmo sendo dotado até mesmo de uma barriga bastante evidente.

— É, sou eu mesmo, garotinha! Não pareço com alguém de tanto renome, não é?

O idoso calvo disse aquilo com um sorriso gentil em seu rosto, chegando perto do seu amigo, encostando o dedo indicador com bastante leveza no cano da arma dele, abaixando a mesma com bastante cuidado, com um pequeno tom cômico no fundo de sua ação. Sami, ficando levemente vermelha de vergonha, começou a dizer com bastante dificuldade:

— N-não… é… não foi isso que… é…

Drakos, dando algumas risadas com aquilo, apenas respondeu para aquela garota:

— Ora, não seja modesta! Eu devo admitir que estou fora de forma, faz anos que não entro em combate!

Enquanto diz aquilo, o senhorzinho gentilmente abriu passagem para todos aqueles convidados, dizendo em um tom de voz amigável:

— Vamos, entrem! Estou preparando um delicioso chá para todos!

Veyron, ao observar aquilo, acabou por deixar uma expressão de surpresa se estampar em sua face, com o mesmo afirmando para o seu amigo:

— Ei, você tem certeza disso?! Eles são do exército!

Drakos, caminhando para dentro do terreno novamente, apenas disse para o seu querido amigo:

— Ora, não seja rabugento! A maioria deles mal saíram da adolescência, vamos apenas agir normalmente!

Todos caminharam calmamente por dentro daquele vasto terreno, com os visitantes se impressionando com a magnitude do lugar. Ao longe, eles podiam ver grandes pratos de vacas, com uma infinidade delas se alimentando do pastor abaixo dos pés, comendo com absoluta paz.

— Uau! Quantas vacas! São todas suas, senhor Drakos?!

O Jaguar disse aquilo, claramente empolgado com aquilo, assemelhando-se em muito a uma criança. O velho pançudo deu algumas risadas com aquilo, repousando a mão direita em sua barriga e dizendo:

— Pequeno, pode-se dizer que apenas metade de tudo aqui pertence a mim! A outra metade, pertence ao meu amigo rabugento!

Li Chun, que até então estava apenas calado enquanto prestava atenção no caminho, acabou por perguntar enquanto andava:

— Uma coisa que me deu curiosidade, por qual razão dois dos nove mais fortes, decidiram terminar suas vidas em uma fazenda?

Drakos e Veyron se mantiveram calados por algum tempo, seus passos se mantendo em um ritmo normal à medida que a casa dos dois surgia no horizonte. Depois de um longo silêncio, o velho baixinho disse:

— Bem, nós fomos grandes guerreiros em nossa época, mas depois de alguns acontecimentos, nós decidimos largar as batalhas… claro, o Veyron ainda se mantém treinando, já eu… bem, basta olhar para mim!

Todos ouviram aquilo, com o Arold sendo o mais atento nas palavras do homem de longos cabelos laterais, absorvendo o tom de pesar na voz dele com bastante atenção, sentindo o peso de tais palavras. Katto, por sua vez, afirmou:

— É, isso é surpreendente! Quando eu entrei no exército, eu ouvi todas as histórias sobre vocês! Drakos, você lutou sozinho por três dias e três noites contra um milhão de homens, e saiu sem nenhum arranhão! Já o Veyron, ele-

Antes de terminar a sua fala, o espadachim notou o velho de aparência física mais forte se virar em sua direção, apontando a arma diretamente contra o centro de sua testa. O amigo de Drakos, claramente irritado, afirmou:

— Cite qualquer coisa sobre o meu passado, e eu juro que explodo essa sua cabeça com um tiro!

Todos ficaram tensos com aquilo, mas antes que qualquer acidente pudesse ocorrer, o velho de estatura baixa afirmou, enquanto abria a porta da casa:

— Chegamos! Vamos entrar logo, vou preparar um chá delicioso para todos nós!

O grupo caminhou por dentro da instalação, com a maioria deles seguindo até a cozinha para tomar o tal chá. Arold e Li Chun, por sua vez, ficaram para trás, olhando as paredes daquela casa enorme. O irmão mais novo do Kura, logo notou uma estante cheia de porta-retratos, se aproximando do local e analisando as imagens. Em cada uma das fotos, a imagem era sempre algo semelhante: Drakos mais novo, com uma altura que claramente passava dos um e oitenta e um físico invejável, acompanhado de um garoto pequeno. A cada foto que passava, o Arold conseguia ver o garoto crescendo.

— Uau… esse era o Drakos?

Questionou o Arold, mostrando a foto para a sua companheira pesquisadora. A mulher, que estava pegando os diários do bolso para analisar o mapa que levava ao próximo, moveu seus olhos para a foto por alguns segundos, comentando:

— Sim, é ele… ele mudou muito, né? Até mesmo perdeu altura e cabelo!

A mulher então voltou seus olhos para o mapa no diário, arregalando seus olhos por alguns momentos, pensando consigo mesma:

“Espera, então o último diário está…”

Enquanto aqueles dois estavam na sala, um som de passos calmos ecoou da cozinha até aquele cômodo, sendo seguidos por uma voz masculina tranquila, que dizia:

— O chá está pronto! Não vão vir?

Aquele era o Drakos, que percebeu rapidamente tudo que estava acontecendo. Entretanto, o homem não se irritou, com ele apenas se aproximando do Arold e dizendo, enquanto pegava o porta-retrato da mão dele:

— Vejo, que você estava vendo um pouco do meu passado!

O rapaz jovem, ficando envergonhado com aquilo, começou a dizer:

— P-perdão! Eu não queria ser intrometido, de verdade, eu só… eu só-

O idoso riu um pouco daquilo, dando alguns tapas leves no ombro do rapaz, o respondendo:

— Ei, relaxa! Não estou com raiva, na verdade, fico feliz que esteja curioso.

O velho encarou a foto após dizer aquilo, a devolvendo para o seu lugar de direito. Os olhos dele, eram carregados de uma profunda tristeza, juntamente de uma pintada de culpa.

— Você até me lembra o meu filho, agindo assim!

Arold absorveu as palavras ditas por aquele homem baixinho, sentindo o pesar que vinha com elas. O rapaz de grande altura, após entender parcialmente a situação, questionou:

— Ele… era o seu filho?

Drakos ficou em silêncio, olhando a foto por bastante tempo, enquanto milhares de pensamentos corriam por sua mente, memórias das quais ele se orgulhava de ter vivido. O idoso, deixando a foto ali, finalmente se virou completamente para aquele rapaz, dizendo:

— Sim… era meu único filho, seguiu meus passos e virou um militar, parecia que teria um futuro incrível… até que morreu em combate. Eu… eu falhei em proteger ele.

Aquelas palavras acertaram o Arold como um soco no estômago, com ele engolindo seco e desviando o olhar por alguns momentos. Li Chun, que estava calada até aquele ponto, logo afirmou, se aproximando:

— Então, foi por isso que largou de vez, tudo que envolve guerras e lutas, e decidiu ter uma fazenda?

O velho baixinho acenou positivamente com a cabeça, dizendo sem perder muito tempo:

— Sim, foi por isso mesmo! Acho… que ficou óbvio, não é?

A mulher ficou calada por alguns segundos, guardando os diários de volta em sua bolsa com bastante cuidado, fechando o item e então falando:

— Bem, o assunto parece delicado, então vou evitar de falar sobre! Mas, queria conversar outro assunto importante com o senhor, podemos?

O velho acenou que sim com a cabeça, se virando e andando na direção da cozinha enquanto falava:

— Claro, claro! Mas, vamos fazer isso bebendo chá, antes que ele esfrie!

Algumas horas se passaram após aquilo, com todos bebendo e conversando um pouco. O Kura, por sua vez, estava dando alguns goles relutantes naquele chá, visivelmente odiando a bebida, assim como a maioria dos seus outros colegas, com exceção do Arold. Mesmo assim, o manipulador de raios manteve seus olhos fixos no idoso armado de mais cedo, e com bastante curiosidade, ele cutucou o ombro de Drakos.

— Ei, velhote! Posso te perguntar algo?

O irmão mais velho do Arold cochichou aquilo, claramente querendo manter algum segredo. O velho de topo careca, logo o respondeu:

— Sim, pode fazer!

Recebendo a carta branca, aquele jovem-adulto começou a dizer:

— Eu sei que o senhor é forte e tem um poder fenomenal! Mas, aquele cara só usa uma arma e se machucou ao cair da árvore… me diz, ele encenou tudo aquilo? Ele deve ser bem forte!

Drakos levou a mão direita até o seu queixo, massageando sua barba com certo cuidado, antes de dizer:

— Bem, ele até consegue derrubar árvores e paredes de concreto muito grossas com socos únicos, mas… não, não passa disso!

Kura, se surpreendendo com aquilo, rapidamente disse:

— Então, ele é muito rápido correndo e lutando?!

Drakos, então, respondeu:

— Ah, ele consegue correr igual um leopardo, ataca rápido como uma cobra… mas, não, não é tão rápido assim, especialmente para os seus padrões!

Se irritando com aquilo, o manipulador de raios logo deu um grito:

— ENTÃO, O QUE DIABOS ELE FAZ COMO UM DOS NOVE MAIS FORTES?!

Um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente após aquilo, com todos trocando olhares entre si. Veyron, por sua vez, acabou por dar uma gargalhada seca, comentando:

— Quer saber o motivo de eu ser um dos nove mais fortes?!

O velho logo se levantou da mesa, emitindo sua aura através de todo o seu corpo, apontando para a porta com o polegar e dizendo:

— Vamos lá fora, e eu te mostro o porquê!