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Capítulo 432 – Te levando comigo

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Capítulo 432 – Te levando comigo

Um silêncio aterrorizante tomou conta do ambiente depois daquela provocação, com ambos apenas trocando olhares afiados, analisando friamente um ao outro. A inteligência artificial presente no corpo robótico do terrorista internacional, quebrou o silêncio tenso daquele ambiente, afirmando com uma voz sem muita emoção:

— Corpo em restauração! Situação atual da saúde do material: 53%

Raoh olhou para o seu tronco, notando um buraco ainda aberto naquela região, apesar de já ter tido sua parte superior e inferior conectadas, através da recuperação das extremidades. Assim, o mecânico fez seu robô o soltar no solo, firmando os pés na terra, mantendo os olhos na garota.

— Sabe… você já é o terceiro receptáculo que enfrento! Algo que notei, é que vocês possuem uma vontade de lutar, inabalável!

Afirmou o companheiro do Dunkel, enquanto projetava uma lâmina através do seu pulso, mantendo o visor na mulher e continuando a falar:

— Bem, me diga uma coisa! Por qual razão, vocês continuam insistindo em lutar, mesmo numa situação onde a vitória é impossível? O trunfo de vocês, o Veyron, foi completamente anulado!

Carmen escutou aquilo com atenção, dando uma risada anasalada ao ouvir a menção do Veyron, debochando silenciosamente daquele inimigo. A garota, depois de refletir sobre pouco, respondeu:

— Bem… respondendo apenas a sua pergunta, eu vou ser direta: a maioria de nós, nunca escolhemos virar Houers, virando por questão de compatibilidade com o espírito bestial, ou questões familiares! Tudo que nos resta, com um destino desses, é o de pelo menos lutar por um futuro melhor e em nosso controle!

A receptáculo do papagaio, aumentou o sorriso em seu rosto depois de dizer tudo isso, pontuando em sequência:

— Agora, se posso dizer sobre nossa situação… você tem certeza que está melhor que nós? Tipo, não sou eu, ou meus amigos, quem temos um buraco de um lado ao outro no nosso tronco!

A afronta arrogante da garota, fez com que aquele extremista desse algumas gargalhadas metálicas, enquanto o buraco em seu estômago era gradativamente fechado. Encarando a moça depois de tanto rir, ele afirma:

— Olhe melhor, pirralha! Seu amigo de fogo está desmaiado, enquanto seu velhaco de estimação-

Carmen, notando que aquele oponente poderia perceber o desaparecimento do Veyron, rapidamente se transformou no Arold, criando uma grande explosão em sua mão e a lançando na direção do fora da lei. Raoh, entretanto, conseguiu acompanhar a explosão voando em sua direção, usando seu sistema de drenagem de calor para resfriar e congelar o ar de maneira absurdamente veloz, impedindo que a explosão o alcançasse. A transmorfa, porém, usou a explosão como distração, se movendo junto da mesma para a lateral esquerda do ciborgue, acertando um potente soco contra a lateral canhota do seu tronco, a destruindo e aumentando o buraco. Chikito, após ser golpeado, usou dos seus sistemas corporais, para disparar um raio de luz na direção do rosto dela, se aproveitando da distância de menos de um metro e do fator surpresa. Por sua vez, a mulher percebeu o laser se mover na velocidade da luz contra o rosto dela, inclinando o corpo levemente para trás, conseguindo se desviar com certa folga daquele ataque. Logo depois de se desviar, a mulher-transmorfa esticou a mão direita para próximo do rosto do seu inimigo, disparando uma forte explosão contra ele, lançando aquele homem por alguns metros de distância.

“Merda! Garota insolente!”

De maneira rápida, o inventor pisou com toda a força no chão, quebrando várias pedras e as erguendo a uma altura considerável. Logo, o criminoso usou do seu poder e seu corpo mecânico, para juntar a massa das rochas e de metais sobresselentes do seu corpo, para formular uma esfera de cunho perfeito, sem nenhum tipo de área de contato, algo de pressão ilimitada. O criminoso, dando um sorriso maroto após a criação do material, afirmou mentalmente:

“Vamos ver como lidar com isso, pirralha! Vou lançar essa esfera contra sua perna direita, e arrancar ela completamente fora!”

O ataque então foi direcionado a garota, exatamente para o local prometido por aquele bandido. Carmen, notando o perigo se aproximar, logo voltou a sua forma normal, direcionando a energia de seu espírito bestial para a sua garganta. Assim, de maneira quase automática, a mulher usou o mimetismo de sons do seu residente espiritual, para imitar e invocar um som igual ao da “última trombeta”, o ataque do falecido Maleukone. O poder da onda sonora distorceu e rachou o espaço-tempo na frente dos dois, conseguindo por consequência, partir a esfera aparentemente perfeita ao meio, fazendo a estrutura colapsar e explodir, levantando muita poeira.

“Assistir aquela guerra me trouxe uma ideia genial!”

Pensou a garota, se ocultando no meio da nuvem de poeira. Raoh, assistindo a cena, rapidamente apontou a mão direita contra a mesma, dizendo:

— Não importa onde se escondeu, pirralha! Eu vou te acertar!

Entretanto, no momento em que ele tentou atirar, nada aconteceu, com seu corpo mecânico parando de responder aos seus comandos. Do meio da poeira, um punho grosso saiu, acertando um soco em cheio contra a face de metal daquele criminoso. Saindo da poeira, a Carmen revela ter se transformado no Veyron, usando da energia bestial para mimetizar completamente os poderes daquele velho lendário, conseguindo anular as forças do Chikito. O autômato gigante, porém, notou a presença da transmorfa naquela forma, lançando um ataque perfurante de cima para baixo contra a mesma.

— Eita!

Disse a mulher-transformada, desviando por pouco do golpe com um pulo para a esquerda. Raoh, por sua vez, se recompôs depois do soco, observando o buraco ainda aberto em sua barriga e dizendo:

— Se meu poder não me tornasse cada vez mais máquina, a medida em que o uso, eu estaria morto! Sabe, eu até me empolgo em ser afetado pela habilidade do Veyron, é uma honra! O último que vi cair nisso, era um cara que operava na quarta dimensão-

Antes de continuar sua palestra, o inventor foi acertado por uma pedrada lançada pela garota, que afirmou:

— Cala a boca, imbecil! Ninguém quer saber!

Dentro do autômato, o Veyron verdadeiro estava se esquivando pelos sistemas dele, olhando em volta e procurando por alguma coisa que parecesse frágil. O sistema interno do robô, era lotado de fios e equipamento menores, quase como engrenagens. O idoso, observando aquilo, refletiu:

“Merda… o curso de tecnologia que fiz quando mais novo, não me ensinou sobre robôs desse nível! Quer dizer, acho que isso nem existia na época… tem leds e fios por todo o lado, mas basicamente não vejo engrenagens!”

Depois de alguns minutos, o amigo do Drakos finalmente chegou até o centro do robô, passando por uma pequena fresta, adentrando um compartimento secreto dentro da geringonça. Ali dentro, o homem-igualador conseguia ver as imagens captadas pelo visor da máquina, pensando imediatamente após isso:

“Eu vejo tudo que ele vê! Espere… se eu destruir isso, será que ele fica cego?!”

Depois dessa reflexão, o idoso se aproximou dos fios que ligavam a tela ao visor da criatura de metal, os agarrando e então puxando com sua incrível força, rompendo imediatamente a conexão entre os equipamentos, conseguindo retirar completamente a visão do robô. No lado de fora, o ser mecânico logo entrou em confusão, começando a atacar aleatoriamente, errando a mira dos ataques na garota-transmorfa. Raoh, percebendo isso, afirmou:

— Ei, droid! Qual o problema com você, hein?! A pirralha está na sua frente, idiota!!

A voz do inventor ecoou até dentro dos sistemas do autômato, saindo por uma pequena caixa de som dentro do mesmo. Veyron, ao perceber isso, se aproximou da fiação daquele equipamento, rasgando os ligamentos ao meio e comentando para si mesmo:

— Bem, e lá se vai o som também! Agora, deixa eu ver…

No lado de fora, o robô gigante começou a se mexer desesperadamente, atacando o solo e o perfurando de maneira aleatória, claramente desordenada. Raoh, confuso com aquilo, observou atentamente a sua criação, até ver a mesma se virar de costas por um segundo, percebendo assim o enorme buraco aberto ali. O homem-inventor, no instante em que viu aquilo, associou o desaparecimento do Veyron a tudo que acaba de ocorrer com o seu droid, gritando enfurecido na sequência:

— SEU VELHO DE MERDA!!

Ignorando completamente da Carmen, o companheiro do Dunkel se atirou em um dos tentáculos de sua criação, escalando um e outro até finalmente chegar na abertura criada, se jogando para dentro do seu robô gigante, se arrastando imediatamente após isso até o centro dele, caçando aquele idoso. O guerreiro antigo, por sua vez, ergueu seus olhos sem um grande objetivo, notando um pequeno recipiente, do qual emitia uma luz verde intensa.

— Isso… isso deve ser a bateria do robô! Talvez, algo com radiação?

Antes de o senhor de idade conseguir encostar sua mão na bateria, o punho metálico do Raoh acertou o seu rosto, lançando o senhor por uma certa distância, com o mesmo sendo parado ao colidir com uma das paredes do robô. O mecânico, irritado, gritou:

— DE NOVO VOCÊ! SEMPRE, SEMPRE É VOCÊ SE COLOCANDO NO MEU CAMINHO!!

Tomado pela ira, o terrorista desferiu um soco de esquerda na direção do rosto do herói de guerra, que se abaixou e desviou do ataque. Veyron, em resposta, pulou com tudo enquanto efetuava um gancho, acertando o soco com tudo no queixo do ciborgue, conseguindo fazer a cabeça do mesmo se erguer com tudo para cima, acertando na sequência um soco na região do peitoral do mesmo, enquanto o respondia:

— Ficando no seu caminho?! Garoto, eu te salvei de ver os horrores de uma guerra, mas veja o resultado disso! Agora, você está ajudando em outra guerra!

Após essa fala, o velho efetuou um ataque circular com as costas do seu punho esquerdo, acertando a face canhota do homem-inventor, fazendo a cabeça dele girar novamente para o outro lado, enquanto o mesmo cambaleava.

— Hoje, eu irei te matar! Se eu acabei te tornando nisso, então eu devo dar o fim certo para você!

Raoh se recompôs após aquilo, e sem perder tempo, acertou um soco de direita contra a cara do velho, o retrucando imediatamente depois disso:

— Ah, é? Então, terá de matar a si mesmo, pois eu sei todos os seus truques! Sou seu fã, esqueceu?!

Chikito agarrou a cabeça do Veyron com a mão esquerda, jogando-o com toda a força contra a parede direita do robô gigante, continuando a falar:

— Eu me tornei você… não, eu me tornei mil vezes melhor do que você! No mundo novo que vai ser criado, você nunca vai ser lembrado!

Um soco em forma de gancho logo foi disparado contra o queixo daquele senhor de idade, o acertando em cheio e fazendo sangue escapar, enquanto a cabeça dele subia com tudo. O amigo do Drakos, sorrindo, respondeu:

— Ah, é? Bem… eu acho que prefiro desse modo!

De maneira rápida, o senhor chutou a cara do ciborgue, pegando impulso e se aproximando da bateria do robô gigante. Se segurando em um dos fios da parede, o homem-igualador fechou o seu punho com força, acertando um soco potente na bateria. O ataque atravessou o vidro da mesma, destruindo o núcleo radioativo, enquanto a mão direita dele era totalmente queimada e derretida até os ossos.

— RETARDADO! O QUE ESTÁ FAZENDO?!

Questionou o radical religioso, enquanto observava o herói de guerra cair no chão, enquanto a mão direita dele caía de imediato do seu pulso. Veyron, sorrindo, respondeu:

— Dando um fim digno a nós dois… mortos, por nossas próprias invenções!!

Raoh observou em silêncio por alguns segundos, enquanto a luz verde se tornava mais intensa, cegando qualquer um com olhos normais de forma imediata. O ciborgue, enfurecido com aquilo, gritou:

— NÃO, EU ME RECUSO!!

Do lado de fora, Carmen assistiu o brilho verde escapar através do metal, se assustando com aquilo e correndo para o mais longo que conseguia, enquanto carregava o Henrique consigo. Em poucos segundos depois disso, a máquina finalmente colapsou, explodindo e evaporando tudo num raio de quatrocentos metros do epicentro da explosão, espalhando uma onda de choque e destruição por mais um quilômetro e meio. A selvageria daquilo, fez a Houer voar por alguns metros, a derrubando brutalmente no chão. Ao longe, já em sua forma normal, a mulher poderia observar uma nuvem de cogumelo se formando, assistindo incrédula a cena, enquanto dizia:

— Senhor… Veyron…

Os lábios da jovem, tremulavam a cada palavra que a mesma dizia, enquanto lágrimas começaram a sair do canto dos seus olhos, sendo seguidas por um grito de desespero, que marcou o fim daquele combate:

— SENHOR VEYROONNN!!!!