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Epílogo

A Detetive Já Está Morta — novelmania.com.br · All chapters

Epílogo

Uma semana havia se passado.

Pelos padrões escolares, as férias de verão já tinham acabado havia muito tempo, e as aulas, que eu, como de costume, tinha matado haviam recomeçado normalmente. Pelo calendário, já era outono.

Ainda assim, a luz que atravessava a janela continuava quente, e o sol da tarde brilhava com intensidade. Por isso, fechei as cortinas finas do quarto de hospital.

"Ei, você está ouvindo?", disse uma voz rouca de mulher do outro lado da linha.

Claro que era a policial ruiva, Fuubi Kase. Tinha a impressão de que ela vinha me ligando com frequência demais ultimamente. Será que tinha se apaixonado por mim?

"Sim, estou ouvindo. Você estava falando sobre a polícia querer me dar uma condecoração, por eu ser o super estudante do ensino médio que salvou o mundo."

"Isso nem existe." Ah, não?

"É sobre o Seed." Suspirando com leve irritação, a srta. Fuubi trouxe à tona o inimigo do mundo que havíamos derrotado algumas semanas antes.

"Aquela árvore enorme onde ele está dormindo é realmente um pouco especial."

Ela se referia à gigantesca árvore que havia engolido o shopping no centro da cidade. Mais cedo, mencionara que a árvore onde Seed estava selado continha átomos jamais vistos pela humanidade. Ao que parecia, a investigação havia avançado um pouco.

O assunto estava muito além da minha compreensão. Ainda assim, a Detetive Ás havia passado anos lutando contra a Semente Primordial, então aquilo não era algo totalmente desvinculado dela. Eu tinha a sensação de que não poderíamos ignorar aquilo para sempre.

"Yggdrasil." A srta. Fuubi soltou, de repente, uma palavra de sonoridade estrangeira.

"De onde veio isso?"

"É o nome que deram à árvore. Já que ela está sob observação e tudo mais." Do outro lado da linha, ouvi o som dela soltando a fumaça do cigarro.

Yggdrasil, também conhecida como a Árvore do Mundo na mitologia escandinava, era descrita como uma árvore colossal que abrangia nove mundos, sendo um deles o nosso. Será que a humanidade acabaria coexistindo com aquela coisa para sempre? E como isso nos afetaria?

"Desculpe, srta. Fuubi. Meus amigos devem chegar em breve."

Aquela pergunta não tinha uma resposta simples nem imediata. Olhei para o relógio e me preparei para encerrar a ligação.

"Ha! Nunca pensei que ouviria você dizer essa palavra."

"Bem, as pessoas mudam", respondi, ouvindo do outro lado um suspiro incomumente animado.

"Certo, até mais."

"Sim. Mande lembranças à detetive ás." Sem especificar qual delas, a srta. Fuubi desligou.

Como se estivesse cronometrado, a porta do quarto de hospital se abriu com um leve estrondo.

"Siestaaaa! Viemos te visitar... Ah, você está aqui também, Kimizuka. Imaginei que estaria."

A garota que entrou primeiro foi Yui Saikawa, a idol mais fofa do mundo. Com um pequeno sorriso, ela alternou o olhar entre a garota que dormia na cama e eu, que estava ao lado dela.

Estávamos no hospital administrado por Stephen, o Inventor. Eu estava ali desde aquela manhã, visitando Siesta.

"Ele sempre está. Não importa quando eu venha, esse cara também está aqui." A garota loira que entrou logo depois de Saikawa cruzou os braços e suspirou ao me encarar. Estranho; depois de certa situação recente, eu achava que fôssemos melhores amigos.

"Opa! Ei, com licença, vocês duas! Deixem eu passar! Vou só colocar isto na mesinha!"

Nagisa Natsunagi foi a última a entrar, carregando uma cesta cheia de frutas. Ela havia recebido alta oficialmente e agora era quem vinha visitar uma amiga no hospital.

"Obrigado, vocês três", eu disse. Natsunagi estava frequentando a escola, Saikawa trabalhava como idol e Charlie tinha vários compromissos. Ainda assim, sempre que podiam, vinham visitar Siesta.

"Hum...?" No entanto, Saikawa inclinou a cabeça, intrigada. Por algum motivo, as três pareciam confusas, ou até um pouco incomodadas.

"Por que você está agradecendo só por termos vindo visitar a senhorita, Kimizuka? Afinal, o que você é dela, hein?" Charlie me lançou um olhar pegajoso.

"Você não tem ido à escola, Kimizuka. Está seeeempre aqui com a Siesta", acrescentou Natsunagi.

Saikawa e as outras apontaram para mim, reclamando. Que exagero. Do que exatamente estavam bravas?

"Cuidar da minha parceira faz parte do meu trabalho, não faz?" Ao dizer isso, eu olhava para Siesta.

Siesta estava dormindo havia uma semana. Até agora, não houvera mudanças drásticas, e o crescimento da semente parecia estar suprimido. Um dia, destruiríamos aquela semente sem prejudicá-la, ou encontraríamos outra forma de despertá-la em segurança. Esse era o meu desejo, e o objetivo da nossa história naquele momento.

"Sua parceira, é?" Quando percebi, Natsunagi estava me encarando de perto.

"O quê?"

"Ahhh, nada." Tsc. Injusto.

"...Heh-heh."

Eu não tinha dito nada em voz alta, mas ela provavelmente adivinhara o que eu estava pensando. Sorrindo, ficou me observando por um bom tempo. Por fim, levou a mão aos cabelos curtos, ajeitou-os atrás da orelha e desviou o olhar.

Essa vinha sendo nossa rotina diária desde que Siesta adormecera. Naquele dia, algo havia mudado de forma decisiva. No entanto, outras coisas permaneciam iguais. Talvez eu já tivesse um pé nessa nova rotina  que definitivamente não tinha nada de morna.

"Mesmo assim, estamos com pouco tempo. Precisamos sair em breve", disse Charlie, conferindo o relógio.

Depois disso, partiríamos em uma jornada rumo a um certo destino.

"Os quatro viajando juntos! Mal posso esperar!" Saikawa girava no próprio eixo, radiante com a ideia da nossa viagem de três dias.

"Você sabe que não vamos a passeio, né..."

Estávamos atendendo a uma convocação do Governo da Federação. Eles realizariam um conselho consultivo a respeito da decisão de Natsunagi de herdar o título de Detetive Ás, e nós a acompanharíamos, aproveitando o feriado prolongado de setembro. Desta vez, o encontro seria em Singapore.

"Será que vou ter a chance de usar meu maiô novo...?"

"Você é a figura central aqui, mas parece ser quem está mais se divertindo com isso", comentei. Natsunagi me lançava um olhar que me causava um forte déjà-vu.

"Você também quer ver meu maiô, não quer, Kimizuka?"

Afinal, eu não tinha conseguido vê-lo no navio de cruzeiro… Nesse caso, sim.

"Bem, acho que podemos nos dar ao luxo de separar um dia para diversão." Ao dizer isso, um sorriso brilhante como o sol de verão iluminou seu rosto.

"Certo, vamos?" Saikawa esticou os braços em direção ao teto.

"Voltaremos logo, Siesta!" Acenando energicamente, ela saiu do quarto do hospital. E então...

"Senhorita, virei de novo assim que voltarmos, eu prometo! Que tipo de lembrança você quer? Carne? Certo, vou comprar muita carne para você!"

Charlie falou com Siesta no mesmo tom de sempre... mas, com um sorriso levemente triste, beijou a mão direita dela e deixou o quarto.

"No fim das contas, eu fui a que menos pôde vê-la", murmurou Nagisa Natsunagi, fitando o rosto de Siesta.

"Havia tanta coisa que eu queria contar a ela... e até discutir com ela..."

A única vez que Natsunagi encontrara Siesta fora naquele campo de batalha final. Ter duas Detetives Ás no mundo ao mesmo tempo era, ao que parecia, ainda mais difícil do que eu imaginara.

"Ainda assim, nós vamos nos reencontrar algum dia." Natsunagi pressionou os lábios com determinação.

Siesta e Natsunagi haviam se conhecido seis anos atrás, e depois, novamente, no ano passado. Do fundo do coração, eu esperava poder ver as duas se reencontrarem outra vez.

"Eu vou... Não, nós vamos encontrar uma forma de acordar você, eu juro. Espere por nós. Até lá, pode deixar a vontade da Detetive Ás comigo", prometeu ela a Siesta.

Em seguida, lançou-me um último olhar e saiu do quarto.

"Singapura, hein? Nós fomos lá juntos, há muito tempo."

Recordei aquelas memórias distantes. Brincamos na praia, passamos pelos cassinos... mas, como sempre, acabamos envolvidos em incidentes absurdos. Era a nossa típica aventura cheia de problemas, ao mesmo tempo nostálgica e algo que eu nunca mais queria repetir.

"...Mesmo assim. Um dia, só mais uma vez..."

Iríamos a algum lugar, apenas nós dois. Lembrei-me da promessa que fizemos em Nova York, enquanto assistíamos ao musical.

"Certo, eu volto logo." Eu era o último no quarto. Observando o rosto sereno de Siesta, disse:

"Acho que vamos demorar quatro dias até nos vermos de novo."

Relutava um pouco em deixá-la.

Não houve resposta. Claro que não houve.

A detetive já estava….

Não. Não estava. Isso mesmo. Não havia motivo para tristeza ou inquietação.

Afinal, a detetive não está mais morta.

Ela apenas decidiu tirar um sono longo... muito longo.

Traduzido por Moonlight Valley

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