Capítulo 428 – Vingança mecânica
Capítulo 428 – Vingança mecânica
O inventor do bando criminoso do Nellu, após ouvir a fala de um dos nove idosos mais fortes do mundo, acabou por parar estático por alguns segundos, apenas encarando aquele idoso de cima para baixo, tendo sua mente banhada por um tsunami de memórias de sua vida.
— Meu nome….
Raoh começou a dizer aquilo, alterando sua voz de forma natural, saindo do tom agudo de uma criança para de cada vez mais grosso, ao mesmo tempo em que efetuava um movimento circular rápido e tenso com seu braço.
— MEU NOME, NÃO É CHIKITINHO!!
O grito saiu com uma voz distorcida, carregada de um veneno odioso em seu estrondo, digno de uma divindade vingativa. Graças ao movimento de braço do seu inventor, o robô acabou por arremessar aquele velho com toda a força no chão, o fazendo colidir em cheio com a terra, quicando no impacto inicial contra o solo e só depois disso caindo de bruços no mesmo. No momento do impacto, mais costelas do homem lendário acabaram por se quebrar, enquanto as já quebradas perduraram o seu pulmão. Raoh, após isso, deu um pequeno salto de cima do robô, pousando no chão suavemente e continuando a falar:
— Eu queria ter te ajudado com equipamentos… só isso! Eu…
A mente do ciborgue acabou sendo novamente inundada de memórias do seu tempo de infância, memórias de quando seu pequeno vilarejo foi ajudado pelo Veyron durante a grande guerra. Logo depois dessas memórias, o homem com a pele de metal voltou ao presente, dando outro berro enfurecido:
— EU QUERIA TER TE AJUDADO!!
Veyron só conseguia assistir a aproximação daquele inimigo, enquanto tentava se arrastar até uma rocha próxima. Chikito, enquanto assiste aquela cena patética, continuou a dizer:
— Mas, e aí, que que cê disse para mim, mesmo?
O ciborgue então levou a mão esquerda até a lateral esquerda de seu crânio, apertando um botão ali e começando a emitir um vídeo através de seus olhos no próprio ar. Tal vídeo se tratava de uma memória, que mostrava o Raoh jovem, de frente com um Veyron no seu auge físico e de idade.
— Eu não preciso de um pirralho me atrapalhando, vai pra casa!
O Veyron da memória disse isso, empurrando o garoto para longe, virando de costas e o largando para trás. No presente, o velho conseguia se apoiar na rocha, se levantando com dificuldade enquanto assistia aquela memória, se lembrando daquele dia.
— Isso doeu… alguém que eu me inspirava, me tratando assim! Mas, me ensinou que nenhum humano é digno de devoção!
O amigo do Drakos, finalmente conseguindo se levantar, acabou por limpar o sangue de sua boca com a parte de trás de sua mão, finalmente começando a dizer:
— M-me… me perdoe! Eu errei, eu admito isso! Eu era jovem, e entendo que isso possa ter te machucado…
O velho ofegava por entre cada palavra, visivelmente cansado e desacostumado a levar golpes tão brutais. Se apoiando de costas na rocha, enquanto andava sutilmente para a direita, ele continuou a dizer:
— Mas… isso não te dá o direito, e nem torna certo… se unir e ajudar um maluco, que quer reviver uma entidade maligna! Isso… isso é loucura!! E você… você era só uma criança!
Raoh, depois de ouvir aquelas palavras, acabou por dar algumas risadas, respondendo de forma imediata:
— Ah, quer desculpas agora? Pelo quê? Eu era só uma criança!
O ciborgue gesticulou durante suas falas, balançando ambos os braços e o tronco, revestindo suas palavras com uma ironia venenosa.
— Sabe, isso é engraçado, não é? Pois agora, você está tentando me mostrar respeito, pois eu sou uma ameaça! Enquanto isso, o tal… “maluco”, que você disse, me respeitou desde sempre!
Veyron escutou aquele discurso de forma atenta, olhando o ambiente à sua volta atrás de alguma forma de atacar aquele inimigo. Em questão de segundos, o idoso viu uma das árvores arremessadas anteriormente bem próxima da rocha no qual ele se encostava, começando a se arrastar com cuidado na direção dela. Enquanto isso ocorria, Chikito continuava:
— Sabe, muitas pessoas fariam de tudo por reconhecimento, inclusive matar alguém! Eu criei esse robô especificamente para matar você, para ver se você iria me reconhecer! E adivinha só, deu certo! Bastou eu fazer esse robô com a intenção de me matar, e fazer ele ver meu rosto no seu corpo, e pronto! Sua amada habilidade, virou merda!
O ciborgue virou de costas por um único segundo, olhando a sua criação e ignorando completamente a presença daquele idoso ferido, continuando:
— Sabe de uma coisa… desde a primeira vez que vi o Nellu, eu soube que ele mudaria o mundo, soube que o plano dele era grandioso! Não importa se o Pungkasan é maligno, ou não! O Nellu vai domar ele, e então-
Atrapalhando todo aquele discurso, Veyron lançou a árvore com toda a força na direção daquele criminoso, tentando o acertar em cheio pelas costas. O robô gigante, porém, percebeu isso e logo destruiu a árvore em pleno ar, conseguindo assim salvar o seu criador, usando outro tentáculo na sequência para prender o velho contra a rocha. Raoh, ao notar que foi protegido, acabou por dar algumas risadas levemente nervosas, comentando:
— Sério? No meio do meu discurso?! Olha, você é um velho sorrateiro!
O ser de corpo mecânico, levantou o dedo indicador esquerdo na direção de seu queixo, o encostando ali e começando a pensar por alguns momentos, dizendo logo após isso:
— Sabe, eu não posso simplesmente matar você agora, ou seus amiguinhos vão poder lutar novamente… nada que você precise saber os detalhes…! Bem, sendo assim, vou deixar você imobilizado do pescoço pra baixo, e quando tudo terminar, eu mato você!
Raoh então levantou sua mão esquerda, se preparando para dar o gesto final a sua invenção e finalmente dar cabo daquele velho. Entretanto, antes de isso acontecer, uma voz ecoou do meio das árvores:
— COMO SE FÔSSEMOS DEIXAR ISSO ACONTECER!!
O homem-inventor escutou aquilo, se virando na direção daquele grito com bastante surpresa em sua atitude. A imagem registrada em seguida pelo visor digital dele, foi a da Carmen, com os braços transformados em asas de papagaio, voando na direção dele com uma incrível velocidade, ao mesmo tempo, em que o Henrique estava de pé nas costas dela, gerando uma enorme labareda do seu fogo absoluto e lançando na direção do criminoso e seu robô. Chikito, percebendo o perigo, rapidamente deu um pulo para a esquerda, enquanto sua invenção largava o Veyron e pulava para a direita, com ambos conseguindo se desviar da chama.
— Como isso é possível?!
Se questionou o terrorista, enquanto a dupla pousava no chão com tranquilidade, com a Carmen se aproximando do velho Veyron e o segurando nos braços com bastante cuidado, dizendo:
— Está tudo bem, tio Veyron?!
O homem-igualador, por sua vez, tossiu algumas vezes para recuperar o fôlego, respondendo sua protegida em seguida:
— Sim… eu estou! Só estou cansado de tanto apanhar…
Raoh, assistiu a aquilo tudo com surpresa em seus olhos, não conseguindo acreditar naquilo que via, os questionando:
— Como… como vocês ainda têm acesso aos seus poderes?! Eu infectei a água de vocês!!
Henrique, dando um sorriso depois de absorver aquelas palavras, respondeu:
— Bem, o velho Drakos usou ela para fazer chá, e o calor da fervura matou seus robôs minúsculos! Para alguém que é um grande inventor, você foi bem burro!
O parceiro do Dunkel, absorveu aquela provocação com bastante cuidado, fechando momentaneamente seus olhos e simulando aquilo que seria um suspiro. Depois de se recompor, o ciborgue “abriu” novamente os seus “olhos”, dizendo:
— É… isso foi um erro de design da minha parte! De toda forma…
Depois de dizer isso, o ciborgue disparou um feixe de luz através dos seus olhos, mirando o centro da cabeça do antigo general de Maleukone como seu principal alvo. O homem-fogo, por sua vez, conseguiu facilmente se desviar do laser, se movendo mais rápido que ele para a direita, deixando aquele ataque acertar e atravessar uma sequência incontável de árvores atrás dele.
— Nada me impede de matar vocês, eu mesmo!!
O antigo general do Maleukone, logo virou sua cabeça na direção daquele ciborgue, disparando uma poderosa rajada de fogo contra o criminoso. Raoh, observando o ataque, acabou por pular por cima do mesmo, se esquivando e encurtando a distância com uma incrível velocidade, apontando a mão direita na direção daquele homem, disparando um raio de plasma contra o homem-fogo, o acertando em cheio e gerando uma pequena explosão, que feriu levemente a pele daquele homem, o deixando com algumas queimaduras por sua pele. Sequencialmente, o homem-inventor pousou nas costas do seu inimigo, lançando uma corda de liga metálica contra ele, o prendendo e imobilizando.
— Agora, vá para o inferno!
Raoh disse isso, retirando uma lâmina gigante através do seu pulso, a movendo na horizontal contra o pescoço do manipulador de chamas, com a intenção óbvia de decapitar o mesmo com um ataque limpo. Henrique, por sua vez, apenas deu um sorriso extremamente confiante no canto do seu rosto, criando e manipulando uma quantidade imensa de suas chamas. As labaredas geradas, evaporaram de imediato não apenas a corda metálica que o prendia, como também a lâmina que iria cortar seu pescoço, incinerando na sequência a existência das queimaduras através do corpo de seu usuário, curando completamente o caseiro daquela fazenda.
— Desculpa aí, cara! Mas, vai precisar de bem mais do que isso, para me matar!
O criador de fogo disse aquilo, se virando na direção do seu inimigo, ainda exibindo o largo sorriso em seu rosto. Veyron, assistindo a luta de longe, se virou para a Carmen na sequência, dizendo:
— Vá… ajudar ele! O robô ainda está dividido sobre o’que fazer… eu tenho um plano, mas ele depende totalmente de que o robô me esqueça por alguns segundos!
A receptáculo do papagaio, depois de escutar aquilo, acabou por demonstrar uma grande preocupação no seu olhar, dizendo:
— Você… tem certeza disso, velho Veyron?!
O igualador, apenas acenou em concordância com sua cabeça, ordenando em silêncio para que a garota ajudasse o seu amigo. No combate entre Henrique e Raoh, o usuário de pirocinese parecia levar a melhor, queimando de imediato qualquer arma criada pelo inventor e o obrigando a ficar longe. Chikito, por sua vez, desviou de uma das rajadas de fogo, refletindo durante o movimento:
“Ele acha que está seguro, só por estar longe! Idiota…”
Enquanto aquilo paira na mente do criminoso, a inteligência artificial acoplada ao seu corpo mecânico, finalmente termina de calcular e preparar uma resposta contra aquele homem de chamas, criando assim uma quantidade considerável de antimatéria. Raoh, sorrindo com isso, esticou a palma de sua mão na direção do antigo general, terminando de pensar:
“Estar longe, é o seu erro nessa luta!”
Logo depois desse pensamento, no momento em que os olhos do homem-fogo se fecharam de forma inconsciente para lubrificar os seus olhos, um disparo de antimatéria foi realizado contra o peito dele, um golpe em tempo perfeito para o aniquilar. Porém, um instante antes do ataque atingir o seu alvo, Carmen se colocou na frente do mesmo, o segurando com sua mão e recebendo em cheio a explosão gerada pela aniquilação da matéria. Por um segundo, o criminoso se assustou, pensando ter matado aquela quem ele deveria capturar.
— Merda! Ela se-
Antes de ele terminar de falar, sua mão responsável pelo disparo acabou por ser explodida e destruída, aniquilando a arma de antimatéria recém criada por ele. Do meio da fumaça, Carmen surgiu sem nenhum ferimento, com a palma de sua mão revestida por uma armadura semelhante a do Drakos.
— Relaxa, seu inventor megalomaníaco! Eu não seria burra, para acabar me matando por acidente. Agora, você é um retardado, só por cogitar essa ideia!
Raoh, observando sua mão destruída e a atitude confiante da garota, não pôde conter uma expressão de nojo em seu rosto metálico, dizendo para aquela garota, com a voz carregada de um ódio mortal:
— Sua… sua fedelha suja! Eu prometo, eu vou te ensinar a respeitar os mais velhos, antes de te pôr para dormir pelo resto da eternidade!!