Capítulo 204 de 11 – Tão feios!!!!!
Capítulo 204 de 11 – Tão feios!!!!!
Depois de algum tempo abraçada a ele, e com o clima pesado entre o grupo, Ui desceu dos ombros do mestiço. Ao lado, Dam observou a preocupação de todos e quebrou o gelo.
— Pessoas lindas, né? — comentou, num tom irónico.
O líder, abatido, estava sentado numa das pedras, com a cabeça da peitões apoiada nas suas pernas. Com o olhar pesado, respondeu:
— Me desculpe… a culpa foi minha.
A mestiça, ao vê-lo tão fora do seu habitual, tão abatido, suavizou a expressão e disse:
— A culpa não é sua… se eu não tivesse chamado aqueles de gordos…
Antes que pudesse terminar, Izumi interrompeu:
— Eles merecem a morte!
Ao lado, Dam tirou uma vela de seu espaço espacial e a acendeu com uma pedra que transformou em chamas. O local começou a ser iluminado, e todos ficaram surpresos com o que viram.
Havia vários esqueletos espalhados pelo chão duro daquele lugar, além de alguns corpos mais recentes já apodrecidos. Ao observar mais a fundo, viram uma parede que dividia o corredor em dois caminhos.
O cheiro e a sujeira eram podres demais para os mestiços.
— Vamos ficar assim? — perguntou Ui, preocupada, e olhou ao redor com ansiedade.
— Não, vamos dar um jeito de sair daqui — respondeu Max.
Izumi aproximou-se de um dos corpos que ainda possuía carne e o segurou pelo pescoço. Ao ver aquilo, a mestiça sentiu um pouco de nojo. Segundos depois, ele jogou o cadáver no chão e disse:
— Inútil!
— Só porque eu os chamei de gordos, mereço morrer desse jeito? — questionou a mestiça, preocupada e tentava entender a lógica daquela sociedade.
— É realmente estranho… mas todas as respostas virão — disse o Líder.
— Vocês são cegos? Olharam ao redor da cidade? — indagou Dam, assim que cruzou os braços. — Só tinham pessoas gordas e feias. Então, resumindo, o contexto de beleza deles é o contrário. E, pelo que o Gordo Rei citou, é crime ser feio nesse país.
— Sim — concordou Max. — As pessoas mais feias estavam com roupas de marca do que as menos feias… Que país estranho, hein.
Um silêncio desconfortável caiu por um instante.
Então a mestiça, num tom mais baixo, virou-se lentamente para o mestiço e perguntou, com olhos puros e inseguros:
— Isso quer dizer que sou feia? Eu sou feia, Izumi?
Ao olhar ao redor, ele alertou:
— Não posso perder mais tempo nesse país estranho.
Ui franziu a testa e pensou, um pouco magoada:
Fui ignorada…
Pouco tempo depois, a mulher de peitões exuberantes começou a recuperar os sentidos e abriu os olhos lentamente.
— Bom dia, princesa — disse, com calma.
— Max… onde estou? — murmurou ela, confusa. Em seguida, ergueu-se de repente, preocupada. — Ui, cadê a Ui?
— Estou aqui! — respondeu imediatamente, aliviada ao vê-la acordar.
Ao ver a sua amiga, Idalme sentiu lágrimas se acumularem nos olhos e foi em direção, abraçando-a enquanto chorava. A mestiça, sem conseguir resistir, também chorou.
— Achei que tinhas morrido!!!
— Eu também achei que íamos morrer… mas, graças ao Izumi, estamos vivos!!! —
Com os olhos cheios de lágrimas, a peitona virou-se para ele e agradeceu com sinceridade:
— Obrigado, Izumi!!!
— Só te salvei porque precisamos de uma médica. Não vai se achando — alertou, seco, sem olhar diretamente para ela.
— Ele não muda nada! — disse, ainda a chorar, mas com um leve sorriso de alívio.
— Sim! — concordou Ui.
Ao lado, Max testou se os seus poderes estavam em ordem e, logo em seguida, sorriu de satisfação ao ver faíscas saindo de sua mão.
— Não quero impedir a vossa alegria, mas como vamos sair daqui? — questionou Dam e olhou ao redor com impaciência.
— Izumi? — chamou o líder, procurando uma solução.
— Eu poderia conseguir sair sozinho, mas com peso morto é difícil — respondeu, indiferente.
— Faz sentido.
— O que vamos fazer? — perguntou Idalme, no momento em que ajustou a postura.
— Bem — disse, após um breve silêncio —, vamos dar uma volta por aqui e ver se há uma alternativa.
Todos concordaram e avançaram pelo corredor, enquanto Dam segurava a vela e Idalme iluminava o local com suas chamas flutuantes. Chegaram a um beco onde precisavam decidir entre seguir pela direita ou pela esquerda.
Idalme havia feito a pergunta, mas antes de qualquer resposta mais elaborada, Izumi simplesmente passou por eles e disse, sem parar:
— Sempre à esquerda!
— Só porque és canhoto — comentou Max, com um leve sorriso no canto da boca.
— Calado!
— Canhoto? És canhoto, Izumi? Eu também sou, vê! — disse Ui, toda empolgada, e levantou a mão como se isso fosse uma grande descoberta.
Mas ele apenas continuou a andar, ignorou completamente o comentário dela. Ui ficou parada por um segundo, sem reação, ao perceber que não recebeu resposta nenhuma.
Idalme, logo atrás, balançou a cabeça enquanto observava e pensou, meio exasperada:
Haja coragem para tanta humilhação por macho.
Incrivelmente, o corredor estava apenas sujo, sem qualquer vestígio de esqueletos espalhados pelo chão. Foi então que Max comentou:
— Para não haver pessoas mortas aqui, provavelmente todos morreram na queda.
— Claro, não há como sobreviver àquilo — comentou Dam.
— Sim… ainda assim, espero que exista alguém vivo por aqui.
Idalme observou os dois em silêncio, estranhando a ausência de conflito entre eles. Aproximou-se de sua amiga e murmurou:
— Aconteceu algo com esses dois? Estão tão amigáveis…
— Não sei. Não aconteceu nada de diferente — respondeu.
— Estranho…
Após percorrerem os corredores, não haviam encontrado nenhuma alma viva, nem qualquer sinal de fuga. Foi nesse momento que a mestiça gritou:
— Um corpo!!!
Ela correu até o local e passou a analisar o corpo sem tocá-lo. A pessoa tinha cabelos morenos curtos, mas estavam tão sujos e embaralhados que lembravam cachos de algodão. Vestia um top preto que apertava sua falta de peito e um short apertado que fazia o mesmo com sua falta de bunda.
A pele era amarelada, porém a sujeira era tamanha que dificultava saber quando foi a última vez que tomou banho. Ui, ao analisá-la de perto, tapou o nariz no momento em que se aproximou demais.
Assim que todos do grupo se reuniram, Idalme questionou:
— Está morta?
— Não, está somente dormindo — respondeu a mestiça.
Izumi, ao lado, desembainhou sua espada e perguntou:
— Vamos matá-la?
Max o barrou com a mão e pediu:
— Não, irmão… ela pode saber como sair daqui.
— Não seja idiota. Ela parece viver aqui. Duvido que tenha qualquer informação útil sobre uma saída — disse Dam.
Continuaram a falar entre si e, pelo barulho no local, a mulher magra de face juvenil abriu lentamente os olhos, perguntando-se em pensamento de onde vinha tanto barulho.
Como sua cabeça estava voltada para baixo, ela viu coisas pretas a se mover no chão, com formatos distorcidos.
O que é isso… sombra ?
Ainda sonolenta, ela ergueu a cabeça e arregalou os olhos, incapaz de acreditar no que via. Em seguida, seus olhos se abriram por completo, tomados pelo pavor, e, em pânico, gritou:
— Tão feios!!!!!