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Capítulo 206 de 13 – Obrigado, Izumi!

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Capítulo 206 de 13 – Obrigado, Izumi!

Izumi, desde que se lembrava da adolescência, sempre esteve sozinho. Não confiava em ninguém e mantinha a guarda erguida o tempo todo, como se estivesse preparado para enfrentar uma ameaça a qualquer momento. Por isso, ao ver alguém que lhe trazia à memória aquela fase de sua vida, não conseguiu evitar um sorriso.

Entretanto, ao presenciar alguém que se encontrava na mesma situação ser tratada daquela forma, sentiu surgir dentro de si a obrigação de ajudar.

Ainda assim, havia uma questão mais importante que não saía de sua mente: precisava descobrir uma maneira de sair daquele lugar e garantir que as pessoas importantes para si também conseguissem escapar.

Mesmo sem a intenção de parecer intimidador, o mestiço não estava acostumado a agir com tanta educação diante dos outros. Isso se tornava ainda mais evidente quando lidava com desconhecidos, já que nunca foi alguém dado a conversas amigáveis ou abordagens gentis.

Enquanto Max assumia a frente da conversa e lidava com a desavença a envolver Dam, seus pensamentos permaneciam voltados para a muralha. Quando a destruiu no calor do momento, havia agido por impulso.

Contudo, após refletir por alguns instantes, percebeu que talvez não tivesse sido necessário recorrer ao seu ataque mais poderoso para causar aquele resultado.

A dúvida permaneceu em sua mente. Para confirmar sua suspeita, ativou sua habilidade de velocidade e disparou em direção ao local. Assim que chegou, correu pela parede sem diminuir o ritmo e avançou até ficar mais próximo da estrutura. Então, sacou a espada, liberou dez por cento do Sen To Ichi e proclamou:

— Cem cortes!

As pessoas que estavam no topo da muralha logo ficaram preocupadas e correram para verificar o que havia acontecido. No entanto, ao chegarem ao local, não encontraram ninguém a sair, o que apenas aumentou a tensão entre elas.

Tomado pelo pânico diante da situação inesperada, o rei ordenou que todos redobrassem a vigilância e permanecessem preparados para uma possível emboscada.

— Desative o tempo de espera das muralhas! — ordenou o rei, com urgência na voz, olhando para a movimentação ao redor.

— Entendido! — respondeu o soldado ao lado, bateu o punho no peito antes de se virar rapidamente para executar a ordem.

Izumi, ainda em queda, percebeu que a nova muralha não surgia de cima como a anterior, mas sim avançava lateralmente e fechou o buraco como uma parede viva.

Ele analisou a situação com calma, mesmo no meio da queda, e pensou:

Diferente… mas não importa.

Após concluir o que precisava fazer, ele desceu da parede e retornou ao encontro do grupo. o líder, que ainda mantinha certa desconfiança em relação ao mestiço, assumiu a liderança da conversa e explicou o plano de fuga.

Tudo já estava preparado. Cada etapa havia sido definida, e o grupo agora possuía um caminho a seguir. Restava apenas colocar o plano em prática.

— Discordo! — negou Izumi, sem hesitar.

— Qual a tua insatisfação, irmãozinho? — perguntou Max, ao manter a calma.

— Por que eu tenho de carregar ela? — indagou, no momento em que apontou.

Ui, por sua vez, segurou a mão com força, incapaz de dizer qualquer coisa naquele momento. Ainda se sentia mal por ter cometido bullying contra alguém tão parecida consigo, e esse peso impedia que encontrasse palavras para se justificar ou se desculpar.

— Entendo. Você decide: ela ou o Dam.

Ele olhou primeiro para Ui, que não parecia nada feliz com a situação, e depois para o atirador, que desviou o olhar como se não quisesse nem entrar na discussão.

— Eu vou com ela — decidiu.

— Izumi? — questionou a mestiça.

Ele fechou os punhos por um instante, como se estivesse a conter algo, e depois relaxou. Aproximou-se de Ui e disse, direto:

— Sobe logo.

Ela, naquele momento, ficou bastante feliz, mas controlou as próprias emoções. Com cuidado, subiu nas costas dele e segurou-se firmemente, usando as mãos e os pés para se manter estável.

— Vou na frente!

— Certo — confirmou o líder.

Em um piscar de olhos, o mestiço já havia desaparecido da vista. Enquanto isso, Max, com todo o cuidado, colocou Idalme sobre os braços e começou a voar com delicadeza, emanando explosões na própria perna.

Dam, com um leve sentimento de vergonha, subiu nas costas de Ayla.

— Até para um feio, és bem pesado

— Cala a boca — respondeu de imediato, seco.

Ayla possuía a habilidade de transformar as coisas em lama. No momento em que tocou a parede, ela começou a se dissolver e transformou-se em lama. Em seguida, fez quatro buracos com a mão e neles apoiou mãos e pés.

Mesmo sendo lama, sua mão parecia presa àquela superfície, e logo depois a substância começou a se mover pela parede. Assim, Ayla passou a subir por ela.

— Isso é voar por acaso? — perguntou Dam.

— Cala a boca, criatura hedionda — zombou.

Izumi, que estava no alto com a espada cravada na parede, aguardava a chegada do restante do grupo. Sentia-se mal com a intensa energia opressora que emanava de Ui, mas ainda conseguia suportá-la.

— Te amo demais — murmurou Ui, ainda próxima, e encostou os lábios de forma carinhosa na orelha do mestiço.

— Nunca mais faças isso! — ordenou, tenso, afastando o rosto ligeiramente.

— Me desculpe… — respondeu Ui, ao baixar o olhar.

— Podemos começar? — disse o líder, no momento em que se aproximou, já atento ao que seguiria.

— Demorou! — declarou o mestiço. — Segure bem!

— Sim…

O mestiço, em um piscar de olhos, utilizou Sen To Ichi a dez por cento e executou o Cem Cortes, despedaçando a muralha. Ao presenciar aquilo, Max sentiu que não havia necessidade de realizar nenhuma ação relevante.

Izumi, ainda a sorrir, logo demonstrou surpresa. No mesmo instante em que cortou a muralha, outra surgiu vindo de cima. Ainda assim, não se abalou: rapidamente voltou a cortá-la. Contudo, não terminou aí, pois outra muralha começou a fechar o local.

Antes que o sistema fosse ativado e causasse danos, ele a cortou novamente. Mesmo assim, o intervalo foi suficiente para que outra muralha surgisse de cima. O mestiço, tomado pelo entusiasmo, liberou novamente o Cem Cortes, mas seu corpo travou no momento seguinte, e a muralha o atingiu, fazendo-o cair.

Max, já preparado com a peitona nas costas, avançou até a muralha e a segurou com sua força.

— Idalme! Me solta! — gritou, em desespero.

— Mas… e eu… — Hesitou.

— Confia em mim!!! — insistiu.

Ayla, que subia no seu próprio ritmo, viu os mestiços caírem rapidamente, o que deixou ambos preocupados.

— Fudeu! — disse Dam, ao perceber que a situação estava a sair completamente do controle.

Alguns instantes depois, a peituda também passou por eles em velocidade, e Ayla, ao ver a cena, arregalou os olhos:

— Lascou!

— Izumi!!!! Segura, Idalme!!! — gritou o líder.

Enquanto Max segurava a muralha, outra estrutura desabou sobre ele, e aumentou drasticamente o peso que precisava suportar. A pressão tornou-se insustentável, e suas forças começaram a ceder, fazendo com que ele também começasse a cair.

Mesmo nessa condição, ele não recuou. Em vez disso, passou a acumular energia rapidamente e concentrou-a no próprio corpo. Em seguida, gritou:

— Explosão Galante!

Com uma explosão concentrada para cima, destruiu a muralha e tudo o que havia sobre ela. Sua explosão, porém, começou a falhar e sua forma passou a se desfazer.

Rapidamente, seu corpo retornou ao normal e, naquele momento, ele agradeceu, voando para baixo com preocupação por sua amada.

Ao se aproximar, viu o seu irmão cravado na parede, com expressão de poucos amigos, enquanto duas belas mulheres o seguravam. Max, agora mais calmo, olhou para o irmão e agradeceu:

— Obrigado, Izumi!