Capítulo 425 – Prova de força
Capítulo 425 – Prova de força
No lado de fora daquela casa, o grupo inteiro estava reunido, formando uma espécie de semicírculo, com todos focados nos dois prestes a lutar no centro daquela formação. O Kura, de forma bastante confiante, se encontrava apenas estalando os dedos ali, olhando aquele velho oponente com bastante desdém, uma confiança absoluta.
— Vou tentar pegar leve, viu? Não quero te matar sem querer!
Veyron, ao ouvir aquilo, apenas deu algumas risadas ao escutar aquele comentário arrogante vindo do rapazinho, com ele então o respondendo:
— Ah, garoto! Pode vir com tudo, relaxe, vai ser sua melhor chance de me derrotar!
Enquanto aqueles dois conversavam, aqueles que estavam em volta se mantiveram observando cuidadosamente. Arold, com bastante preocupação no seu olhar, disse:
— Isso vai dar certo, será…?
Drakos, que estava ao lado garoto, apenas deu algumas risadas suaves, antes de dizer para o rapaz:
— Relaxe, garoto Arold! Apenas assista, por favor!
No local onde a batalha estava prestes a acontecer, o Kura deu um sorriso de canto de rosto, e terminando um pequeno alongamento, ele afirma:
— Ah, se você pede com tanto jeitinho assim!
Logo após dar essa afirmação, o garoto de estatura mediana esticou seu braço direito com bastante agilidade, claramente tentando disparar o raio com toda a sua potência contra aquele velho na sua frente. Entretanto, algo estranho aconteceu, nenhuma corrente elétrica saiu através da palma de sua mão, fazendo o receptáculo automaticamente se questionar:
“Espera, como assim não saiu nada daqui?!”
O militar burajiano logo voltou sua atenção para o velho em sua frente, que já estava encurtando a distância a grande velocidade, preparando um soco de direita na direção do rosto do Kura. O irmão mais velho do Arold, percebendo aquilo, rapidamente pensou em se defender, mas, no último segundo, ele afirmou para si mesmo:
“Espera, ele nem é tão forte assim! Eu posso deixar ele me atingir, e ele vai quebrar a própria mão!”
Após essa reflexão, o garoto se manteve estático, esperando o soco atingir a sua face. O golpe do idoso de corpo treinado, logo acertou em cheio a cara daquele garoto de menor estatura, mas diferente do esperado por aquele militar burajiano, o soco acabou por explodir com tudo contra o rosto dele, jogando a cabeça daquele garoto para trás com toda a força, ao mesmo tempo em que bastante sangue saiu através do seu nariz. Veyron sorriu com isso, e se aproveitando da abertura dada por aquele soco direto, o velho acabou por desferir um soco cruzado contra a região do fígado do rapaz mais novo, acertando em cheio a região e fazendo o mesmo vomitar sangue, enquanto começava a se ajoelhar.
— VEJAM, O KURA TÁ SANGRANDO!!
Giovanni gritou aquilo, enquanto assistia o manipulador de raios recebendo um chute frontal de esquerda diretamente contra o seu queixo, sendo lançado por quase uma dezenas de metros, antes de colidir contra uma cerca. O Kura, caído ali, começou a limpar o sangue de sua boca, enquanto pensava:
“Merda…! Meu raio não saiu, e ainda fui machucado! Bem, de toda forma, posso apelar para a energia da natureza!”
O irmão mais velho de Arold logo começou a tentar acumular a energia presente naquele ambiente. Entretanto, nenhum pingo da energia natural entrou no seu corpo, com o garoto afirmando para si mesmo novamente:
“Calma… eu não consigo acumular a energia também!”
O Kura logo ergueu sua cabeça novamente, mas no momento em que seus olhos se fixaram novamente no local onde o idoso deveria estar, a única coisa vista pelo rapaz de cabelos negros foi o solado do pé daquele velho, que acertou em cheio outro chute contra a cara do baixinho, destruindo a cerca atrás dele e o lançando por mais vários metros. De forma daquela luta, Arold assistia aquilo com bastante surpresa, comentando:
— Mas… mas como?!
Drakos, ao perceber isso, deu algumas risadas, começando a dizer para todos ali, enquanto o Kura era espancado ao fundo:
— Isso acontece, por conta do poder especial do Veyron! Essa habilidade dele é simples: todos que tenham uma intenção ofensiva que envolva ferir o Veyron, acabam por ter suas vantagens sobre ele retiradas! Sejam elas físicas, mentais, técnicas ou seus poderes especiais!
Todos escutaram isso com bastante atenção, enquanto o chefe deles era surrado com centenas de socos e chutes. O velho calvo, então, continuou a dizer:
— Algumas pessoas dizem que esse poder iguala a luta, mas na verdade, ele dá toda a vantagem para o Veyron! Já que, se ele souber, ou tiver alguma vantagem que você não tenha, você continua assim!
Enquanto aquele velho falava, a cena bizarra na frente deles continuava, com o Kura sendo espancado sem piedade alguma. Samuel, assistindo aquilo, começou a comentar em voz baixa, com um tom de surpresa claro em sua voz:
— Então… essa é uma habilidade, que quanto mais fraco for o usuário…
Drakos, dando um sorriso levemente malicioso no canto do rosto, complementa:
— Sim… um poder que quanto mais fraco for o usuário, mais forte ele acaba se tornando!
Após mais alguns minutos de golpes, Veyron largou o receptáculo de Buraji no chão, com o garoto estando completamente surrado. Aquele homem velho, sorrindo após espancar o jovem, começou a dizer:
— Entendeu, garoto? É por esses e outros motivos, que eu sou um dos nove mais fortes que já pisaram nesse mundo!!
Vários minutos se passaram depois daquele combate, com todo o grupo estando ao redor do Kura. Sami e Li Chun, ajudavam ele a se sentar, enquanto o irmão mais velho do Arold acumulava a energia da natureza em seu corpo, começando a se regenerar lentamente. O rapaz de estatura mediana, se encontrava calado, revirando os olhos antes de dizer:
— Certo, você me derrotou, e esse seu poder é bizarro! Bem… isso colocou uma dúvida em minha cabeça!
O houer do cão elétrico se colocou melhor posicionado, continuando a falar:
— Se vocês foram escolhidos apenas por seus poderes, como o senhor Stold não foi considerado, então?
Veyron escutou aquilo com certo desdém em seu olhar, levemente irritado com a voz daquele rapaz. Mesmo assim, o idoso apenas cruzou os braços, respondendo:
— Várias pessoas fortes existem pelo mundo, mas os nove mais fortes foram os únicos sobreviventes de um evento de quase apocalipse… o “coliseu de sacrifício”
Arold escutou aquilo, encarando aquele homem com bastante curiosidade, o questionando de forma quase imediata:
— “Coliseu de sacrifício”? Que é isso?
Drakos, que estava apenas bebendo o seu chá em silêncio, logo colocou a xícara com suavidade no pires em sua mão, olhando para a janela tranquilamente, começando a explicar:
— Há várias décadas atrás, quando o avô de vocês tinha uns dezenove anos… dezessete seres humanoides surgiram de uma parte profunda do oceano, perto do continente de origem da humanidade. Esses seres, diziam ser arautos do próprio Pungkasan, vindos do período em que ele dominou o planeta.
Li Chun ficou surpresa com aquela informação, se virando na direção daquele velho de cabeça quase careca, o encarando com os olhos sutilmente esbugalhados.
— Pungkasan? É a mesma entidade dos diários que possuímos, e o mesmo que vocês tem uma edição aqui!
O velho amante de chás, deu outro gole após escutar a fala daquela mulher asiática, e depois de alguns segundos, respondeu:
— Sim… a mesma entidade do diário que conversamos! Eu o peguei após matarmos seus arautos, mas nunca o decifrei, até por isso, aceitei o entregar a você…
Veyron, que estava calado até aquele momento, logo começou a falar:
— Sabe, eu e meu amigo estávamos em paz aqui, livres de guerras após a batalha naquele coliseu, pelo futuro da humanidade! Mas, saber que o Nellu busca, de alguma forma, reviver o líder daqueles monstros, nos fez cogitar de verdade a ideia de voltar…
Giovanni, ficando curioso com aquilo, questionou rapidamente após ouvir aquelas palavras:
— Monstros? Esses arautos eram perigosos assim?!
O homem-igualador, ao ser questionado sobre a periculosidade dos oponentes que tinha enfrentado, acabou por apenas fechar ambos os olhos, respondendo de maneira clara e direta:
— Se apenas um deles fosse colocado nos dias de hoje, ele seria uma ameaça de nível igual a toda essa guerra gerada pelo Nellu!
Todos ali presentes se calaram, com um calafrio intenso tomando conta de suas espinhas, um claro medo do quão perigoso poderia ser o Pungkasan. Drakos, logo terminou seu chá, se levantando com alguma dificuldade e falando:
— Bem, logo eu buscarei o diário para você, querida Li Chun! Não se preocupe, eu cuidei bem dele durante esses anos! Espero que vocês consigam reunir todos…
Um silêncio percorreu o ambiente depois daquilo, com tal momento de calma só sendo quebrado pelo som da porta se abrindo. Os passos ecoaram por aquela casa até finalmente chegarem na porta da sala de jantar, com uma voz masculina dizendo:
— Velhotes, chegamos lá da cidade! Olha, não achei a cachaça que pediram, mas tinha uma lá com um caranguejo maneiro dentro da garrafa, então eu trouxe!
Ao chegarem na sala, ambas as figuras finalmente se revelaram, se tratando do antigo comandante do Maleukone, Henrique, e dá Houer do papagaio, Carmen. Ambos os recém chegados, ficaram surpresos ao ver aquele grupo ali, com a receptáculo falando:
— Ei, eu lembro de você, Kura!! Seu idiota, você me chamou de qualquer uma!
Kura, que estava na dele, logo se lembrou daquilo que a mulher estava dizendo, respondendo:
— É, chamei! E você é qualquer uma mesmo!
Sami, que estava quieta enquanto ouvia aquilo, acabou por ficar com uma veia levemente evidente em sua têmpora, segurando o manipulador de raios pelo ombro e questionando:
— Do que ela está falando, hein?
Henrique, ainda confuso com as pessoas na sala de jantar, logo colocou as sacolas em uma mesa próxima de si, falando na sequência:
— Ei, por que não me contou que teríamos visitas importantes assim?! Sério, eu teria comprado mais coisas! Fico parecendo um idiota, desse jeito.
O antigo comandante do Maleukone, logo se aproximou do Kura com bastante cuidado, criando uma chamada poderosa em sua mão direita e então a jogando no corpo do garoto. Aquela labareda, logo curou todos os ferimentos do jovem, o deixando totalmente recuperado.
— Pronto, aí está! Como se sente, garoto?
Kura, se levantando rapidamente após aquilo, olhou com surpresa para os ferimentos cicatrizados, dizendo:
— Uau, que incrível! Cara…
O manipulador de raios virou seu rosto na direção do homem em sua frente, e após refletir um pouco, ele se lembrou quem ele era, concluindo a sua fala:
— Ah, lembrei de você! Você era um dos amigos do Shiawase! Nunca mais ouvi falar de você, como passou esses anos?!
Henrique, sorrindo após a pergunta, afirmou:
— Ah, desde a morte do grande Maleukone, eu vivi vagando sem rumo, até encontrar esses dois velhotes! Eles me deram trabalho aqui como caseiro, então fiquei!
Arold, surpreso ao ouvir aquela explicação, acabou por comentar:
— Nossa, que diferente! De comandante militar, à caseiro! Aposto que a vida aqui é boa, né?
O antigo comandante, mantendo o sorriso no rosto, respondeu:
— É, sem reclamações! Aqui é perfeito.
Carmen, se sentindo isolada naquela conversa, acabou por coçar a garganta de forma forçada, chamando a atenção para si mesma.
— Bem, sei que devem estar muito curiosos, então direi! Eu vivo aqui, pois fui adotada logo cedo por eles, sou basicamente a netinha favorita desses velhotes!
Todos ali trocaram olhares por alguns segundos, e de forma grosseira, o Kura disse:
— Na realidade, ninguém liga para você!
A receptáculo do papagaio, escutando aquela fala rude vinda de um companheiro receptáculo, acabou por ficar claramente irritada, acertando um soco com toda a força contra a cara do Kura. A Houer, na sequência, se jogou nos braços do Arold, dizendo:
— Oh, Arold! Veja isso, seu irmão me trata tão mal! Me proteja das grosserias dele!
O rapaz explosivo, ficando levemente corado com aquilo, acabou por se afastar levemente da mulher de pele morena, estando claramente sem jeito.
— B-bem… acho que você é capaz de se defender… e-eu acredito em você!
Drakos, percebendo o clima ficando mais animado, acabou por se aproximar com uma chaleira em mãos, dizendo:
— Bem, quem quer um pouco de chá?! A outra opção é só água, então pensem bem!
Ao ouvir aquilo, Kura e quase todos os seus outros aliados, prontamente disseram:
— Queremos água, mesmo!
Arold, Henrique, Carmen e Veyron, entretanto, prontamente aceitaram aquele chá, se aproximando do homem calvo.
No lado de fora, Chikito e Dunkel encaravam a fazendo de longe, analisando aquele terreno.
— Eu finalmente te achei… Veyron!
Chikito afirmou com sua voz metálica, olhando a fazendo com um estranho brilho em seus olhos de robô. Dunkel, percebendo isso, apenas cruzou ambos os braços, dizendo:
— Foco, Chikito! Tem certeza que seu plano vai funcionar? Devemos capturar os Houer’s do papagaio e do cão elétrico, que acabamos de descobrir que está aí!
O ciborgue, depois de ouvir aquilo, logo respondeu:
— Não se preocupe, Dunkel! Desde que não esquentem a água antes de beber, meus nanorobôs vão afetar eles! Logo mais, veremos a cara de surpresa desses miseráveis!
Dunkel, sorrindo ao escutar aquilo, apenas manteve seus olhos fixos naquela casa, dizendo em um tom extremamente confiante:
— Certo, amanhã nós daremos essa surpresa a eles!