Capítulo 208 de 15 – Matarei aquela vadia!
Capítulo 208 de 15 – Matarei aquela vadia!
Vários tipos de sons ecoavam nos ouvidos daqueles que estavam mais próximos. Os guardas posicionados ao lado engoliam em seco, em silêncio.
As empregadas permaneciam sempre alertas para limpar o rosto do obeso ao menor sinal de sujeira.
Diversos frutos eram devorados por aquela enorme boca, enquanto o seu hálito causava incômodo às mulheres ao redor. Algumas queriam tapar o nariz, mas fazer isso seria considerado um desrespeito.
— Kof.
O Rei Mit fixou o seu olhar naquela mulher. Sem dizer uma palavra, balançou a sua enorme mão e a derrubou.
— Executem-na!
A empregada de olhos verde-claros e cabelos ruivos se desesperou.
— Meu Rei, me desculpe… eu estou um pouco doente. Eu peço, me perdoe!
A mulher tentou se justificar, visivelmente aflita diante da presença da realeza, mas ele não demonstrou qualquer compaixão. Seu olhar permaneceu frio e severo.
— Cala a boca, criatura hedionda. Ninguém, absolutamente ninguém, fique doente em minha presença.
As outras, ao lado do gordo, sorriram de canto. Foi então que ela entendeu o que estava acontecendo:
Eu caí em uma armadilha…
— Meu Rei, eu peço…
Um dos guardas tapou-lhe a boca e a arrastou para fora do local. Ao lado, outro surgiu e se ajoelhou perante o seu Rei.
— Meu Rei, tenho informações a passar.
O Rei ergueu o olhar na direção do soldado.
— Permito!
O soldado respirou fundo antes de revelar a informação:
— Um grupo de estrangeiros entrou no nosso país.
O Rei ficou em silêncio por alguns instantes, observando-o com uma expressão séria. Então, tomou sua decisão:
— Tragam-nos até mim.
O soldado abaixou levemente a cabeça em sinal de respeito e respondeu:
— Entendido.
O obeso agarrou uma das empregadas ao seu lado. Seu bafo era tão forte que ela quase fez uma careta. Ele passou a mão em sua bunda e pensou:
Será que entre eles tem alguma diferenciada?
O Rei inclinou-se ligeiramente para a frente, demonstrando interesse pela informação que estava prestes a receber.
— Diga, feio, tem alguma mulher destacável entre eles?
O soldado manteve-se diante do Rei e respondeu prontamente:
— Sim, no grupo possui duas mulheres. Tinha uma que se destacava pelos seus cabelos brancos, e a outra por possuir um corpo bastante volumoso e uma pele negra.
O Rei levou a mão ao queixo branco, pensativo, enquanto imaginava as duas mulheres descritas pelo soldado. Um sorriso surgiu discretamente em seu rosto antes de comentar:
— Volumoso e negra? Dois pacotes existindo no mesmo corpo.
O gordo olhou para a empregada que agarrava, perdeu o interesse nela e a afastou com um empurrão.
— Pode ir.
— Sim — respondeu o soldado.
Caída no chão, rangia os dentes enquanto pensava no quão escroto era aquele ser. Ainda assim, reuniu forças para se levantar e forçou um sorriso falso, como todos os servos daquele local.
Algum tempo se passou, e as informações sobre o grupo chegavam pouco a pouco. O Rei começou a perder o interesse naquele grupo e, então, ordenou:
— Ative o mecanismo e aguarde a chegada dessas criaturas repugnantes.
— Sim!
Quando o grupo chegou ao local, o Rei lamentou ter de sepultar a mulher volumosa. Ficou curioso sobre como uma mulher poderia ter cabelos tão brancos e, além disso, aquela coisa ao lado não parecia humana. Sua pele era tão negra que causava repúdio ao Rei.
Após conseguir sepultar aquele grupo, o Rei ficou tranquilo, mas isso não durou muito. Izumi derrubou sua defesa e, por toda a sua vida, nunca havia sentido tanto medo. Sua vida passou rapidamente diante de seus olhos enquanto ordenava que a defesa fosse ativada novamente.
Ao conseguir, sentiu um grande alívio, mas isso não o impediu de se mijar todo. Um dos guardas presentes não resistiu e soltou uma leve risada contida enquanto tapava a boca.
Naquele instante, o Rei, tomado pela vergonha, ergueu a voz e gritou:
— Quem riu?!
Ninguém abriu a boca. O silêncio tomou conta do local, e os soldados permaneceram imóveis, evitando qualquer reação diante da fúria do Rei.
Após alguns segundos, um dos guardas se ajoelhou perante o Rei e respondeu:
— Meu Rei, perante a situação, não conseguimos distinguir qual dos soldados fez aquele desrespeito contra a sua majestade.
O Rei estreitou os olhos, claramente irritado com a resposta.
— Encontre-o e mate! Ninguém ousa rir na minha presença.
O guarda abaixou a cabeça em sinal de respeito e disse imediatamente:
— Entendido!
O Rei foi limpo antes de se ausentar do local, mas, antes que pudesse fazê-lo, notou que sua defesa havia sido derrubada, e seu corpo tremeu.
— Não… não deixe aquela coisa sair…
O gordo não conhecia Izumi, mas seu corpo se sentia oprimido só de pensar naquela coisa. Aquilo despertou uma lembrança que havia lutado para esquecer.
Todos os herdeiros, aos dez anos, eram apresentados ao Demônio que governava aquele local.
O trono onde somente seu pai se sentava agora estava ocupado por outra pessoa, que exibia um olhar de superioridade e prazer.
Durante toda a sua vida, ele nunca havia se ajoelhado diante de ninguém. Porém, na presença daquela mulher, seu pai, que era o seu orgulho, ajoelhou-se diante dela e lambeu seus pés.
— Pai? — perguntou, confuso, enquanto coçava o seu cabelo preto.
— Faça o mesmo, Mit.
Toda a admiração que sentia pelo pai morreu naquele momento. Seu rosto se fechou, tomado pela insatisfação, e ele declarou:
— Não… Não ajoelharei a mulher nenhuma!
O pai dele entrou em desespero, mas não podia se levantar enquanto cumpria o serviço que lhe foi imposto. A mulher sorriu de canto e liberou sua intenção assassina.
Naquele momento, sentiu tanto medo que viu sua vida passar diante de seus olhos e, por instinto, ajoelhou-se.
— Gostei, gostei de você!
A demônia se levantou do trono e parou à sua frente. Em seguida, agachou-se diante dele e declarou:
— De agora em diante, és meu e de ninguém mais!
Logo em seguida, ela engatinhou até atrás de Mit, cheirou a pessoa logo atrás, de baixo para cima, e lambeu seu rosto.
— E você, pode fazer o que quiser!
Naquele momento, a ira dele explodiu em sua mente ao perceber que seu irmão gêmeo havia escapado daquela escravidão.
O ódio que sentia por aquela situação o acompanhou até os dias de hoje, ao se lembrar do medo e dos abusos constantes daquela mulher, que não permitia que ele se relacionasse com outras mulheres.
Ao ser humilhado novamente, depois de tanto tempo afastado daquela mulher, sentiu seu mundo desmoronar. Todavia, quando percebeu que a pessoa que ela mais desprezava o havia salvado, uma mistura de alívio, gratidão e ódio tomou conta de si.
Mit fugiu daquele local e rastejou sozinho, até que alguns guardas o ajudaram a chegar ao seu estabelecimento. Naquele momento, deitado em sua cama gigante, prometeu a si:
— Matarei aquela vadia!