Epílogo
Epílogo
Epilogo
Quando abri os olhos, vi um teto branco.
Meu nariz captou o cheiro de produtos químicos. Todo o meu corpo doía. Não demorei a perceber que estava em um hospital.
“Então você acordou, hein?”
A uma certa distância da cama, ouvi a voz grave de uma mulher. Ao virar a cabeça, meus olhos encontraram uma policial ruiva já conhecida. Fuubi Kase estava descascando uma fruta.
“Quer uma maçã?”
“...Só podia ser uma assassina. Coloca uma faca na sua mão e o resultado é de primeira,” murmurei, observando a fita extremamente fina de casca descascada da maçã. “E então? Quanto tempo eu fiquei apagado?”
Não havia luz do sol nas bordas da cortina. Isso significava que já se passara pelo menos meio dia.
“Hmm, cerca de quarenta horas,” respondeu a Sra. Fuubi, olhando o relógio. Aparentemente, eu tinha descansado ainda mais do que imaginava.
“Bem, você acordou antes da antiga Detetive Definitiva,” disse ela, antes de me advertir para continuar deitado.
“...Então, Sra. Fuubi. Por que está aqui?”
Ela começou a tirar um cigarro... e então o colocou de volta no maço. Estaria hesitando em fumar dentro do quarto de hospital ou...?
“Há três coisas que preciso te contar.”
Eu podia sentir os olhos da Sra. Fuubi sobre mim, mas enquanto ela começava a me atualizar, continuei fitando o teto.
“Primeiro: Charlotte Arisaka Anderson está na UTI, inconsciente.”
Durante o confronto no prédio abandonado, Seed havia arremessado Charlie de um estacionamento de três andares. Provavelmente ela já estava inconsciente quando caiu; não pôde fazer nada para amortecer o impacto. O fato de ainda estar viva era praticamente um milagre.
“Qual é a condição dela agora?”
“Não faço ideia. Não sou médica,” disse a Sra. Fuubi. Já a ouvira dizer isso antes.
“Agora tudo depende da força de vontade dela.”
Ela não explicou o que queria dizer com "força de vontade". Mas, ao pensar no que Charlie mais queria naquele momento, percebi que nem precisava perguntar.
“Segundo: acreditamos que Seed está com Yui Saikawa.”
Durante aquele mesmo confronto, cipós haviam surgido do nada. Engoliram Saikawa, e ela desapareceu.
“Ela está bem? Onde está agora?”
Seed pretendia usar Saikawa como receptáculo. Isso significava que ele não a mataria. Mas, se já tivesse tomado o corpo dela...
“Estou usando todos os recursos que tenho para encontrá-la. Mas, por ora, Seed não está fazendo nenhum movimento visível.”
“...Por outro lado, isso não garante que Saikawa esteja segura.”
Precisávamos descobrir uma forma de resgatá-la rapidamente, antes que fosse tarde demais.
“Então, Sra. Fuubi.” Sentei-me na cama.
“Onde está a Natsunagi?”
Ela já havia me contado sobre Charlotte e Saikawa. Restava apenas Natsunagi.
Ela havia enfrentado Seed sozinha, em meu lugar….
“Eu estava errada. Ela era uma detetive,” murmurou a Sra. Fuubi.
“Ela estava disposta a se sacrificar para cumprir seu dever. Herdou esse espírito de abnegação da antiga Detetive Definitiva. De nome e de coração, ela era….”
No instante seguinte, o rosto da Sra. Fuubi estava bem diante do meu.
“Qual é o sentido de me agredir?” perguntou.
Eu havia jogado os lençóis para o lado e a agarrado antes mesmo de perceber o que estava fazendo.
Eu sabia. Não precisava que ninguém me dissesse que era inútil. Só não queria ouvir aquela última palavra da boca de ninguém.
“Guarde esse soco para quem realmente merece recebê-lo.”
Com delicadeza, a Sra. Fuubi afastou minha mão de sua camisa. Em seguida, saiu do quarto de hospital sem dizer mais nada.
Fiquei apenas parado ali. Eu já sabia, na verdade. Só estava com medo de admitir.
“Natsunagi está...” A detetive já estava morta.