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Capítulo 189 de 10 – Mais de cinco anos?

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Capítulo 189 de 10 – Mais de cinco anos?

Os dias passaram, e a aventura avançou, mas ainda estavam longe do destino. Incrivelmente, o número de demônios diminuiu cada vez mais à medida que avançavam. Tirando a falta de água em quantidade necessária, as coisas correram bem.

No entanto, o mestiço estava preocupado com a própria situação. Mesmo com a bandana, sua aura ainda era drenada cada vez que usava as habilidades Iz. Quanto mais usava, mais a quantidade de aura gasta aumentava. Ao perceber isso, Izumi parou de usar.

Ele ainda se achava forte o bastante para não depender de mais poder. Todavia, mesmo sem usar, sua aura continuava a diminuir e, em sua percepção, se continuasse assim, em uma semana se esgotaria totalmente.

Não tinha certeza do que poderia acontecer se esgotasse toda a sua aura, mas uma coisa ele tinha certeza: se acontecesse, não seria o mesmo de antes.

A sensação de que alguém dentro dele pudesse retornar o fez tremer diante do que aquilo poderia fazer com o próprio corpo. Lambeu os lábios e pensou consigo mesmo:

De novo… vou depender dessa coisa?

Na mão dele estava um grande pedaço de carne de um demônio javali misturado com alguns coelhos, e a aparência era grotesca. Naquele momento, começou a se questionar.

— Como… como eu comia isso?

Hesitante, colocou o pedaço na boca. Mesmo sem sentir gosto algum, seu corpo reagia com nojo a cada pedaço que mastigava.

— Tudo… pela aura — disse, mastigando.

Depois de devorar tudo, a aura não aumentou muito.

— Droga, esse já era demônio há muito tempo.

Sim, quanto mais tempo passava como demônio, menos aura possuía, e ele não conseguia distinguir isso apenas pela energia negativa dos inimigos. Um demônio podia parecer forte e ser recém-criado, ou parecer fraco e ser um antigo.

Durante a viagem, continuou observando isso enquanto ignorava Ui. Passaram-se alguns dias, e Dam desmaiou de fraqueza. Pelo visto, não suportava as corridas diárias e, com a alimentação escassa, seu corpo não aguentou e tombou.

— Inútil! — disse Izumi.

— Izumi, deixa que eu o carregue dessa vez — declarou, enquanto colocava o atirador nos ombros.

O mestiço, vendo isso, aproximou-se dela após tanto tempo. Naquele momento, Ui corou com a aproximação súbita enquanto ele analisava seu corpo. Ao fitar seus olhos, ela só percebeu indiferença naquele olhar.

— Não! — declarou, enquanto tirava Dam dos ombros dela.

Naquele instante, o coração dela disparou de preocupação. O amado a olhava como se fosse um humano insignificante. Antigamente, não conseguia perceber o que ele normalmente sentia, mas agora, estando no mesmo patamar, podia sentir os sentimentos dos outros, principalmente os direcionados a si.

Ele me odeia?

Rapidamente, ela bateu forte as bochechas e começou a negar o que sentia. Izumi, por sua vez, se perguntava o motivo de agir daquela forma, visto que, sem um peso morto para carregar, seria mais benéfico para ele. Mas por que não o fez? Nem ele sabia.

Depois de algumas horas, Dam acordou e se sentiu mal por ser carregado por alguém de quem não gostava nem um pouco. Queria se movimentar, mas logo percebeu que o corpo estava fraco demais.

— Se acordou, então se mexa — ordenou Izumi.

— Não consigo, o meu corpo está dormente — respondeu.

A cada vez que Dam percebia estar sendo carregado por quem odiava, lembrava-se dos últimos momentos que teve com os gêmeos. Tentava abrir a boca para dizer algo, mas hesitava, e isso continuou até hoje.

— Se tem algo a dizer, diga e pare de murmurar nas minhas costas — disse Izumi, a voz firme.

— Por quê? — murmurou Dam, a dúvida atravessando seu olhar cansado.

— Hum? — Izumi franziu a testa, desconfiado.

— Por que não matou eles? — insistiu, a voz quase inaudível.

— Tá falando dos gêmeos? — perguntou, com uma ponta de curiosidade que se escondia atrás da impassibilidade.

— Sim… — respondeu Dam, com hesitação.

— Já ouviu a expressão olho por olho? — Izumi inclinou levemente a cabeça.

— Hum? O que isso tem a ver? — perguntou, confuso, buscando entender a razão por trás das ações dele.

— Quer dizer que só não os matei por causa dessa bandana, mas não se engane, não foi somente por isso — explicou, firme, com um peso nas palavras.

— Hum? — repetiu, ainda sem compreender totalmente.

— Não precisas saber — respondeu, encerrando o assunto e deixava no ar a certeza de que algumas respostas não seriam dadas tão facilmente.

Dam cerrou os punhos e apertou mais forte os dentes, mas logo se acalmou. A viagem continuou e, após um mês, chegaram aos destroços de uma cidade destruída. Muralhas caídas e outras prestes a desabar. Ao passar pela cidade, viram muitos ossos espalhados pelo chão.

— O que aconteceu aqui? — perguntou Max, olhando brevemente em volta, surpreso com a destruição ao redor.

— Isso é horrível — disse a peituda, a voz trêmula. — Essa cidade parece tão grande quanto Mangolândia.

— Parece que a cidade foi destruída por um ataque, com toda a população ainda dentro — observou Dam, com um tom sombrio.

— Quem fez isso deve ter sido um demônio muito poderoso — alertou Ui, os olhos atentos a qualquer sinal de perigo.

— Sim — concordou Max, sério. — Poderia ser uma das sete energias poderosas.

— Irrelevante, eles somente não tiveram sorte — disse Izumi, balançando a cabeça.

— Eu sinto cheiro de um humano — avisou a mestiça e correu em direção à origem do aroma.

Todos seguiram em frente e avistaram um humano encostado, com várias estacas pretas cravadas no corpo.

— Idalme, pode curá-lo? — perguntou Ui.

— Sim… — respondeu, hesitante, como se não tivesse certeza.

— Não — negou o ser de meia-idade, com o corpo todo sujo e ensanguentado.

— Esse homem já está morto! — declarou Izumi, o olhar fixo, avaliando cada detalhe.

— Hahaha! O garoto está certo — riu, uma risada rouca e estranha.

— Como? — perguntou Idalme, surpreso. — Será que és um demônio?

— Demônio? Não me misture com essas coisas — respondeu o coroa, desdenhoso.

— Ele não é um demônio — informou Ui, avaliando a cena com cuidado. — Ele parece mais um cadáver que ainda está consciente.

Max colocou a mão na boca enquanto observava ao redor. O homem ferido, ao perceber que era analisado, sorriu pelo canto da boca e pediu:

— Por favor, me matem! — implorou.

— Quê?! — Todos ficaram surpresos pelo pedido, exceto Izumi, que permaneceu calmo, avaliando a situação.

— Negarás a existência! — declarou Izumi, firme, quase como uma sentença.

— Izumi? — perguntou Max, surpreso.

O mestiço cambaleou para trás, segurando a cabeça. O seu irmão olhou para ele e perguntou se estava bem. No entanto, ele não respondeu e pensou:

O que aconteceu comigo? Eu não falei isso…

— Senhor, poderia me dizer o seu nome? — perguntou Max, enquanto observava cada movimento do coroa à sua frente.

— Hahaha! Se eu fosse vocês, voltaria para casa. Todos que passaram por mim nunca mais retornaram — respondeu o homem, rindo de forma estranha.

— O que queres dizer com isso? — perguntou, intrigado.

— Muleque, sabe como se chama essa cidade hoje em dia?

— Não — respondeu.

— Cidade dos murmúrios! — declarou.

— Murmúrios? — questionou, surpreso.

— Sim. Eu estive aqui quando aconteceu. Durante nove dias, os corpos mortos de todos os cidadãos murmuravam de dor e imploravam para morrer — explicou ele, os olhos distantes, como se revivesse a tragédia.

— Isso quer dizer que eras um habitante dessa cidade? — perguntou Max, sentindo um frio percorrer sua espinha.

— Inteligente. Sim, eu estou aqui desde a destruição da cidade. Já perdi a conta de quanto tempo estou preso aqui. Veja o meu pescoço — explicou ele, apontando.

Todos os presentes notaram algo estranho em seu pescoço: havia linhas ao redor dele e, ao observarem melhor o corpo, puderam ver várias costuras e alguns buracos espalhados.

— Entenderam? Eu já tentei morrer várias vezes, mas até hoje ninguém conseguiu — disse o homem, com um tom cansado.

Max ficou surpreso com tudo o que ele dizia, mas uma dúvida pairava em sua mente. Sem pensar duas vezes, perguntou:

— Há quanto tempo estás preso aqui?

— Hahahaha! Já perdi a conta, mas… talvez… — disse o coroa, olhando para o alto, como se tentasse recordar algo distante. — Mais de cinco anos?

Todos ficaram surpresos com a resposta, menos Izumi, que permanecia afastado, refletindo sobre a própria situação.