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Capítulo 192 de 13 – Ui…

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Capítulo 192 de 13 – Ui…

Desde a primeira vez que o viu, ela se sentiu feliz. Ele era parecido com ela em aparência, e isso chamou sua atenção. Quis conhecê-lo mais, saber principalmente o que ele pensava sobre ela.

Sempre sonhou com o momento em que poderia ler os seus sentimentos. Por isso, intensificou os seus treinamentos, na esperança de ganhar mais uma bênção. Ao adquirir a forma profana, pensou que estava mais perto do amado, mas ainda assim não conseguiu entender.

Às vezes, ele parecia se importar; outras vezes, não dava atenção. Ui queria entender. Ao adquirir a transformação, ela sentiu que dessa vez o entenderia, mas não aconteceu. Tudo mudou quando uma parte da Lei dos gêmeos entrou em seu corpo. Algo nela despertou e, desde aquele momento, ficou feliz.

As pessoas ao seu redor emanavam sentimentos. Era difícil distinguir quando não eram direcionados a ela, mas conseguia compreender. Havia vários tipos ao redor: amor, esperança, orgulho, alívio, empolgação e muitos outros.

A mestiça logo olhou para Izumi e tentou entender o que ele sentia, mas nele havia apenas ódio, raiva, angústia, culpa, solidão, tristeza, medo, ansiedade e arrependimento. No entanto, entre todos esses sentimentos negativos, havia um diferente, escondido no fundo. Ela focou sua energia até conseguir percebê-lo: o alívio.

Naquele momento, sorriu de canto ao observá-lo e o entendeu um pouco mais. Durante a viagem, começou a sentir esperança nele, ainda que fraca. Quando um demônio aparecia, outras emoções cresciam: empolgação, orgulho e confiança.

Ui estava feliz, muito mesmo, até o dia em que o amado perdeu a luz dos olhos. Antes, perto dela, Izumi se mostrava esperançoso; desde então, passou a odiar estar ao seu lado.

O que fiz de errado?

A mestiça não entendia. Tudo o que havia feito era o que sempre fazia. No início, ele a odiava, mas não se afastava. Tudo se tornou mais preocupante quando passou a se distanciar e já não a olhava.

O coração não suportava todo aquele ódio. Antes, era mais fácil suportar, pois ela não sabia ao certo o que ele sentia.

Eu odeio isso… não… não quero mais…

Em um canto, sozinha, ela se lamentava, e lágrimas escorriam de seu rosto. Era difícil aceitar não ser amada por ninguém. Apenas continuar vivendo já era difícil, mas precisava disfarçar. No entanto, havia esquecido que Ziro sempre esteve ali e escutava todas as suas agonias.

— Aquele inseto maldito — resmungou alguém, irritado.

— Ziro? — perguntou, enquanto limpava os olhos, surpresa. — Você estava aqui.

— Sempre estou — respondeu, firme e sereno.

— Realmente — confirmou, tentando disfarçar o alívio.

— Se eu fosse forte… — lamentou. — Eu bateria naquele inseto até ele abrir os olhos.

— Obrigado, Ziro — disse, com gratidão.

O tempo passou, e Ui usava o amigo para se apegar à vida que perdia o sentido. Já havia perdido o amado anterior, e ser odiada por quem amava pesava em seu coração, como se o peito se tornasse pesado e quisesse se romper.

Muitas vezes, pensou em se matar, mas havia pessoas que se importavam com ela e nunca a odiaram, ao menos em sua percepção. Ainda assim, ver que a pessoa que mais amava a odiava dificultava apenas estar por perto.

No entanto, precisava continuar se mostrando alegre para todos. Quando aquele homem, na cidade destruída, morreu, passou por sua cabeça se encontraria paz ao morrer com várias estacas no corpo. A mestiça também pensava que talvez assim Izumi se importasse mais com ela, ou até a amasse como ela o amava.

Desde aquele dia, evitava olhar para o amado, mas não conseguia deixar de se importar. A todo momento, sentia o ódio dele.

Em certa noite, Ui se afastou do grupo e ajoelhou no chão. Como Ziro não estava por perto, pensou:

Por que não?

Com extrema força, apertou o pescoço e começou a estrangular. Memórias felizes com Izumi passavam por sua cabeça, e isso a fazia apertar ainda mais, até começar a sangrar.

O corpo caiu no chão, mas não parou, até que lágrimas escorreram dos olhos. Começou a chorar intensamente, dizendo:

— Eu não consigo… eu não posso morrer ainda… me desculpe…

Ela voltou ao grupo como se nada tivesse acontecido e continuou vivendo.

Um raio de luz penetrou seu coração quando Izumi interagiu com ela. A voz dele não parecia a de alguém que a odiasse.

Naquele momento, Ui começou a acreditar que realmente havia algo nele, mesmo ao sofrer com seu ódio a todo instante. Aquela interação a salvou, até os dias atuais.

Quando o mestiço arrancou uma das pernas do tigre branco com pura força, Max aproximou-se.

— Vais comer tudo isso sozinho? — perguntou, com o estômago a roncar.

Ele olhou ao redor, e até o estômago de Dam roncou em ressonância com o líder. O mestiço logo soltou o grande pedaço no chão e se afastou, mas, nesse momento, os olhos deles se cruzaram, e Izumi sentiu a energia opressora crescer dentro dela.

Izumi é tão lindo!

Não aguentando mais, ele se aproximou. Ui, naquele momento, ficou empolgada. Fazia muito tempo que ele não se aproximava, e a mestiça ficou muito feliz.

— Já faz tempo que estou querendo dizer isso — falou o mestiço, com a voz firme. — És muito irritante!

— Irritante? — respondeu, surpresa.

Naquele momento, o coração dela apertou forte. Sentiu que aquilo não iria parar, mas, em seu pensamento, pedia para ele parar.

— Pare de ficar me olhando. Isso me dá nojo — disse, a voz cheia de repulsa.

— Eu… só queria… — lamentou, com lágrimas acumulando nos olhos.

— Fica me observando o tempo todo, qual é a tua? Para de fazer isso antes que eu perca o controle e te mate — advertiu, com o tom ameaçador.

— Me… mate? — perguntou, surpresa e assustada, quase sem acreditar nas palavras que ouviu.

Ao olhar o rosto do amado e o que ele sentia, Ui sabia que tudo que dizia era verdade, e isso a deixou ainda mais abalada. Pensou que deveria ter morrido antes, para não precisar passar por aquilo. Com lágrimas escorrendo, disse:

— Me desculpe, eu vou parar.

Enquanto Izumi virou de costas e começou a andar, os joelhos dela tocaram o chão, e as lágrimas continuaram a cair. Parecia que seu mundo havia paralisado naquele momento. Ela desejou voltar à época em que não podia sentir os sentimentos das pessoas, quando ainda era feliz.

Idalme, frustrada com a situação, aproximou-se do mestiço, segurou-o pelo ombro e gritou:

— Izumi, por que tinhas que dizer isso? Ela te observa bastante porque te am…

A mestiça, sentindo que as coisas podiam piorar, saiu rapidamente de seu estado paralisado e interrompeu:

— Pare!!! — gritou. — Não piore as coisas pra mim, Idalme…

— Ui…

O mestiço olhou para ela pela última vez e continuou andando, decidido e sem arrependimentos pelo que havia feito. A mestiça, que o observava cada vez mais distante, já pensava na forma como morreria depois.

Mesmo assim, algo fraco, quase imperceptível, surgiu no Izumi: culpa. Ui percebeu essa pequena fissura em sua armadura emocional. Limpou os olhos, enxugou as lágrimas e sentiu uma faísca de determinação reacender dentro de si. Decidiu que iria buscar respostas, que não se deixaria dominar pelo desespero e que precisava compreender o que se passava naquele coração distante.