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Capítulo 173 de 24 – O… sêmen…

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Capítulo 173 de 24 – O… sêmen…

O clã Zura proclamava-se soberano entre todos os povos, dono de uma força que julgava inabalável. No entanto, escondia em seu sangue um fardo antigo: a dificuldade de gerar herdeiros.

Enquanto nos homens e mulheres comuns a vida brotava com relativa facilidade, entre os Zuras cada nascimento era visto como um milagre raro, celebrado como vitória sobre a própria natureza.

As mulheres da primeira linhagem, guardiãs da chama primordial, sofriam mais que as demais. Essa chama, invisível ao olhar, ardia no íntimo de cada célula. A pele mantinha a aparência comum, mas por dentro o corpo sustentava um calor contínuo.

Os órgãos não escapavam a tal condição, principalmente os estômagos, que guardavam a essência do núcleo do fogo.

Mas o maior sacrifício recaía sobre a semente da geração. Os óvulos.

Por trazerem em si um calor mais intenso que o das mulheres comuns, viam-se marcados por uma maldição silenciosa. O sêmen, ao entrar no corpo das mulheres, queimava-se pouco a pouco, consumido antes mesmo de alcançar o destino.

Os espermatozoides dos homens do clã, pareciam resistir em parte ao fogo que os devorava, mas nem sempre bastavam. Muitas vezes, o óvulo, em vez de acolher a vida, dissolvia-a em vapor.

Assim, ao longo das gerações, o clã manteve-se fechado em si, buscando no próprio sangue a única esperança de perpetuação. E foi nesse ciclo antigo que Dam e Loi se encontravam.

Após tantas vezes derramar-se dentro daquela que o acompanhava, viu nascer em sua mente uma suspeita inquieta: talvez fosse ela a mesma figura que, nas sombras da memória, sempre lhe apareceu.

Embora pudesse cessar, Loi deixou-se levar pelo desejo que a consumia. Assim permaneceram até que a claridade do sol invadisse a tenda. Depois, jaziam lado a lado, fitando o teto em silêncio.

O tesão do instante esvaíra-se, e no lugar dela surgiu a vergonha. Quando os olhares se cruzavam, logo se desviavam, como se cada um buscasse negar o que aconteceu.

Com o corpo úmido, ergueu-se sem dizer uma palavra. Limpou-se com o pano amarrotado da cama, vestiu as roupas e deixou o lugar em passos apressados. Na outra tenda, junto de Léo, recolheu-se em posição de meditação. O calor, já crescente em sua carne, fazia o ar mover-se ao redor, como se o vento obedecesse à chama escondida em seu íntimo.

Loi sabia que as chances de gerar uma vida eram escassas, ainda assim o temor não a deixava em paz. Dam mostrou-se mais feroz do que supunha, e dentro dela permanecia o peso de seu sêmen, como lembrança ardente da noite.

O vento ao redor começou a ganhar força e acompanhou o calor que se erguia de sua carne. Por dentro, o calor crescia, queimando. No íntimo, o óvulo, abrasado pela chama, reduzia a cinzas cada semente que ousava aproximar-se.

Permaneceu imóvel por uma hora inteira, até que não restasse a menor possibilidade de conceber o filho do próprio irmão. Era uma prática antiga, transmitida entre as mulheres da primeira linhagem.

Usavam-na como salvaguarda, pois muitas buscavam o prazer com os descendentes da terceira linhagem, mas recusavam-se a aceitar em seus ventres uma cria que julgavam inferior.

Depois de terminar, respirou aliviada e pensou:

— Se eu não engravidar… não tem problema, né?

De súbito, a entrada da tenda ergueu-se. Loi, atenta, fitou a figura com desconfiança. Era Max. O sorriso que ele lhe lançou não a tranquilizou; ao contrário, aguçou-lhe a cautela e despertou-lhe a cólera.

O intruso percorreu o espaço com os olhos, como quem buscasse algo escondido. Aproximou-se, desatou as amarras de Léo e, nesse instante, sentiu nas costas a presença de uma fúria escondida, pronta a despedaçá-lo. Assim que libertou Slother, declarou:

— Bom dia, princesinha.

O demônio limitou-se a fitá-lo com ar de reprovação, calado como pedra. Max percebeu que a própria graça perdeu o efeito, indagou:

— Então… faltam quantos dias para chegar?

— Não faço ideia.

— Humm… és meio inútil, não é?

— Diga o que quiser.

Max puxou-o pelo cabelo e se aproximou de Loi:

— Só queria dizer que tudo aquilo que aconteceu… mesmo que não tenha sido eu… não me arrependo de nada.

— Quê?! — perguntou, incrédula.

Ele segurou o queixo dela, firme:

— Você mereceu. E eu faria tudo de novo.

Loi afastou a mão dele com rapidez e recuou. Max cheirou a própria mão, esboçou um sorriso de canto de boca e começou a se afastar, enquanto pensamentos cruzavam sua mente.

Putz! ela foi saciada.

Ao sair, Max percebeu Dam saindo da própria tenda, os olhos pesados, iguais aos de Loi. Ao notar que Max o observava com um sorriso, perguntou:

— Que foi?

— Nada não.

Max arremessou a cabeça na direção dele, mas Dam nem se deu ao trabalho de segurá-lo, deixando o demônio tombar no chão. Naquele instante, Slother jurou para si mesmo que mataria aquele insolente desgraçado.

Dam percebeu, por um instante, que Max talvez tivesse notado tudo o que ocorreu durante a noite, mas não se preocupou. Ainda assim, um leve alívio o percorreu; não foi Max quem ultrapassou os limites com ela, mas ele próprio.

Ele mantinha o sorriso enquanto refletia, até que Loi saiu da tenda. Por ironia do destino, seus olhos se encontraram, mas ela logo desviou o olhar, procurando qualquer ocupação que distraísse o instante.

Ela caminhava trêmula para outro lado, quando Dam, de repente, invocou uma de suas namoradas e começou a fiscalizar cada movimento. Slother, imerso em pensamentos, ponderou:

Eu não mereço essa tortura.

Ao perceber que Loi havia desaparecido de sua vista, voltou os olhos para Slother, ainda caído no chão, e notou algo que o fez gelar por dentro. Havia-se entregado àquela mulher diversas vezes, e, ao contemplar o demônio ali, a imagem de uma criança surgiu em sua mente. Pálido, arrependeu-se do que fez, mesmo reconhecendo que foi gostoso.

Na cabeça, dezenas de crianças aproximavam-se e estendiam braços. De repente, Dam caiu de joelhos, incapaz de acreditar que teria de cuidar de tanta vida — e, mais ainda, que ele seria pai e Loi, mãe.

Ele levou a mão à boca, os dentes trêmulos de ansiedade. Sabia que precisava resolver aquilo e, sem pensar, correu até ela. Ao perceber sua aproximação, ela se preocupou; jamais tinha visto Dam com aquele semblante.

— Loi… isso… você fez?

— Fez o quê?

— O ritual… você sabe… — disse, com o rosto queimando. — Nós fizemos… eu coloquei… lá… entendeu?

— Colocou lá? — perguntou, confusa.

— O… sêmen…

Naquele instante, Loi corou intensamente e tentou falar, mas as palavras saíam desconexas. Incapaz de suportar a vergonha, afastou-se em correria. Dam, tomado pela preocupação, correu atrás dela, determinado a evitar que aquele futuro desastroso se concretizasse.