Capítulo 197 de 04 – Por que não?
Capítulo 197 de 04 – Por que não?
Aquele local era espaçoso; caberiam quinhentas pessoas coladas umas às outras. Havia vários assentos aglomerados perto de guarda-roupas, e eram muitos, talvez uns cinquenta. O local tinha aparência de cores azuis e roxas. Como era tarde, o sol passava pelas janelas de vidro acima dos guarda-roupas.
Mas isso não impressionou o grupo.
Ver vários homens pelados andando naquele local e balançando a sua arma por aí sem se importar deixou o grupo mais curioso com esse fato. Nick avançou e pediu que o grupo o seguisse; enquanto isso, o empregado foi em outra direção.
O ruivo aproximou-se de alguns guarda-roupas, abriu-os e disse com naturalidade:
— Podemos usar esses.
Dentro do guarda-roupa, havia um espaço que caberia uma criança. Nele, existia uma barra para pendurar roupas e três cabides. Mais acima, havia uma separação que dividia o guarda-roupa em duas seções, sendo a parte superior um quarto de todo o espaço.
O ruivo começou a retirar as suas roupas e explicou como deveriam ser usadas, mas o grupo recusou ajuda, pois já sabia como proceder.
No entanto, ao ver Nick retirar a sua cueca naquele local cheio de homens, hesitaram por um instante. Ainda assim, Izumi não se importou e despediu-se de todas as roupas; o restante fez o mesmo.
Em seguida, o empregado surgiu com duas bolsas e colocou-as nos assentos. Retirou algumas toalhas e pendurou-as em fila no suporte do assento. Logo depois, tirou oito frascos de outra mochila; eram dois tipos de frascos, que ele organizou dois de cada lado perto das toalhas. Por fim, retirou os chinelos das bolsas e alinhou-os.
— Senhores, trarei novas roupas quando terminarem por aqui — disse o empregado, com postura respeitosa, antes de se afastar.
— Obrigado — agradeceu Nick, assim que assentiu levemente em resposta.
O ruivo, depois, pediu que o grupo pegasse os dois frascos, colocasse os chinelos e o seguisse. Eles passaram por outra seção onde havia mais pessoas e, quanto mais avançavam, mais o local se mostrava molhado. Ao fundo, ouviam-se barulhos de chuva.
Entraram por um espaço sem porta e viram vários homens a esfregar o corpo com uma substância que produzia muita espuma branca. Max e Dam ficaram surpresos, pois nem sabão formava tantas bolhas.
— Vamos — pediu o soldado.
Eles seguiram mais a fundo até encontrar quatro aparelhos livres que espirravam água em formato de chuva rapidamente. O ruivo pediu que cada um parasse debaixo de um desses.
— Vejam, ao clicar nesse botão — disse, ao pressionar o botão com calma. — A água começa a jorrar.
Enquanto a água molhava o corpo de Nick, Dam apertou rapidamente o botão e ficou maravilhado ao perceber que a água era quente. Ele então perguntou, curioso:
— Me diz, como isso funciona?
— Me desculpe, mas nem eu sei como isso funciona — respondeu, com um sorriso sem jeito.
— Que pena — murmurou o atirador, ainda impressionado com o sistema.
Max e Izumi, logo em seguida, acionaram o mecanismo e gostaram da sensação quente. Nick, depois, pediu que colocassem os dois frascos no suporte perto deles. Eles seguiram a orientação.
O ruivo pegou o frasco branco e disse:
— Esse é o gel. Abrimos o frasco nessa parte de cima, colocamos um pouco na mão e depois misturamos com o cabelo, esfregando até fazer espuma. Com essa espuma, vamos passando pelo corpo todo. Se não for suficiente, pegue mais um pouco do gel e passe no corpo. Entendeu?
Max observou o Nick por um instante, principalmente as partes de baixo, com um ar confiante, e declarou:
— Ganhei.
— Hum? — reagiu, sem entender a afirmação repentina.
O grupo seguiu a orientação e lavou o corpo várias vezes, de forma mais agressiva. Os outros clientes presentes ficaram surpresos com a intensidade com que se moviam e com a quantidade de espuma que produziam.
— Izumi, veja, eu faço mais espuma que você! — declarou Max, com o corpo todo coberto de espuma branca
O mestiço, hesitante em usar mais da sua aura, não resistiu e observou. Sem querer perder, usou mais gel e deixou o corpo mais branco. Já não se notava que era preto antes. Dam ignorava-os enquanto continuava a molhar-se.
Os dois continuaram a discutir, cada um insistindo que estava com mais espuma, até o gel acabar completamente.
Depois, o mestiço pegou o outro frasco e perguntou o que aquilo fazia. O ruivo respondeu, com naturalidade:
— Esse é somente para cabelo.
— Hahaha! Izumi! — declarou Max, rindo. — Duvido ganhar dessa vez.
— Veremos. — Alertou o mestiço, com calma, já preparado para mais uma disputa.
Começaram a usar o xampu como se nada fosse, formando bastante espuma na cabeça e interagindo entre si. Izumi, por aquele instante, esqueceu o gasto de aura e a sua missão de vida, querendo apenas competir com o irmão, mesmo com a energia opressora que dele emanava; ainda assim, naquele momento, a alegria do mestiço era maior.
Novamente, o produto acabou, e as pessoas ao redor, que se divertiam observando o grupo, voltaram a tomar banho. Enquanto isso, os irmãos continuavam a molhar o corpo, sorrindo de canto da boca enquanto se fitavam.
Em seguida, Nick pediu que voltassem ao local onde tinham deixado as roupas. Ao chegarem, o ruivo limpou o corpo e pediu que fizessem o mesmo. O grupo seguiu a orientação.
O empregado chegou com outra mochila e retirou várias camisolas, shorts e chinelos, pediu que vestissem. Seguiram a orientação.
Izumi, enquanto secava o corpo, ficou um pouco preocupado com o cabelo cacheado estar tão liso, mas acreditou que voltaria ao normal como sempre.
Após tudo, o empregado pediu que o seguissem. Saíram do balneário, seguiram por um corredor e entraram em outra porta, onde o local era bastante pequeno. O grupo não sabia o que fariam num espaço que mal cabia cinco pessoas.
Logo sentiram o corpo estranho, como se estivessem a flutuar ou sendo puxados para cima sem esforço. Dam, curioso, perguntou:
— O que é isso?
— Elevador — respondeu Nick.
— Elevador? — repetiu Max, ao franzir a testa.
— Então, é como se estivesse em uma escada e ela te levasse, como se estivesse voando, até em cima — explicou, tentando simplificar.
O grupo ficou em dúvida, mas entendeu o ponto. O elevador parou subitamente e a porta se abriu. Seguiram por mais corredores e entraram em um local com várias camas e várias mulheres bonitas.
Foi pedido que tirassem as roupas, e nenhum deles hesitou naquele momento, principalmente o líder.
Deitaram na cama, acomodando-se enquanto observavam o ambiente com curiosidade. Max, curioso, perguntou:
— O que elas vão fazer?
— Massagem. Elas vão passar as mãos no nosso corpo todo e nos deixar mais relaxados — explicou Nick, com calma.
— Interessante — respondeu, com um leve sorriso.
Assim que as duas mulheres se aproximaram de Max e tocaram nele, ele ficou desconcertado, sobretudo quando uma delas massageou suas costas. Ele percebia a proximidade dos peitões.
As duas garotas sorriram discretamente e continuaram a massagem. Assim que ele fitou uma delas, recebeu uma piscada. Ele sentiu que era o momento de agarrar aquele bundão, no entanto… quando a sua mão tremia para segurar aquela massa redonda, hesitou.
Naquele momento, sentiu um conflito interno e lembrou-se de Idalme. Para ele, ceder naquele instante apenas confirmaria uma imagem negativa de si próprio e como a sua outra parte estivesse certo demais.
Então ele imaginou comendo essas duas mulheres em seu pensamento enquanto sua arma pulsava e foi nesse momento que ele despertou como sonhador.
Após terminar, uma empregada orientou o grupo para outro local, onde havia várias cadeiras e algumas mulheres ao lado. Pelo que disseram, iriam tratar dos cabelos.
Durante o corte, Max recordou alguns momentos anteriores e refletiu de forma distraída sobre como ele deixou aquela toalha toda molhada.
Voltaram ao balneário e novas roupas estavam prontas para eles. Izumi mostrou alguma relutância em trocar de roupa, mas ao observar as peças, sentiu que era o momento de seguir em frente e aceitar a mudança.
— Por que não?