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Capítulo 190 de 11 – Cidade! Cidade! Cidade!

Você Foi Humilhado! — illusia.com.br · All chapters

Capítulo 190 de 11 – Cidade! Cidade! Cidade!

Isso de novo?

Os olhos do mestiço escureceram, e sua visão foi tomada. Os cheiros e a presença ao redor desapareceram por completo. Encontrava-se em um local diferente. Nesse instante, percebeu uma alma negra, em formato humano, desaparecer diante de seus olhos, enquanto murmurava um riso característico.

Foi nesse momento que Izumi entendeu: nunca esteve realmente cego. Seus olhos estiveram voltados para aquela dimensão o tempo todo e, pela primeira vez, viu algo além da escuridão.

— Quem é você? — perguntou, ao forçar a visão.

A alma desapareceu por completo, e a visão retornou ao que era antes. Ao sentir o cheiro e a presença ao redor, ele entendeu que aquilo terminou. Ao seu redor, escutava pessoas conversando, mas não compreendia o que diziam.

— Não é possível — disse Max, hesitante. — Não tem como você ainda estar vivo nesse estado.

— Hahaha! Essa reação nunca perde a graça — respondeu o homem, rindo de forma rouca e estranha.

Ui aproximou-se, preocupada, e perguntou:

— Quem fez isso com você?

— Foi A… — os olhos dele se arregalaram quando a voz falhou. — Foi… não me lembro… que estranho. O que me deixou assim?

— É o que queremos saber — respondeu Max, firme, e observou cada gesto do homem.

— Haha… eu sinto sono… que sensação nostálgica — murmurou ele, olhando para o nada. — Finalmente acabou… Obrigado…

Um sorriso sereno esboçou-se nos lábios do humano, enquanto seus olhos se apagaram ao fitar o que não tinha importância.

— Não me diga… Ele morreu? — perguntou Max, ao olhar para Ui.

— Não sei, o seu corpo sempre esteve morto

Ao lado, Idalme aproximou-se e balançou o corpo do humano várias vezes e pediu que acordasse, mas não obteve efeito.

— Afaste-se! — ordenou Dam, ao apontar sua arma.

A peituda, ao perceber, afastou-se rapidamente, e a bala passou quase raspando, acertando a perna do homem.

A peituda, tomada pela raiva, aproximou-se, segurou a roupa de Dam e ergueu-a, perguntando se ele queria matá-la.

— Bem que eu queria — respondeu, ao sorrir de canto de boca.

— Quê?!!

Idalme, enfurecida, sentiu um calafrio na espinha e olhou, tremendo, para o local de onde vinha tamanha energia negativa. Ao fitar a pessoa, sentiu alívio por não ter sido alvo. Em seguida, a opressão cessou, e Izumi disse:

— Tá morto mesmo.

— Como tens certeza? — perguntou Max.

— Não tem um único ser que sinta minha energia negativa e continue no mesmo local.

Max sorriu de canto de boca e concordou com seu irmão.

— Bem, já cruzamos algumas cidades destruídas, mas essa era de fato diferente. Se tivermos sorte, podemos encontrar outro grupo que passou por aqui e nos passar mais informações sobre. Então, vamos continuar — pediu o líder.

— Espera, Max — interrompeu a peituda, apontando para um lado. — Olha, daqui posso ver um lago.

— Idalme, melhor não — disse Ui, hesitante.

— Por que não?

— É perigoso. Daqui posso sentir uma energia negativa vindo daquele local, então…

— Ela quer dizer que aquilo é perigoso! — declarou Izumi, sorrindo.

O mestiço começou a seguir em frente, na direção que Max apontou antes mesmo de entrarem na cidade.

— Izumi, não vais lutar contra aquilo? — perguntou o líder.

— Perda de tempo — respondeu.

— Hummm… OK — murmurou.

Max abriu novamente o mapa enquanto o grupo andava e disse:

— Como não tem muitos monstros por essa banda, talvez cheguemos ao destino em duas semanas.

— Interessante! — declarou o mestiço.

Continuaram a viagem, e duas semanas se passaram, deixando todos os mantimentos esgotados. Após três dias sem alimentação, o grupo estava exausto, exceto Ui e Izumi, que eram mestiços puros.

Durante o percurso, Izumi continuou a devorar demônios, mas descobriu que os assados pareciam mais saborosos, mesmo sem sentir gosto algum.

Idalme observava-os comendo aquelas criaturas, mas permanecia em silêncio. Até que, levada pela fome extrema, sua cabeça atingiu o limite, e ela explodiu:

— Seu desgraçado, sabia que isso ia acontecer, né? Você não se sente mal comendo a sua própria espécie? — falou Peitos Caídos, indignada.

Enquanto isso, o mestiço desfrutava da carne e olhou para os seios caídos com desprezo, respondeu:

— Humanos!

— O que você quis dizer com isso? Não me ignore. Pensando bem, se comes demônio, então também comes humano, hahaha! És mais horrível do que pensei, sua praga — gritou Idalme, a raiva transbordando em cada palavra.

Max apareceu por trás e tapou a boca dela.

— Calma, você quer morrer?.

Ui aproximou-se de Izumi e comentou, com um meio sorriso:

— Ela gosta mesmo de pegar no seu pé.

No entanto, ele não respondeu e a fitou com desprezo e olhar de desgosto. A mestiça, percebeu, franziu a testa e baixou o olhar.

— Calma, Idalme, ele não come humanos — disse o líder, tentando acalmá-la.

— Como podes ter certeza? — perguntou, desconfiada.

— Olha para mim — falou Max, ao virar o corpo dela e fitou-a. — Um gostosão, e ainda estou vivo!

A peituda, com um olhar pasmo, murmurou:

— Sério?

Ao mastigar mais um pedaço de sua carne de urso misturado com falcões, ele zombou:

— Vocês ficam aí cochichando e desperdiçando energias, vão passar fome. Lhialhialhia!

— Você é o último que quero ouvir isso! — retrucou alguém, indignado.

Vendo que seu amado não lhe dava atenção, Ui aproximou-se da amiga e disse, tentando acalmá-la:

— Calma, Idalme, ninguém é culpado aqui.

— Não quero ouvir isso de quem acha o Izumi um bom partido! — gritou.

Ao escutar tal baboseira, a mestiça ficou furiosa e falou:

— Repita!

— És surda por acaso? Não tem nada de interessante naquele cara. O Max é muito melhor — respondeu, sem hesitar.

Ao ouvir aquilo, aproximou-se do irmão com um olhar convincente, sentou-se ao lado dele, pousou a mão no ombro, fitou-o e murmurou, sorrindo:

— Eu sou melhor!

Ui, que já estava irritada, ficou ainda mais exaltada com a afirmação do líder e disse, cheia de raiva:

— O Izumi é o melhor, a sua face de poucos amigos, sua bravura, aqueles olhos que fazem qualquer uma gamar e muito mais!

— Deves ser cega — zombou. — O Max é muito melhor.

— Não, o Izumi! — gritou Ui, indignada.

— Max! — retrucou Idalme.

E elas continuaram a discutir por um bom tempo, cada uma defendia seu ponto com fervor. Satisfeito, o líder passou entre as duas e declarou, tentando encerrar a confusão:

— Vamos indo!

A viagem prosseguia, e a fome aumentava. Idalme, que gastou toda a energia discutindo com Ui, encontrava-se exausta e precisava ser carregada. Enquanto isso, Dam, que já estava morto há algum tempo, era carregado pelo mestiço.

Enquanto avançavam, Izumi se dirigiu ao atirador, com desprezo:

— És mesmo um inútil!

— Há? — respondeu Dam, ofegante, quase exausto.

— Esse seu espaço espacial não leva nada a mais do que essas porcarias de suas armas.

— Não seja idi… — ele parou por um instante e continuou. — Cada membro é diferente, nem todo mundo tem um espaço espacial tão grande.

— Inútil!

Ui, mais à frente, arregalou os olhos e chamava o nome de Idalme com felicidade. A peituda, por sua vez, perguntava-se o motivo daquele comportamento, até que a mestiça gritou:

— Cidade! Cidade! Cidade!

Todos a viram gritar e pular no meio da floresta, entre árvores irregulares com folhas tão grandes quanto os troncos. O grupo avançou até ela e avistou uma enorme fortaleza, sentindo alívio por finalmente encontrar um lugar com comida.