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Capítulo 2.5

A Detetive Já Está Morta — novelmania.com.br · All chapters

Capítulo 2.5

2.5 O lado da Yui

Depois que Kimizuka e Nagisa partiram para Londres, e a Srta. Kase e Charlie saíram, Bat e eu continuamos no apartamento da Srta. Kase.

Ainda estávamos ali porque Bat iria me submeter a um treinamento especial, com a esperança de despertar a habilidade do meu olho esquerdo. Esse era o plano, mas...

"Ah, esse aqui também é de primeira linha."

Bat havia tirado vinhos tintos com aparência caríssima da adega e agora fazia sua própria sessão privada de degustação, sorrindo satisfeito. O que aconteceu com o treinamento especial, hein?

"A Srta. Kase não vai ficar brava se você abrir o vinho dela sem permissão?", perguntei, sentando-me bem na frente dele.

"Não me importo. Aquela mulher me manteve trancado por eras. Não acha que mereço um pouco de luxo?" Bat girava suavemente o vinho na taça.

Sua atitude relaxada o fazia parecer um homem mais velho bastante desinibido e estiloso. Ele se comportava como um adulto maduro, algo que o Kimizuka provavelmente não conseguiria fazer nem em sonho.

"Não, não, você não vai me enrolar tão fácil assim! E o meu treinamento especial, hein?! Vamos lá!"

Abandonando meu papel habitual de piadista, comecei a pressionar o Bat por respostas.

"Vamos começar logo esse arco de treinamento! Em qual montanha vamos nos refugiar?! Quando é que eu vou meditar embaixo de uma cachoeira?! Será que vou precisar levar maiô?! Ah, mas fotos sensuais iam preocupar meu pai e minha mãe lá no céu, então melhor não!"

"Havia tantos problemas nesse monólogo que nem sei por onde começar."

Ora, ora. Parece que em algum momento trocamos de papéis.

"Não me apresse, tudo bem? Ainda tenho tempo pra terminar esta taça."

Com a calma de quem parecia ter total domínio sobre tudo que o futuro reservava, Bat girava lentamente o vinho na boca.

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“Então por que você se ofereceu pra ser meu instrutor, Bat?” Se ele não ia começar o treinamento, então devia estar tudo bem bater um papo enquanto isso. Sim, essa era uma oportunidade rara.

Eu queria conversar sobre todo tipo de coisa com esse homem mais velho e estiloso.

“Já expliquei que temos um interesse em comum em derrotar a SPES. ...Bat era bem frio, no entanto.

Que estranho. O Kimizuka provavelmente já teria falado até cansar nessa altura. Não que eu me importe com o tipo de pessoa que sai numa viagem internacional com outra mulher assim, do nada.

“No entanto, já que estamos aqui... Tenho uma pergunta pra você,” disse Bat, colocando sua taça de vinho de lado. “Você realmente não quer vingar seus pais?”

Ele já tinha bebido bastante, mas não fez essa pergunta por influência do álcool. Parecia genuinamente interessado. Talvez até tivesse armado toda essa situação só pra perguntar isso... Não, tô exagerando.

“Mesmo se um inimigo mortal da sua família ou dos seus amigos estivesse bem na sua frente, você não puxaria o gatilho?” Bat perguntou de novo.

“Hmm, não sei. Na última vez, nem você nem o Camaleão tinham os machucado diretamente, então... A menos que aconteça de verdade, não posso dizer com certeza.” Eu estava me lembrando do incidente no telhado da emissora, outro dia.

“Entendi. Que sangue-frio o seu.”

“Sangue-frio mesmo? Acho que só consigo falar isso porque não estou diante de um inimigo agora. Peguei o microfone em vez da arma, mas isso não quer dizer que eu não pegaria a arma de novo, se fosse preciso.”

“Então você não vive pela vingança, mas também não descartou completamente a ideia?”

“Isso mesmo. No fim, acho que tudo se resume ao que eu quero fazer.”

Era algo arrogante de se dizer. Eu tinha dito algo parecido pro Kimizuka, mas ainda estava indecisa naquela época. Agora que passei por tudo aquilo, e o Kimizuka me deu apoio, consigo dizer isso com confiança.

“É por isso que não vou construir minha vida em torno da vingança. Quero viver do jeito que meus pais esperavam que eu vivesse.”

“E isso é diferente de se deixar prender pelos mortos?”

“Sim, é diferente.” É mesmo. Essa é a única coisa que eu posso dizer com orgulho.

“Afinal, é nisso que eu acredito agora!”

Esse pensamento com certeza é meu, uma vontade apenas minha, como se fosse minha convicção.

“Entendi,” murmurou Bat, pensativo. Então virou o resto do vinho num único gole.

“Hum... Isso respondeu sua pergunta? Acabei fazendo um monólogo...”

“Sim, foi bem esclarecedor. Também me mostrou que você ainda não conseguiu cortar o cordão umbilical.”

“P-por que você acha isso?! Você ouviu o que eu falei?!”

“Falei no bom sentido, então relaxa.”

“Adicionar ‘no bom sentido’ não é o suficiente pra me convencer, sabia?! Meu diferencial é que sou a personagem madura e capaz! Não me trate como uma criança!”

Sério, que velhote cruel. Fazer bullying com uma garota doce como eu! Ele é tão chato quanto o Kimizuka...

Aliás, olha só, continuo mencionando o Kimizuka mesmo ele estando longe. Esse homem é um cretino. Espero que volte logo.

“Ha-ha! Bom, agora que tivemos esse bate-papo agradável, vamos ao treinamento,” disse Bat, um pouco mais animado. Pelo menos estávamos indo para o que interessava.

“Escute, senhorita. A primeira coisa que vou te ensinar é uma das bases do movimento humano...”

“Ah, se isso for demorar, posso tomar um banho de imersão enquanto você fala? Se você ficar por aqui e falar alto, vou conseguir te ouvir!”

“Você é tão insolente que chega a ser refrescante.”

“Hee-hee! Essa foi boa!”

Foi um bom começo. É legal ter um amigo de outra geração.

Tinha certeza de que essa seria uma longa amizade entre mim e o Bat.

Ou... pelo menos, enquanto eu ouvia o que ele dizia, eu esperava que fosse.

“Ah, e a propósito, qual é o seu nome verdadeiro, Bat? Conheço um joguinho divertido que usa o nome da pessoa pra dizer a sorte.”

“Olha, nem sou eu quem deveria estar dizendo isso, mas... quando é que a gente vai começar esse tal de treinamento especial?”