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Capítulo 427 – Passado metálico

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Capítulo 427 – Passado metálico

Kura, após encarar o homem barbudo por algum tempo, acabou por rapidamente se lembrar de quem ele era, apontando o seu dedo indicador de sua mão esquerda na direção do mesmo, antes de então dizer para ele:

— Eu me lembro de você, seu esquisito! Você é o segundo cara mais forte do bando do Nellu, não é?!

Dunkel, ao ouvir aquilo, acabou dando algumas risadas baixas, carregadas de uma zombaria velada. O terrorista, ainda mantendo sua postura com os braços cruzados, retrucou o garoto com um tom de voz calmo e sereno:

— Você está parcialmente certo, garoto! Eu realmente sou do bando do Nellu, só não sou mais o segundo mais forte… infelizmente, após os eventos da guerra das neves, o Toshiro acabou me passando…

O homem barbado disse o final de sua frase, com um tom de voz bastante incomodado com aquele fato. Apesar disso, o subordinado do Nellu apenas deu um suspiro, se recompondo enquanto diz:

— Bem, apesar disso, eu irei matar todos aqui, com exceção dos dois Houers! O chefe vai amar isso!

Drakos, escutou aquilo com bastante atenção, levantando sua sobrancelha esquerda logo após aquela frase, dizendo na sequência com bastante ignorância no seu tom de voz:

— E como pretende fazer isso, seu vagabundo metido?!

O homem-biologia, deu uma pequena risada depois de ouvir aquilo, e de forma bastante debochada, o criminoso começou a apontar para cada pessoa ali, começando a contar em voz baixa:

— Um… dois… três…

Depois de alguns segundos nessa contagem sarcástica, o terrorista finalmente chegou até o número total de doze pessoas naquele lugar. Sequencialmente a isso, o manipulador biológico esticou uma de suas mãos na direção daquele grupo, lançando sequencialmente onze sementes de carne na direção deles. No meio do ar, cada uma daquelas sementes tomou um formato semelhante ao de um ser humano de baixa estatura, algo por volta de um metro e cinquenta, junto de uma pele coloração levemente esverdeada, acompanhada de uma cabeça enorme, como se fossem criaturas de fora do planeta. Drakos, observando aquilo com atenção, logo falou:

— Escravos anões? Sério isso?

Dunkel escutou aquilo, dando algumas gargalhadas de deboche, respondendo em sequência, recuperando o seu fôlego:

— Não, não… eles são células do meu corpo, transformadas em criaturas… normalmente, eu teria que dividir frações do meu poder com elas, mas graças a alguns mecanismos do Raoh, elas tem sua própria fonte de poder.

Enquanto tudo aquilo era dito, cada uma daquelas criaturas se posicionavam em direção ao grupo, se preparando para avançar contra eles. O barbado, então, continuou:

— Vocês vão lutar um contra um! Quem ganhar, pode vir lutar comigo, prometo não atrapalhar os combates individuais… afinal, vocês vão perder mesmo!

Giovanni, após ouvir as regras e comentários do criminoso sobre aquela situação, acabou por sorrir de canto de rosto, comentando com bastante confiança em sua voz:

— Ah, é? Vamos ver, então!

O manipulador de antimatéria, logo ativou sua ascensão de maneira basicamente imediata, gerando uma quantidade colossal de matéria negativa em sua mão direita e então se preparando para a lançar, movendo sua mão na direção do seu oponente. Entretanto, antes de conseguir disparar o raio roxo, a intenção ofensiva do garoto logo foi transferida para o velho Veyron, fazendo assim o militar burajiano perder imediatamente as suas habilidades.

— Como assim?-

Antes da pergunta terminar de ser feita pelo homem-antimatéria, uma das criaturas invocadas pelo Dunkel encurtou a distância contra aquele rapaz, acertando um poderoso soco de direita contra o rosto do Giovanni, fazendo boa parte do seu sangue voar através de sua boca. Todas as outras criaturas avançaram após aquilo, com o Katto afirmando:

— Lute de verdade, Giovanni! Isso é uma situação séria!

Após dizer aquilo, o espadachim moveu sua espada na horizontal, tentando partir aquela criatura baixinha ao meio. Entretanto, no momento em que isso foi feito, a intenção de combate do espadachim foi direcionada para o velho Veyron, causando assim a anulação de todas as capacidades de combate do Katto, permitindo a criatura a golpear o mesmo para longe. Todos que tentavam atacar aqueles seres, acabavam sofrendo do mesmo efeito, perdendo seus poderes, força, velocidade, artes marciais e grande durabilidade. Arold, que estava apenas evitando o combate com o seu oponente, logo questionou:

— O que está acontecendo, pessoal?!

Dunkel, assistindo aquilo com um sorriso confiante em seu rosto, logo respondeu o garoto:

— Ora, é simples! Na noite passada, meu amigo Raoh infectou a água de vocês com nanorobôs, cujo a única função deles é afetar o cérebro de vocês, direcionando qualquer intenção de ataque ao Veyron. Graças a natureza automática do poder dele, vocês acabam sendo enfraquecidos!

Drakos, depois de escutar a explicação dada pelo seu oponente, acabou por finalmente parar de fugir do seu oponente. O velho de cabeça careca, armou sua guarda de combate, cochichando para si mesmo em sequência:

— Bem… vamos testar algo…

A criatura na frente do idoso estranhou aquilo, não entendendo o motivo de ele querer lutar. Apesar disso, a criatura avançou novamente contra o velho, desferindo um soco de direita na direção do rosto dele na distância exata para isso. O adorador de chá, não se assustou, desviando sua cabeça levemente para a esquerda, devolvendo o ataque com um potente soco de direita contra a barriga do ser baixinho. Quebrando todas as expectativas, o ataque acertou em cheio o alvo, com o punho do idoso afundando com tudo dentro do estômago da criatura, fazendo a mesma vomitar sangue no instante após o soco.

— Certo, para o inferno!

Drakos disse isso, criando sua armadura espiritual ao redor do seu punho direito, abrindo sua mão e desferindo um raio de energia contra a criatura baixinha, a evaporando de forma imediata. O idoso, sorrindo após fazer isso, gritou:

— QUEM BEBEU DO MEU CHÁ, PODE LUTAR SEM MEDO! APARENTEMENTE, O CALOR PARA FERVER A ÁGUA DESTRUIU OS ROBÔS!

Ao receberem esse aviso, Carmen e Henrique deram um sorriso de canto de rosto, exaltando a confiança deles. A mulher então se desviou de outro golpe do ser baixinho, acertando uma rasteira contra o mesmo, para na sequência o golpear com uma joelhada, lançando aquela criatura contra a outra que enfrentava Henrique. Henrique, por sua vez, gerou uma enorme chama em sua mão direita, e no momento em que ambos os seres colidiram um com o outro, o antigo general do Maleukone os acertou com a chama, reduzindo ambos a cinzas de forma imediata.

— Posso lutar, é? Perfeito!

Arold disse isso, estendendo a mão na direção de seu inimigo, segurando o punho dele e desferindo uma explosão contra ele de forma imediata, matando aquele oponente. Drakos, notando que todos tinham lidado com seus oponentes, logo ordenou:

— Carmen, Henrique! Vão ajudar o Veyron, eu e o Arold cuidamos desse paspalho!

A dupla logo começou a se locomover em grande velocidade na direção de onde o idoso de corpo atlético foi levado. Dunkel, observando aquela cena, acabou por estender a mão direita na direção deles, dizendo:

— Como se eu fosse deixar!

Logo após aquela fala, os dedos do homem-biologia começaram a se esticar em grande velocidade, mirando aqueles dois. Drakos, percebendo aquilo, rapidamente se atirou no caminho daqueles dedos alongados, prendendo sua respiração e ativando sua armadura reluzente, moldando sua própria aura no formato de uma armadura de placas medieval. Revestido por sua armadura, o velho baixinho acabou por agarrar os dedos do criminoso na sequência, impedindo o avanço deles. O subordinado do Nellu, percebendo aquilo, afirmou:

— Velho idiota!

O homem-biologia, então, usou sua habilidade para manipular a estrutura biológica daquele velho, para o transformar em um bolo de carne consciente, mas incapaz de lutar. De forma inesperada, entretanto, a manipulação do Dunkel foi transferida para ele mesmo, fazendo o terrorista ter seu corpo transformado na massa de carne viva, mas incapacitada.

“Merda! A habilidade dele devolve efeitos, também?!”

Pensou o homem de barba densa, enquanto revertia sua própria transformação, voltando a sua aparência normal. O idoso amante de chás, observando aquilo, acabou soltando sua respiração, desativando a armadura e comentando:

— Você ia manter minha consciência, então? Ora, mas que covarde!

Em paralelo, na floresta próxima daquela grande fazenda, o velho Veyron finalmente caia do meio das árvores, batendo com toda a força no chão e cuspindo um pouco de sangue nesse processo. O amigo do Drakos, com certa dificuldade, começou a se levantar do chão, comentando para si mesmo:

— Merda… como esse robô não foi afetado pelo meu poder? Até tiros eram, como ele escapou?!

Quando o homem-igualados terminou de dizer isso, ele acabou por ouvir o som de passos metálicos se aproximando em grande velocidade de sua localização, colocando o idoso em sinal de alerta. Agilmente, o membro dos nove mais fortes sacou um soco-inglês, cujo os espinhos eram feitos de birta, se virando na direção do som. Do meio da floresta densa, o robô gigante apareceu, lançando meia dezenas de árvores gigantescas na direção daquele idoso. Veyron observou a cena, se desviando das primeiras três, antes de acertar um soco na quarta árvores, a reduzindo apenas a farpas. A quinta árvore, entretanto, acabou por acertar em cheio o homem, obrigando aquele guerreiro velho a segurar o tronco de madeira daquela planta, iniciando um movimento de giro no sentido horário, tendo a clara intenção de usar a árvore como uma espécie de bastão.

— Segura essa-

Antes de concluir sua fala e seu ataque, a árvore segurada pelo velho foi completamente destruída por aquele robô, igualmente reduzida a pequenas farpas. O ser mecânico, na sequência, usou um dos seus tentáculos para acertar de forma lateral o corpo daquele homem de idade avançada, quebrando as costelas esquerdas dele e o fazendo voar para a direita. Durante o seu longo caminho pelo ar, Veyron acabou por colidir com ao menos quatro rochas, as atravessando como se fossem feitas de isopor, parando apenas quando colidiu com uma quinta rocha, deixando-a cheia de rachaduras no impacto e então caindo no chão. O igualador, estava vomitando boa parte do seu sangue no chão, custando a se levantar enquanto pensava:

“Merda… eu… eu não consigo lutar com esse robô de merda! Sério eu estivesse com a minha espingarda… eu poderia acertar uma bala de birta nesse desgraçado, e ele estaria fudido!”

Enquanto divagava, o homem-igualador acabou não percebendo que o robô gigante tinha se aproximado dele novamente. O ser metálico, uma vez próximo, usou dos seus tentáculos para agarrar o tronco, braços e pernas do amigo de Drakos, imobilizando ele completamente. Uma vez com o idoso lendário em mãos, o robô começou a puxar os braços e pernas dele nas direções opostas, tentando claramente partir o Veyron ao meio. A força exercida nessa puxada era enorme, e a cada segundo a mais que aquela tração se mantinha, o som da pele da cintura do idoso se rasgando, ficava ainda mais alto. Tal som grotesco, porém, logo foi interrompido, por uma voz que gritou:

— PAROU AÍ! CALMA, CALMA!!

Ao escutar aquela voz artificial, o ser de tentáculos parou de puxar, se mantendo apenas com aquele velho preso em seus tentáculos. Do meio do céu azul, Raoh surgiu, descendo calmamente até perto do topo do robô gigantesco, desligando seus propulsores na distância certa e pousando em segurança. Uma vez ali, o companheiro do Dunkel fez um movimento de mãos, fazendo o robô trazer aquele velho para mais perto.

— Quero saborear isso, pois minha criação finalmente está pronta! Sabe, levei décadas para isso, pois toda vez que eu tentava usar meu poder para criar ele, a sua habilidade me impedia por conta da intenção!

Veyron observou aquilo com uma grande confusão em seus olhos, não entendendo o motivo daquele discurso megalomaníaco, apenas escutando em silêncio. Raoh, por sua vez, continuou a falar:

— Isso me obrigou a estudar robótica de verdade, e a estudar psicologia a fundo, para controlar minimamente minhas emoções! Foi muito trabalhoso, mas… para o senhor, valeu a pena!

A voz artificial daquele ciborgue, apesar de ser apenas uma série de sistemas mecânicos, era carregada de um sentimento de orgulho gigantesco, com ele continuando a dizer:

— Até porquê…

Ao dizer isso, Chikito levou sua mão direita até uma espécie de botão no local de onde deveria ser sua têmpora, o pressionando e mudando sua voz. Após essa mudança, ele disse:

— O senhor é meu herói!

A voz escolhida, era infantil, uma voz que deveria pertencer a um garoto com algo em torno de dez anos de idade, com um claro tom de admiração vinda dela. Veyron, depois de ouvir aquela voz, acabou por sentir um misto de susto e surpresa, dizendo de forma quase imediata:

— Chikitinho?!