Capítulo 205 de 12 – Ajuda aceita!
Capítulo 205 de 12 – Ajuda aceita!
Todo o grupo a olhou com desaprovação. Com medo, ela se afastou rapidamente, cuspiu, mas nenhuma saliva saiu de sua boca. Logo em seguida, fez uma expressão de nojo.
— Quem são vocês?! — gritou.
Ui aproximou-se, devagar, na tentativa de falar, mas ela imediatamente se afastou outra vez, quase em pânico, e berrou:
— Não se aproxime de mim, sua feiura é contagiosa.
A peituda avançou, o olhar afiado e a postura desafiadora.
— Cuidado com a boca, és a mais feia e suja por aqui.
A garota, tomada pela raiva e pelo desprezo, apontou com firmeza, elevando a voz:
— Não pensem em tocar em mim, sua criatura feia, hedionda e vaca leiteira!
O silêncio durou um segundo curto demais para ser confortável. Então, ela reagiu de imediato, os olhos se estreitavam enquanto puxava o arco com rapidez.
— Me chamou de feia? — perguntou assim que sacou seu arco e flecha. — Vou te matar!
Ui rapidamente apareceu à frente para defendê-la, levantou as mãos e pediu que a amiga se acalmasse.
— A mosca defendendo a vaca.
Izumi deu um leve sorriso, quase provocador. A mestiça, ao perceber esse gesto, fechou a expressão no mesmo instante. A mudança foi imediata, como se aquele pequeno sorriso tivesse sido suficiente para acender sua fúria.
Ela avançou com rapidez e agressividade. Girou o corpo e levantou um dos pés antes de desferir um chute direto contra a garota de boca suja.
— Eu vou te matar, cuzona!
A garota atingida levou a mão ao rosto e tentou conter a dor enquanto ainda assimilava o golpe.
— Como você ousa bater no meu belo rosto, sua mosca feia.
A mestiça virou-se lentamente em direção a ela. Seu olhar carregava superioridade. O silêncio breve que antecedeu sua fala parecia ainda mais provocador do que as palavras em si.
— Se fosse realmente bonita, não estaria nesse fim do mundo.
A garota abriu a boca para falar alguma coisa, mas hesitou por um momento.
— Com certeza foi negada pelos outros.
— Eu não fui negada!!! — gritou ela, levantando-se num impulso, o rosto tomado pela indignação.
— Mentira! Ninguém te quis, por isso foi abandonada nesse lugar — provocou, sem recuar.
— Não… — murmurou, a voz já mais baixa.
— Como se sente? Ser odiada por todo mundo e descartada como nada. És uma inútil!
— Pare! — declarou Izumi e aproximou-se. — Afasta!
Ui se afastou para o lado sem dizer nada, abaixou a cabeça e pensou que havia passado do limite, visto que as duas eram parecidas.
O mestiço olhou para a garota fixamente, sacou a espada com calma e perguntou:
— Qual o teu nome?
— A… Ayla — respondeu ela e engoliu em seco.
— Então, Ayla — disse, sem desviar o olhar. — Vais dizer-nos como sair daqui ou morrerás sem ver a luz do sol nunca mais.
Uma pressão pesada caiu sobre o ambiente, fazendo-a hesitar.
O líder aproximou-se por trás e colocou a mão no ombro do seu irmão, falando com um sorriso leve:
— Relaxa, ele não vai morder. Nós só precisamos saber como sair deste local.
— Eu… estou aqui há sete anos — comentou, ainda nervosa.
— Muito tempo… mas não é isso que queremos saber — falou o líder.
Ela fitou Max e disparou, irritada:
— És burro por acaso? Eu já estou aqui há sete anos, não há como fugir deste lugar!
De repente, um barulho intenso cortou o ar, como algo passando em alta velocidade ao longe. A tábua virou-se, confusa, sem compreender o que tinha acabado de ouvir.
— Ei, garota, é melhor falares por bem… a minha criatividade já está a chegar ao limite — disse Dam, apontou a arma com frieza.
— Calma, não precisamos chegar a esse ponto — Interveio o líder, tentando manter a situação sob controlo.
— Cala a boca. Quanto mais tempo eu passo aqui, menos tempo tenho para fazer as minhas pesquisas — afirmou, impaciente.
— Então era por isso… — Suspirou Max, percebeu a situação.
— Era de se esperar de pessoas feias — provocou Ayla, sem pensar nas consequências.
— Se continuar a dizer isso… — alertou Dam, com o olhar afiado.
— Vai fazer o quê, corno? Me matar? Então matem-me logo! Eu não tenho nada a perder! — gritou, já fora de si.
— Sua… — Começou, ao apertar a arma com mais força, prestes a reagir.
Izumi guardou as espadas e declarou, com naturalidade:
— Estão a perder tempo. Vamos destruir tudo e assunto encerrado.
— És idiota? — perguntou Idalme, incrédula.
— Quê? — Franziu o olhar ao colocar as mãos sobre as armas.
— Como vais chegar lá em cima para destruir a muralha? É impossível!
— Não é impossível para mim — afirmou, sem hesitar.
— Quê? — repetiu Peitona, ainda mais confusa.
Ayla, ainda irritada, interveio:
— Além de hediondos, são idiotas? Destruir a muralha não vai adiantar de nada.
— Por quê? — questionou a peituda, ao virar-se para ela.
— Esta prisão tem várias muralhas. No momento em que uma é destruída, outra surge logo em seguida — explicou.
— E qual é o intervalo entre a muralha destruída e a nova? — indagou o líder, sério.
— Do que estás a falar, feio? É impossível sair daqui — avisou Ayla, impaciente.
— Apenas responde — pressionou.
Ela o fitou, ainda incrédula com a pergunta, mas acabou por revelar:
— Acho que uns quinze segundos.
Max olhou para o seu irmão, avaliando a situação, e interrogou:
— Consegues?
Izumi abriu um leve sorriso no canto da boca, como se já tivesse calculado tudo desde o início, e exclamou:
— É mais do que o suficiente.
O grupo ficou mais tranquilo. Dam e Idalme guardaram suas armas, e todos pareciam prontos para colocar a missão em prática.
Ayla, ainda sem acreditar no que ouvia, soltou um suspiro irritado:
— Já disse… é impossível para criaturas horríveis como vocês.
— Enquanto tivermos o Izumi, nada é impossível! — gritou Ui, empolgada, com os olhos a brilhar.
— Vocês são loucos… — murmurou Ayla, incrédula.
— Eles são assim mesmo — falou Idalme, ao balançar os peitões. — Mas são confiáveis.
Tábua virou-se imediatamente para ela, ainda mais irritada:
— Também és burra, vaca? Eu disse que vocês todos são loucos.
Peitões invejáveis logo a olhou com indiferença e afastou-se. Pouco tempo depois, ouviu-se um barulho estrondoso, como de algo a cair no chão. Preocupados, todos correram até o local. Max, como líder, verificou se todos estavam presentes, mas faltava alguém.
— Não me digas que… Izumi…
— O que tem eu? — questionou o mestiço, surgindo de forma inesperada.
Todos pararam subitamente e olharam para trás.
O líder, preocupado, deu um passo atrás e perguntou:
— Onde estavas?
— Por aí — comentou, indiferente.
— Hum? — Franziu o cenho, desconfiado.
O líder voltou a correr em direção ao local de onde veio o barulho e viu mais destroços no chão.
— Izumi, você fez isso? — indagou Max e olhou para os destroços da muralha com incredulidade.
— Sim. Queria testar algo — respondeu o mestiço.
— Algo? — insistiu.
— Esta muralha era mais fácil de cortar do que eu imaginava. Sair daqui não vai ser difícil — concluiu.
Ayla, ao perceber a força dele, mudou imediatamente de atitude e disse:
— Se podem destruir a muralha, deixem-me ajudar!
O líder olhou para ela e perguntou, desconfiado:
— Como?
— Eu também sei voar!
— Ajuda aceita! — exclamou, sem perder tempo.